Crime ocorrido em maio de 2022, inicialmente tratado como latrocínio, foi considerado homicídio qualificado; julgamento no Fórum de Irati terminou com decisão apertada de 4 a 3 pelo júri popular/Paulo Sava

Resumo: – Thaísa e César teriam um caso extraconjugal, segundo testemunhas, advogados e a promotoria;
- Defesa ainda alegou que Thaísa era constantemente agredida e violentada por Silmonei;
- Os réus já estão detidos há quase 4 anos.
A Justiça condenou na noite de ontem os réus Thaísa Fernanda Scharam Sluzala e César Fleczuk à prisão pela morte de Silmonei Sluzala em emboscada no dia 07 de maio de 2022. O julgamento foi realizado no Fórum da Comarca de Irati.
No caso de Thaísa, a pena estabelecida pelo tribunal do Júri foi de 16 anos e 6 meses. Além da emboscada, a utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima foi outro agravante para a aplicação da pena.
César foi condenado a uma pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias de detenção, com os mesmos agravantes citados no caso de Thaísa. O fato de ambos terem um caso extraconjugal, citado pelas testemunhas, advogados e pelo promotor Eduardo Ratto Vieira durante o julgamento, foi outro agravante para a aplicação da pena ao réu, de acordo com o promotor.

”Então, isso foi sustentado na denúncia como uma circunstância qualificadora qualificada como motivo torpe. Essa situação foi reconhecida em relação ao réu, foi afastada em relação à ré e entendemos que é uma situação extremamente delicada, inclusive de se trabalhar em plenário. Nós tentamos trabalhar essa questão de forma ética, mas, evidentemente, sempre fiel à prova dos autos. Como já lhe adiantei, eu entendo que, nesse aspecto, a decisão foi equilibrada, porque, em relação ao réu, pela defesa foram trazidos outros elementos, relacionados às situações pretéritas, que acredito que tenham, de alguma forma, influenciado na decisão do Conselho de Sentença, em relação à qual nós não temos nenhum tipo de reparo a fazer, na medida em que ela encontrou respaldo naquilo que foi sustentado pelo Ministério Público e naquilo que foi produzido em plenário”, frisou o promotor.

Josué Hilgemberg, um dos advogados de defesa dos réus, afirmou que vai esperar o momento certo para entrar com recurso contra as penas aplicadas. “A sociedade iratiense entendeu com uma condenação, crime triplamente qualificado, foi afastada uma qualificadora e estamos aqui para respeitar a decisão, lembrando que foi o famoso 4 a 3, 4 pessoas optaram, a maioria para condenar e 3 para absolver. Faz parte da sociedade, agora vamos ver, dar uma analisada nessa pena aplicada, ver as possibilidades e no momento oportuno, nos autos, um possível recurso”, comentou o advogado.
A defesa ainda alegou que Thaísa era constantemente agredida e violentada por Silmonei. A advogada Isis Hilgemberg contou que mensagens encontradas no celular da vítima comprovam estas ocorrências. “Tem mensagens que ele fala que iria bater nela, fotos nas conversas que ele acabou machucando o braço dela, então existiam realmente elementos concretos destas violências, pois existem vários tipos de violência. Tentamos a todo momento demonstrar para o Conselho de Sentença as violências que ela sofria, não somente física, patrimonial e emocional, mas existia todo o ciclo de violência. Quanto à defesa do César, não existiam elementos concretos da autoria dele no crime e foi isso que tentamos ventilar, mas o Conselho de Sentença é soberano, não acatou o que a defesa vinha trazendo e acabou gerando esta condenação. Como o doutor Josué já falou, eu, como defesa do César, vou ver qual foi a pena aplicada e tentar verificar quais possibilidades irão se encaixar para ele”, comentou.

Os réus já estão detidos há quase 4 anos. Silmonei foi assassinado no dia 07 de maio de 2022, véspera do dia das mães. Na ocasião, o crime inicialmente foi tratado como latrocínio (roubo seguido de morte). Porém, as investigações tiveram outro desfecho. Em contato com nossa reportagem na manhã desta quinta-feira, 12, o delegado Paulo César Eugênio Ribeiro afirmou que o caso relatado pelos réus inicialmente causou espanto aos policiais.
“Na verdade, da parte da Polícia Civil, enquanto atuamos no caso, sempre buscamos a verdade em todos os fatos e eventos deste crime bárbaro, que nos espantou com relação à frieza e à execução, tendo em vista as circunstâncias em que o próprio marido foi morto a mando da esposa, em conluio com o César. Causou espanto esta situação, tendo em vista que tentou-se montar uma cena do crime que, num primeiro momento, parecia verdade com relação ao latrocínio (roubo seguido de morte). Porém, as diligências não se encerraram naquele momento: precisamos realizar várias delas para poder identificar o que de fato aconteceu e levar o caso a júri popular”, afirmou.
A condenação de ambos os réus representa o resultado do esforço da Polícia Civil para elucidar o caso, segundo Ribeiro. “O resultado foi justamente este: a condenação das duas pessoas no crime envolvendo um homicídio qualificado, que nada mais traduz o resultado que nós atingimos na investigação e foi confirmado agora pela decisão do júri. Quanto à pena imposta para ambos, cabe ao Ministério Público e à defesa entender por recorrer ou não. Da nossa parte, da Polícia Civil, só demonstra que as diligências estavam acertadas, na medida em que levaram ao resultado que nós pretendíamos com o indiciamento durante a investigação presente agora no resultado do júri popular”, finalizou.