Justiça revoga prisão do médico Felipe Lucas

07 de maio de 2026 às 19h51m

Segundo a defesa, a Justiça reconheceu a extinção da punibilidade no caso relacionado a um atendimento obstétrico realizado em 2011 e determinou a soltura imediata do médico, preso ontem (6)

Médico ginecologista Felipe Lucas. Foto: Reprodução/CIS Amcespar

A defesa do médico ginecologista e obstetra Felipe Lucas informou que o Poder Judiciário determinou a soltura imediata do profissional, preso nesta quarta-feira (6) após ser acusado de abusar sexualmente de uma paciente durante um parto realizado em 2011, em Teixeira Soares. Além deste caso, o médico também é investigado por outras três denúncias semelhantes. Em um dos casos, o médico é suspeito de violação sexual mediante fraude contra uma paciente de 24 anos. O caso ocorreu no dia 4 de fevereiro de 2026, durante uma consulta.

De acordo com informações divulgadas pelo g1, a decisão judicial revogou a prisão preventiva do médico devido à idade dele. O caso pelo qual ele foi preso aconteceu em 2011 e foi denunciado apenas recentemente, após a paciente ver relatos de outras vítimas e se encorajar a procurar a polícia.

Procurada pela reportagem da Najuá, a defesa divulgou uma nota informando que “desde o início foi sustentado que a prisão era ‘injusta e desnecessária’, considerando que o médico estaria atuando dentro da rotina de um procedimento obstétrico e que os fatos investigados ocorreram há cerca de 15 anos”.

Casos desse tipo prescrevem, no Brasil, após 20 anos; no entanto, como o médico tem mais de 70 anos, a Justiça decidiu reduzir a prescrição pela metade, de 20 anos para 10 anos, e, com isso, o caso acabou perdendo a punibilidade.

Ainda conforme a defesa, a Justiça reconheceu a extinção da punibilidade no caso e determinou a expedição imediata do alvará de soltura. A defesa afirma que o entendimento judicial foi de que o Estado não poderia mais aplicar qualquer punição relacionada ao caso.

A nota também destaca preocupação “jurídica e social” em razão da prisão de um profissional da medicina, idoso, por uma acusação ligada a um atendimento obstétrico realizado “há mais de uma década e meia”.

Por fim, a defesa informou que continuará acompanhando o caso e adotará “todas as medidas cabíveis para preservação da honra, da dignidade e das garantias constitucionais do Dr. Felipe Lucas”.

Investigação

Outras mulheres denunciaram o médico por abuso sexual durante atendimentos. A mulher que denunciou a conduta durante o trabalho de parto procurou a polícia após ver notícias sobre denúncias feitas por outras vítimas; em abril, três mulheres de Irati relataram terem sido abusadas sexualmente pelo médico.

“Elas disseram que não procuraram a polícia antes por medo da influência política do autor. Antes achavam que não ia dar em nada se registrassem a ocorrência, mas agora viram que deveriam ter relatado antes”, explicou o delegado Luis Henrique Dobrychtop, de Irati, ao portal g1.

Este site usa cookies para proporcionar a você a melhor experiência possível. Esses cookies são utilizados para análise e aprimoramento contínuo. Clique em "Entendi e aceito" se concorda com nossos termos.