Campanha obrigatória segue até 30 de junho; produtores devem declarar animais para garantir controle sanitário, evitar multas e preservar mercados nacionais e internacionais/Paulo Sava e Juarez Oliveira

Resumo: – Processo é importante para garantir a qualidade da produção e a rastreabilidade dos animais;
- Retirada da obrigatoriedade da vacinação aumentou ainda mais a responsabilidade sobre o controle sanitário;
- Obrigatoriedade vale tanto para grandes quanto pequenos produtores.
A atualização anual dos rebanhos no Paraná volta a ser tema de atenção para produtores rurais em 2026. A campanha estadual, que ocorre entre os dias 1º de maio e 30 de junho, é considerada fundamental para a manutenção do status sanitário do Estado como área livre de febre aftosa sem vacinação — reconhecimento conquistado após anos de controle rigoroso e fiscalização agropecuária.
Durante entrevista, a representante da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) em Irati, Maria Elaine Simão Machado, destacou a importância desse processo para garantir a qualidade da produção e a rastreabilidade dos animais.
“O Paraná hoje, ele detém um status sanitário, uma conquista de todos os paranaenses, de todos os produtores, que é esse status livre de febre aftosa sem a vacinação. Até 2019, nós vacinávamos, éramos livres da doença, mas a gente ainda tinha que vacinar”, afirmou.
Segundo ela, a retirada da obrigatoriedade da vacinação aumentou ainda mais a responsabilidade sobre o controle sanitário. “Agora, é como se o nosso trabalho tivesse dobrado. A importância da vigilância agora é ainda maior, porque como nós não temos a vacinação, a gente não tem essa cobertura de imunização. Então, nós precisamos que o produtor continue atualizando seus rebanhos”, explicou.
A campanha envolve todas as espécies de produção animal, incluindo bovinos, bubalinos, suínos, ovinos, caprinos, equinos, aves, peixes e até abelhas. A obrigatoriedade da atualização vale tanto para grandes produtores quanto para aqueles que criam animais apenas para consumo próprio.
Maria Elaine reforça que a doença não distingue o destino da produção. “A doença, a febre aftosa, ela não vai escolher se o animal é um animal que vai para fins comerciais ou não. A doença, ela vai atacar todos os animais. Então, por isso que é importante a gente ter esse controle de todos, independentemente da finalidade”, frisou.
O procedimento pode ser feito presencialmente no escritório da Adapar ou de forma digital, por meio do aplicativo Paraná Agro ou pelo site oficial do órgão. Apesar das alternativas tecnológicas, a maior parte dos produtores ainda prefere o atendimento presencial.
“Nós ainda temos bastante produtores que são mais velhos de idade. Então, esses produtores preferem ir presencialmente. Em torno de 60% a 70% das atualizações são feitas dessa forma”, comentou.
Para aqueles que enfrentam dificuldades com tecnologia, o escritório local também oferece suporte. “Às vezes tá com dificuldade pra baixar, não tá conseguindo fazer o login, a gente dá um auxílio pra eles por ali, pelo WhatsApp também”, pontuou.
Outro ponto de atenção é o cumprimento do prazo. A não atualização pode gerar penalidades financeiras ao produtor. “Como existe uma legislação que obriga o produtor, toda lei que obriga vai ter uma penalidade. […] Na maioria das vezes, ou vem uma advertência ou vem a multa, que gira mais ou menos em torno, no mínimo, de 10 unidades padrão fiscal”, alertou, destacando que o valor pode ultrapassar R$ 1.500 e aumentar conforme o tamanho do rebanho.
Além de evitar sanções, a atualização tem impacto direto na economia. O não cumprimento das metas pode comprometer o status sanitário e afetar a comercialização internacional dos produtos paranaenses. “Se nós não atingirmos esse índice mínimo, tanto o Ministério da Agricultura quanto o mercado internacional podem julgar que nós não estamos cumprindo com aquilo que nós prometemos. Então, nós podemos perder esse status a qualquer momento”, explicou Maria Elaine.
Atualmente, o município de Irati conta com cerca de 1.400 propriedades rurais cadastradas na Adapar, abrangendo desde pequenos criadores até grandes produtores. A entrevistada também ressaltou que o bom desempenho sanitário do Paraná é resultado direto do comprometimento dos produtores. “Nós só estamos no status que estamos hoje graças à ajuda dele. Então, ele tem uma responsabilidade, mas ele também tem o crédito pelo status que hoje nós temos”, contou.
O escritório da Adapar em Irati passou por mudança de endereço e agora atende na Rua 19 de Dezembro, número 566. O contato via WhatsApp para orientações é o (42) 3422-7554. A campanha segue até o fim de junho e a expectativa é manter os índices necessários para garantir a continuidade do reconhecimento sanitário e a abertura de mercados para o agronegócio paranaense.