Aline Sleutjes disputa vaga ao Senado Federal

A candidata Aline Sleutjes (PROS) concorre à única vaga do Paraná no Senado Federal nesta…

28 de setembro de 2022 às 19h48m

A candidata Aline Sleutjes (PROS) concorre à única vaga do Paraná no Senado Federal nesta eleição. Em entrevista, a deputada federal falou de seu trabalho e propostas/Texto de Karin Franco, com reportagem de Cristina Pavelski e Guilherme Loss

Aline Sleutjes (foto) durante evento de campanha ao senado federal. Foto: Facebook/Reprodução

A deputada federal, Aline Sleutjes (PROS), é candidata ao Senado Federal. Ela disputa a única vaga existente para o Senado. Na eleição passada, a candidata do município de Castro, na região dos Campos Gerais, foi a primeira mulher eleita para Câmara Federal dessa região.

Em entrevista no programa “Fim de Expediente”, que é apresentado por Guilherme Loss e Cristina Pavelski, que vai ao ar na Super Najuá, a candidata destacou o trabalho realizado junto ao agronegócio. Durante o atual mandato, Aline foi presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal. “Sendo a primeira mulher da história do Brasil a presidir a Comissão de Agricultura. Votamos 160 projetos, enquanto eu fui presidente, fizemos 92 audiências públicas, mesas redondas discutindo temas importantíssimos para o nosso estado, para o nosso Brasil. Trouxe muitos recursos para a área da agricultura. Recursos que foram transformados em equipamentos, tratores, caminhões, estradas rurais”, conta. 

A candidata comentou sobre um projeto que amplia a pena para pessoas que invadam terras que são consideradas produtivas. “Eu fiz um projeto de lei para ampliar essa pena e se ela for produtiva, ter mais uma penalização sobre isso”, explica.

 Quer receber conteúdo local da Najuá? Confira a descrição do grupo  

Aline também falou sobre ações de regularização fundiária. “Temos muitas áreas que não são invasões, que são áreas legais onde as pessoas foram assentadas, elas produzem, elas vivem ali com a sua família, mas elas não têm o título. Como que uma pessoa pode pegar linha de financiamento, comprar trator, comprar um caminhãozinho, montar uma leiteria, melhorar a sua casa, garantir a tranquilidade da sua família, se Deus o livre, você partir, você não tem garantia nenhuma que tua família ficou naquela área. Esse governo já fez mais de 400 mil títulos no Brasil. Só no Paraná já chegam a 11 mil”, disse a deputada federal. 

A candidata destacou que ainda é necessário realizar mais ações para a agricultura. “Precisamos melhorar ainda mais a quantidade de recursos para o Plano Safra, Pronaf, Pronampe. Isso significa que a agricultura familiar e o pequeno e médio produtor tenham linhas interessantes com juros baixos, equalizados pelo governo e otimizado para que cada um deles possa melhorar cada dia mais, melhorando sua produção”, conta. 

Em relação aos fumicultores, a deputada disse que tem auxiliado a discutir possibilidades aos agricultores que estão tendo dificuldade na área e querem mudar de setor. “Alguns municípios conseguiram. Estão migrando. Eles estão começando com outras culturas, alguns, inclusive, com leite, outros com outras plantações de outros setores. Mas o que acontece? Tem gente que tem a identidade. A sua propriedade tem identidade do fumo. E precisamos dar condições porque o ganho que eles têm no fumo, quase não é compatível com outros setores que eles possam utilizar. Não é só o caso do Paraná. É o caso do Rio Grande do Sul, é o caso de Santa Catarina e tem outros estados também. Hoje nossa luta e nosso trabalho, inclusive, fizemos uma audiência pública e temos um trabalho ainda para finalizar na Câmara, logo depois das eleições, é tentarmos encontrar, em harmonia, como que nós vamos fazer com esses produtores”, disse. 

Aline destaca que uma audiência discutirá os rumos do fumicultor e as possibilidades que ele poderá ter, caso mude de cultura. “Logo depois da eleição, nós teremos a audiência pública sobre isso e seria importante termos alguém de vocês para poder participar, falar da realidade, porque nesse projeto vai estabelecer as diretrizes, as sanções, os acordos comerciais. Empresas que hoje se utilizam de má-fé, que não tem em contratos, que não pagam um valor justo, que usam de má-fé com os nossos produtores, vão ter ali restrições. Precisamos fortalecer esse tipo de produção”, conta. 

A candidata também comentou que decidiu entrar na disputa para o cargo ao Senado porque não está contente com a atuação dos atuais senadores do Paraná, que são Oriovisto Guimarães, Flávio Arns e Álvaro Dias (todos são filiados ao Podemos). Os dois primeiros têm mandato até 2026. Já a vaga de Álvaro está em disputa nesta eleição.  “Três senadores homens, três senadores do Podemos, três senadores com a mesma conduta e posicionamento político, e hoje três senadores contrários ao governo federal. Então, é muito difícil. Como que esses senadores representam o interesse do nosso Estado, trazendo recursos, trazendo melhorias, se eles não estão articulados com o setor do governo federal. Segunda situação, o estado do Paraná é referência na agropecuária. Nós somos líder de produção. Como pode os nossos senadores não terem voz nesse setor que gera emprego, renda, desenvolvimento, sustentabilidade e segurança? Depois outra preocupação: não temos um senador hoje municipalista, ou seja, que saia do seu gabinete luxuosos de ar-condicionado e rode o estado do Paraná, ouvindo os prefeitos, ouvindo os vereadores, as lideranças, os setores para saber o que nós estamos precisando”, disse. 

Na área de educação, Aline comentou sobre as mudanças no ensino e o que pode ser feito neste setor “Hoje eu tenho um acesso muito grande com o MEC [Ministério da Educação]. Nós precisamos discutir muito essa questão curricular porque ela modifica a diferença da grade, dos currículos. Eu vejo uma discordância por um certo grupo. Não acho que eles estão errados. Há um grupo com uma educação mais tradicional, que gostaria que voltasse à essência da educação escolar com aprendizagem das disciplinas básicas e depois a pessoa pudesse fazer o técnico separadamente. Outros que gostariam que fizesse agora toda essa questão de profissionalização já no Ensino Médio, fazendo com que o jovem decida, se alinhe ao perfil dele e que ele já possa gerar possibilidade de emprego, abertura de mercado, possibilidade para que ele possa ser inserido. Há uma discordância ainda muito grande. Eu estou em alguns grupos de discussão, principalmente na Comissão de Educação lá em Brasília. Temos trabalhado bastante para tentarmos entrar em harmonia e pensar sempre na qualidade de ensino do nosso País”, conta. 

A deputada federal também comentou sobre seu trabalho no Congresso Nacional em relação à educação. “Trabalhei bastante também em relação às escolas cívico-militares que tem demonstrado um grande avanço na questão de conhecimento, aprendizagem e resultados, através de uma disciplina, através do resgate de muitos valores que infelizmente foram perdidos nas escolas, durante todos esses cinco, dez, vinte anos e, claro, a valorização dos nossos mestres que por muito tempo agora passaram a ser considerados apenas mediadores e não os mestres como merecem ser”, disse. 

A candidata destaca que ainda é preciso trabalhar em alguns pontos para avançar na educação como a valorização dos professores. “O aumento do salário, as valorizações através de cursos, de avanços, os materiais pedagógicos sendo reavaliados, tirado doutrinação política dos materiais e, inclusive, tirado também materiais que denigrem até a questão da agricultura e de outros valores, família, então nós temos toda uma reavaliação dos materiais para que a gente consiga avançar e retomar os índices tão desejados para a educação do nosso País”, conta. 

Aline é apoiadora do presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL). Na eleição passada, ela havia sido eleita quando estava no Partido Social Liberal (PSL). O partido acabou se fundindo com o Democratas (DEM), formando o União Brasil. Agora, na disputa à eleição para o Senado, Aline é candidata pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS). Porém, o partido anunciou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto isso, o presidente Bolsonaro já anunciou apoio a outro candidato ao Senado Federal, o deputado federal Paulo Eduardo Martins (PL).

Aline explica que tentou se filiar a outro partido, mas não conseguiu. “Eu não estou no PROS porque foi a primeira opção. Eu estou no PROS porque infelizmente, o PL paranaense, que é mandado pelo deputado Giacobo [Fernando Lucio Giacobo] não aceitou a minha filiação. Então, eu não fui para o partido do presidente porque não deixaram filiar. Deixar muito claro aqui que partido político é igual a empresa. O cara disse é dele e ele manda quem entra, ele manda quem sai. Quando o PROS viu a dificuldade que eu estava enfrentando em conseguir me filiar a um partido porque o PSL não existia mais – aliás o PSL que o presidente se elegeu, era o partido do presidente. Eu fiquei sem sigla. Corri atrás, lutei, as portas foram fechando porque eles viam que eu era uma candidata que vinha para o combate. E aí o PROS me convidou para entrar. Me deu a cadeira, o apoio e as condições para enfrentar essa luta, que é o Senado. Só que no meio do percurso, infelizmente, o presidente nacional do PROS mudou e voltou o tal do Eurípedes [Eurípedes Gomes de Macedo Junior] para presidir o PROS Nacional. Todos os acordos foram por água abaixo, porque o PROS Nacional, quando estava na mão do Holanda [Marcus Holanda], estava tudo bem. Ele é conservador, de direita, bolsonarista. Estava tudo alinhado. Quando o Eurípedes assumiu, ele falou que o PROS Nacional seria Lula”, explica. 

Mesmo com o apoio do partido nacionalmente sendo a Lula, a candidata ao senado disse que continua apoiando Bolsonaro nesta eleição. “Para mim não muda nada no estado do Paraná. O PROS Paraná é Bolsonaro. Aline Sleutjes é Bolsonaro. Quem não conhece, é só ir ver minhas redes sociais e saber de todo o trabalho que fiz e faço pelo governo federal. Aliás, sou vice-líder do governo no Congresso, fui vice-líder do Governo na Câmara. Sou bolsonarista. Sou conservadora. Sou cristã. Sou de direita”, afirma. 

A candidata disse que pelo seu posicionamento não tem conseguido receber recursos do Fundo Partidário. “Eu estou no partido sofrendo retaliações, sem receber Fundo Eleitoral, enquanto meus adversários recebem R$ 4,5 milhões, R$ 3 milhões, R$ 2 milhões – dinheiro público. Eu não tenho recurso. Eu preciso contar com a boa vontade de amigos, de pessoas que estão sensibilizadas com a nossa campanha, que acreditam em meu trabalho, que querem que eu seja senadora”, disse.

Aline afirmou que poderá sair do partido futuramente. “Como candidata ao Senado, eu não fico amarrado a sigla. Eu posso me eleger, tomar posse e no dia seguinte, eu posso mudar de partido ou ficar sem partido”, conta.