Vilson Menon pretende disputar cargo no Executivo

23 de março de 2016 às 14h29m
Pré-candidato a prefeito recentemente migrou para o PSD e, desde o início da atual legislatura, sustentou a postura de oposição ao governo municipal, a que critica por “falta de planejamento”

Texto: Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub e Nilton Luy
Vídeo: Vânia Andrade, com edição de Anderson Harmuch
O presidente da Câmara de Irati, Vilson Menon, que oficializou na semana passada sua migração do PMDB para o Partido Social Democrático (PSD), aparece entre os políticos que vêm sendo sondados pelo diretório local da legenda para concorrer ao cargo de prefeito.

© Bete Budel

Presidente da Câmara de Irati, Vilson Menon, pretende concorrer a prefeito ou vice nas eleições deste ano

Vilson Menon é o segundo entre os cotados pelo PSD para disputa majoritária nas eleições de 2016 a ser entrevistado durante a série de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de Irati. O correligionário e ex-colega de Menon na Câmara, Sidnei Jorge, participou do Meio Dia em Notícias há duas semanas. O vereador Amilton Komnitski, que presidiu a Câmara de Irati entre 2013 e 2014, também é sondado pelo partido como pré-candidato.

Menon é iratiense, tem 47 anos de idade, é casado, formado em Odontologia e trabalha como cirurgião-dentista. É vereador pelo segundo mandato consecutivo e, desde 2015, preside a Câmara Municipal. Ao longo do atual mandato, manifesta postura oposicionista ao governo municipal e, por diversas vezes durante as sessões, criticou o Executivo por alegada falta de planejamento o que, muito provavelmente, pode vir a ser a tônica de sua futura campanha política.

O pré-candidato explicou sua saída do PMDB, partido ao qual agradeceu pela oportunidade de concorrer em duas eleições, tendo sido eleito e reeleito como vereador. “Com o passar do tempo, as coisas foram caminhando de forma que eu tinha um propósito com relação à sequência na minha carreira política e eu sentia que não conseguia agregar a todos para que caminhássemos no mesmo propósito”, justificou.

Segundo ele, a saída não foi motivada por desavenças, apenas por incompatibilidade com a ideologia e por considerar a perspectiva de seu próprio futuro político, o que a sigla não contemplaria. Ou seja, Menon buscou por um partido que o apoie na iniciativa de disputar um cargo no Executivo, seja como prefeito ou mesmo como vice. O presidente da Câmara declarou que não pretende uma nova candidatura ao Legislativo neste ano.

Planejamento

Planejamento deve ser a palavra-chave na futura campanha política de Vilson Menon. Pelo menos desde que assumiu a Presidência da Câmara, tem insistentemente criticado o governo municipal pela falta de planejamento em diversos episódios: seja no envio de matérias urgentes para votação; seja na discussão do orçamento para o ano seguinte; seja no que diz respeito à conservação das estradas rurais.

Ao ser indagado sobre como garantir o investimento em obras e outras necessidades da população mesmo tendo a maior parcela do orçamento direcionada aos setores da saúde e da educação, Menon é categórico: “O orçamento precisa ser extremamente bem planejado. A grande questão que hoje estamos batendo na tecla é a palavra ‘planejamento’”, argumentou.

Mais do que bom planejamento das ações, o pré-candidato do PSD defende que elas sejam pensadas e efetivadas com transparência.
Saúde
Sobre a saúde, Menon indicou que há uma demanda suprimida de exames; ambulâncias paradas por falta de manutenção e falta de condições adequadas de trabalho para equipes de saúde – do PSF, do Pronto Atendimento e da UPA. “Precisa de recurso humano capacitado. Não adianta oferecer uma infraestrutura linda, ou seja, um espaço bonito e não dar condições de trabalho às pessoas que estão lá dentro. Não tem como fazer o transporte dos pacientes sem dar condições de ele ser bem atendido. Não existe mais essa situação de ter um espaço bonito e não ter médico para atender tal especialidade”, comentou.

Menon admite que há especialidades em que é difícil conseguir médicos para atendimento, não apenas em Irati, mas em todo o Brasil. “Por exemplo, a pediatria se tornou uma área que tem uma carência muito grande na nossa saúde, em todas as cidades”, citou. Essa contratação, defendeu, precisa ser planejada e incluída na Lei Orçamentária Anual (LOA) e no Plano Plurianual (PPA), mesmo que exista um percentual pré-determinado para a saúde, que o pré-candidato defende que precisa ser bem administrada.

Estradas rurais

O problema recorrente das estradas rurais de Irati, ao longo dos últimos 38 meses, é um dos principais argumentos da oposição para criticar a gestão atual e, nesse aspecto, Menon insiste no planejamento como fator crucial para a solução a médio e longo prazo. Antes, porém, o pré-candidato opina que é necessário executar o reparo emergencial que as estradas demandam há algum tempo.

Menon salienta que a agricultura é a atividade econômica predominante no município e que é preciso dar condições para que o agricultor escoe sua produção. “Primeiro, é preciso esse trabalho emergencial. Depois, se consegue fazer uma análise e se reorganizar”, disse. O pré-candidato relembrou que, no ano passado, a Câmara antecipou a devolução de recursos ao Executivo porque não havia mais verba disponível no orçamento para a aquisição de pedra brita e atribuiu a falta de dinheiro no Executivo ao investimento maciço em publicidade, especialmente a televisiva, da atual gestão.

Emprego e renda

O anúncio de que uma empresa de confecções em Irati deve fechar as portas em abril induz ao questionamento sobre que políticas podem ser adotadas para gerar novos empregos e, ao mesmo tempo, manter os existentes. Menon diz que a crise econômica deve criar restrições, em médio prazo, para que novas indústrias de grande porte se instalem na cidade e que, enquanto isso, deve-se fortalecer as empresas locais, oferecendo condições de trabalhar em parceria com a FIEP e a ACIAI.

“Precisamos trabalhar num sistema onde eles consigam exportar seus produtos, uma vez que hoje o valor está mais agregado na exportação. E desburocratizar o processo [de abertura de empresas] na nossa prefeitura e fazer com que o Progride [Programa Iratiense de Desenvolvimento Econômico] realmente dê sua contribuição nesta parte”, propôs.

Educação

O pré-candidato propõe que o município deve adequar as escolas e dar condições de trabalho dignas aos professores. Menon não admite que as escolas continuem a “mendigar” para obter recursos para uma reforma estrutural, para uma troca de porta ou outra intervenção necessária, por falta de tempo de o município licitar o reparo. “Precisamos dar condições aos alunos, para que eles consigam chegar à escola, principalmente aos da área rural”, opina.
Segundo ele, o município já tem professores qualificados na sua rede de ensino. O que precisa, agora, é de estrutura física que dê suporte a eles.

Captação de recursos

Menon aponta que o orçamento municipal é bastante dependente da captação de recursos, seja através do governo estadual, do governo federal ou de emendas parlamentares. O presidente da Câmara citou a devolução de recursos oriundos de um convênio pela falta de projeto e disse que isso não pode mais acontecer. “Irati precisa parar com essa birra partidária. Temos que ser apartidárias. Virou uma briga entre partidos políticos, onde hoje há um atrito entre Governo do Estado, Prefeitura e Governo Federal. Com o orçamento pequeno que temos, precisamos de recursos do Governo Estadual e Federal, das emendas que os deputados nos passam. Precisamos ter capacitação profissional e gente adequada para que não se percam essas emendas e elas não voltem para o governo, de qualquer esfera, e nós não tenhamos feito o que se coloca”, argumenta.

Segundo ele, são exemplos disso as obras paradas em Irati, como a nova sede da Prefeitura, que estava praticamente pronta e que não se finaliza por conta de algo que Menon considera “birra política”. “Precisamos ter vontade e gente capacitada para que busquemos esses recursos. Os vereadores têm feito bastante isso com relação a emendas e, no entanto, tem vindo, batido na trave e voltado. Nosso orçamento não é estratosférico, é enxuto, e precisa ser trabalhado com qualidade e profissionalismo”, observa.

Definições do partido

Sem perder de vista a intenção de emplacar uma candidatura a prefeito de Irati, Menon defende que o PSD deve definir o nome que o representará na corrida eleitoral de forma aberta e que a escolha será baseada em competência e não em “conchavos entre quatro paredes”. Menon acredita que a definição do nome que deverá concorrer às eleições pelo PSD será transparente e apoiada por um consenso.

O pré-candidato aposta na possibilidade de o PSD formar coligações e defende que o cenário de disputa fique restrito à campanha eleitoral. “Temos que esquecer a birra partidária. Quando se disputa uma eleição, há oponentes, não inimigos. Não podemos trabalhar posteriormente à eleição como inimigos. Isso tem que ser superado. Não existe mais esse ranço. Irati precisa aglomerar pessoas de todos os lados para que cresça. Cidades que antes eram menores que Irati já estão maiores por essa birra partidária, que não podemos mais ter dentro da cidade. Irati precisa evoluir nesse sentido”, avalia.
Vídeo: Vânia Andrade, com edição de Anderson Harmuch

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