Nesta etapa, devem ser vacinados bovinos e búfalos de até 24 meses. Pecuaristas devem confirmar a vacinação do rebanho até o dia 31 de maio
Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub
© Assessoria Prefeitura de Irati
Primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa acontece entre os dias 1º e 31 de maio
Começa na próxima segunda (1º) e se estende até o dia 31 de maio a 1ª etapa de vacinação contra a febre aftosa de 2017. Nesta etapa, devem ser vacinados todos os bovinos e búfalos com idades entre zero e 24 meses. Os pecuaristas devem comprovar a vacinação até o dia 31 de maio nas Unidades Locais de Sanidade Agropecuária da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) ou pela internet, através da página: www.adapar.pr.gov.br.
A médica veterinária e fiscal agropecuária da ADAPAR, Cristina Barra do Amaral Bittencourt, explica que os animais com idade superior a 24 meses não são vacinados nessa primeira etapa, mas devem ser também contabilizados pelos pecuaristas, pois entram na contagem do rebanho total existente na propriedade. Ou seja, o produtor não precisa vacinar bovinos com mais de dois anos, mas mesmo assim deve entregar o comprovante para atualização cadastral na ADAPAR ou nas Secretarias Municipais de Agricultura, relacionando os bovinos e búfalos com mais de 24 meses e listar também outras espécies de animais criados na propriedade.
Cristina recomenda ao pecuarista os mesmos procedimentos que vêm sendo adotados nos últimos anos: leve seu cartão de produtor e sua caixa de isopor até a loja agropecuária de sua preferência, comprar as vacinas e transportar sob refrigeração até a propriedade. Se preferir, pode fazer na hora a comprovação online da vacinação do rebanho. A vacinação dos animais deve ser feita no horário mais fresco do dia, procurando não estressá-los.
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As vacinas devem ser mantidas sob refrigeração em caixa isotérmica ou na geladeira, bem no fundo, evitando deixar que elas congelem. Nunca exponha as vacinas ao sol. “Na hora da vacinação, é necessário que tenha gelo dentro da caixa de isopor, porque se a vacina não ficar sob refrigeração, vai começar a deteriorar e não vai dar o efeito desejado”, alerta a médica veterinária.
As seringas e agulhas que serão usadas para a aplicação das vacinas devem ser deixadas em água fervente por dez minutos antes do uso, para evitar contaminações. Agite bem o frasco antes de usar. Cada animal deve receber uma dose de 5ml, independente da idade, tamanho ou peso do animal. A vacina deve ser aplicada na tábua do pescoço, por via subcutânea ou intramuscular. Evite aplicar no posterior (ou traseiro) do animal, por ser considerada região de carne nobre.
GTA
Durante o período de vacinação dos rebanhos, as Guias de Transporte Animal (GTAs) são concedidas somente após a comprovação da vacinação dos animais de até 24 meses. Mesmo que o produtor vá transportar animais que já ultrapassaram essa faixa etária, a propriedade precisa estar quite com a vacinação para poder fazer o trânsito de animais.
“A Guia de Trânsito é um documento que legaliza esse transporte. Ela vai acertar tanto o saldo, transferindo de quem está mandando para quem está recebendo; mas é muito importante também para o controle de doenças. Temos que conhecer o trânsito dos animais para justamente acertar a parte sanitária dos animais existentes”, detalha Cristina.
Quem não vacinar seu rebanho até o prazo de 31 de maio estará sujeito à multa mínima de R$ 957,10.
O Ministério da Agricultura exige que, no mínimo, 95% do rebanho na faixa etária correspondente esteja vacinado. “Felizmente, nós aqui em Irati estamos com resultados melhores ainda. Geralmente, tem sido a mais. Por exemplo, na vacinação de maio do ano passado, atingimos 97,6%. É um índice bem considerável. As pessoas que ficaram sem [vacinar seus rebanhos] realmente foram multadas”, explica a veterinária.
O rebanho iratiense, constituído de 14 mil a 15 mil cabeças, tem de 45% a 60% de gado jovem (até 24 meses), dependendo da propriedade, de acordo com Cristina. Em todo o Paraná, segundo dados da vacinação em novembro de 2016, o Paraná possui um rebanho de 9,54 milhões de bovinos e búfalos, distribuídos em 184.837 explorações pecuárias.
Livre da aftosa
A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconhece o Paraná como Área Livre da Febre Aftosa com Vacinação. Outros 23 estados brasileiros e o Distrito Federal encontram-se nesta mesma condição sanitária.
Cristina explica que a vacinação ainda é obrigatória no estado, mesmo livre da doença, por exigência do Ministério da Agricultura.
A febre aftosa é uma doença infecciosa aguda, causada por vírus, uma das mais contagiosas e que atinge não só bovinos, mas também búfalos, ovinos, caprinos e suínos. Ocasiona febre seguida do aparecimento de aftas, principalmente na boca e nos cascos. Consequentemente, o animal tem dificuldades para andar e se alimentar, o que acarreta elevada e rápida queda na produção de leite.
Os animais contraem o vírus por contato direto com outros animais infectados ou por alimentos e objetos contaminados. A doença é transmitida pela movimentação de animais, pessoas, veículos e outros objetos contaminados pelo vírus. Pessoas que lidaram com animais doentes também podem transmitir o vírus através de suas mãos, roupas e calçados.
A principal consequência da ocorrência da febre aftosa é econômica. Devido ao alto poder de disseminação do vírus e aos prejuízos econômicos provocados pela doença, os países e áreas livres de febre aftosa estabelecem fortes barreiras à entrada de animais susceptíveis e seus produtos oriundos de regiões com febre aftosa. Assim, basta apenas um foco desta doença (uma propriedade atingida) para haver restrição ao mercado internacional, e até mesmo ao mercado nacional, pois animais e produtos de origem animal ficam proibidos de serem comercializados para países livres ou áreas livres de febre aftosa. Tais barreiras geram impacto negativo sobre a pecuária e a economia do país, com graves consequências sociais.
ADAPAR
Na região, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) tem escritórios em Irati, Rio Azul, Imbituva e Teixeira Soares. Nos demais municípios da região (Fernandes Pinheiro, Rebouças, Inácio Martins, Guamiranga, Ivaí e Mallet) há escritórios de atendimento municipal, onde há um funcionário de cada Prefeitura encarregado de auxiliar os produtores na parte documental dos animais e na liberação de GTAs.
A Unidade de Irati abrange também o município de Inácio Martins. A ADAPAR de Teixeira Soares atende também ao município de Fernandes Pinheiro. A de Imbituva, por sua vez, abrange os municípios de Ivaí e Guamiranga. E a de Rio Azul, as cidades de Rebouças e Mallet.
ADAPAR IRATI – Rua Dr. Correia, 100. Telefone (42) 3421-3504.
ADAPAR IMBITUVA – Rua Sete de Setembro, 77. Telefone (42) 3436-1921
ADAPAR RIO AZUL – Rua Expedicionário Antonio Cação, 109. Telefone (42) 3463-1560
ADAPAR TEIXEIRA SOARES – Praça Ovídio Gubert, 11. Telefone (42) 3460-1830