Previsão do Executivo é de que o tráfego seja liberado somente na tarde desta quarta-feira
Da redação, com reportagem de Tadeu Stefaniak e Paulo Henrique Sava
Fotos: Tadeu Stefaniak
O trecho da Rua Ladislau Griczinski entre o Morro da Santa e o trevo secundário de acesso à BR 277 segue interditado. A medida foi tomada na tarde de ontem pela Secretaria de Obras e Serviços Urbanos de Irati depois de um deslizamento de encosta sobre a via, o que levou muitos detritos, vegetação e barro para a pista.
Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Copel e da Prefeitura de Irati estão no local desde a manhã de hoje. O secretário de Obras e Serviços Urbanos, Wilson Pedroso, diz que houve necessidade de acionar a Copel para cortar algumas árvores que poderiam cair sobre fios de alta tensão. Assim que o serviço esteja concluído, as demais árvores serão cortadas e os entulhos retirados pela equipe da prefeitura. “Estamos aguardando apenas a Copel terminar o serviço para cortarmos o resto das árvores e começarmos a remoção do material e do barro dali”, comentou.
Conforme o secretário, o local onde ocorreu o deslizamento fica a aproximadamente 400 metros da entrada do local onde futuramente funcionará um cemitério. O prefeito Jorge Derbli ressaltou que técnicos da prefeitura, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil estão analisando o local para saber as causas do incidente. Ele comenta que o desmoronamento não aconteceu no terreno do cemitério, mas sim em um imóvel vizinho. “Resta saber se foram as bacias de contenção do cemitério que romperam e causaram o desmoronamento ou o excesso de chuvas. Vamos fazer uma análise para saber o que está acontecendo”, frisou.
Conforme o prefeito, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) autorizou o corte das árvores para evitar que novos desmoronamentos ocorram no local.
O trânsito segue impedido nos dois sentidos da Rua Ladislau Griczinski a partir da rotatória do Morro da Santa e, no sentido contrário, a partir do trevo secundário. A sinalização está sendo feita pela concessionária Caminhos do Paraná, conforme a Polícia Rodoviária Federal. Há previsão de liberação do tráfego no local para a tarde de hoje. Até lá, quem precisar se dirigir a Guarapuava deverá acessar a BR 277 pelo trevo principal ou pelo acesso da Vila Nova. Os motoristas que vêm de Guarapuava para Irati também deverão acessar os mesmos locais.
O secretário de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo, Adriano Batista, informou que está aguardando uma avaliação da Secretaria de Ecologia e Meio Ambiente para saber o que causou o deslizamento. Conforme Batista, esta avaliação é necessária porque o imóvel em questão pertence a terceiros. De acordo com o secretário, o deslizamento teve uma extensão de aproximadamente 100 metros, com ruptura de solo em vários pontos do terreno e quedas de árvores sobre a pista.
Conforme Adriano, uma área desprovida de vegetação em um terreno acima pode ter resultado em um solo encharcado por conta das chuvas de ontem, o que ocasionou infiltração no terreno que desmoronou. “O solo sofreu rompimento e a vegetação existente sobre o terreno escorregou em direção à pista de rolamento”, afirmou.
Após o início dos serviços de desobstrução, outros pontos acabaram deslizando, suspendendo os serviços de remoção. Conforme Adriano, a encosta está totalmente ameaçada de sofrer novos deslizamentos. “Portanto, em nome da Defesa Civil, sugere-se, como medida de segurança pública, a remoção da vegetação em toda a encosta, numa faixa de aproximadamente 5 metros de largura, de modo que as árvores com as copas pendentes sobre a pista sejam removidas integralmente”, pontuou.
Outro trabalho que deve ser realizado no trecho onde as árvores serão removidas é o retaludamento, que tem como objetivo estabilizar a encosta e repor a vegetação para proteção do solo descoberto. Além disso, serão apuradas e estancadas possíveis infiltrações de água, o que pode evitar futuros incidentes.
O secretário confirmou que o cemitério que está sendo construído nas proximidades possui alvará da Prefeitura e liberação do IAP. Um estudo de impacto de vizinhança sobre a obra foi apresentado e aprovado pelo Concidade. Atualmente, o processo tramita pela Vigilância Sanitária. “O que ocorreu ontem foi devido a um fenômeno natural, que foi um acúmulo de água da chuva. O terreno ainda vai passar por ritos de aprovação final do cemitério. Aquela área era de plantio e já estava com a vegetação rala antes mesmo de o empreendedor iniciar o processo do cemitério”, frisou. O secretário ressaltou que todo o processo está seguindo seu rito normal.
A comandante do Corpo de Bombeiros, Tenente Carla Adriana Spak Sobol, ressaltou que a corporação e a Defesa Civil trabalharam apenas na tentativa de minimizar os prejuízos desta ocorrência. Ela afirmou que não há como definir o que causou o deslizamento. “Nos próximos dias serão feitos estudos em relação a algumas coisas, mas hoje não temos como afirmar se há culpados ou não. Existem algumas barreiras de contenção, mas que terão que ser vistos depois do que aconteceu ontem. Eu acredito que a população está bastante ansiosa em busca de respostas, mas não temos perícia. Nos próximos dias serão analisadas todas as situações e as informações serão repassadas para todos os munícipes, para que ninguém fique ansioso em relação a estas respostas”, finalizou.