Delegado Rodrigo Cruz dos Santos detalha como foi o ataque e afirma que criança de nove meses não foi atingida por disparos, mas morreu asfixiada durante a fuga/Paulo Sava e Diego Gauron

Resumo:
-Testemunhas disseram ao delegado que dois homens chegaram ao local e começaram a atirar contra a casa de madeira;
-Atiradores utilizaram uma espingarda calibre 12 e uma pistola 9mm;
-Durante a fuga, bebê de 9 meses acabou morrendo por asfixia.
O delegado-chefe da Delegacia de Prudentópolis, Rodrigo Cruz dos Santos, falou sobre o ataque a tiros ocorrido na madrugada do último domingo, 22, na zona rural do município, que deixou oito pessoas feridas e terminou de forma trágica com a morte de um bebê de nove meses.
Em entrevista à Najuá, o delegado enfatizou que, embora a ação tenha sido marcada por dezenas de disparos de armas de grosso calibre, a criança não foi baleada. Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), a bebê morreu por asfixia durante a tentativa de fuga das vítimas, que tentavam se esconder dos atiradores. O delegado classificou os relatos colhidos pela polícia como descrições de uma verdadeira “cena de filme de terror”, diante da violência e da intensidade do ataque.
Testemunhas disseram ao delegado que dois homens chegaram ao local fortemente armados e passaram a atirar contra a casa de madeira, utilizando uma espingarda calibre 12 e uma pistola 9 milímetros. “As testemunhas tinham certeza de que iriam morrer, pela quantidade de tiros, pelo calibre das armas e pela forma como o ataque foi executado”, afirmou.
Conforme a investigação, o principal suspeito iniciou os disparos atingindo janelas da residência com a espingarda. À medida que percebia a movimentação das vítimas dentro da casa, ele se deslocava pelo lado de fora, atirando contra quartos, corredor e banheiro. Quando a munição da espingarda acabava, o segundo envolvido continuava os disparos com a pistola, mantendo uma sequência ininterrupta de tiros.
As vítimas tentaram se proteger e, temendo a invasão da casa — cuja porta chegou a ser alvejada —, colocaram um sofá para bloquear a entrada. Em determinado momento, conseguiram fugir por uma janela. Durante a fuga, em meio à escuridão da área rural e sem iluminação pública, a vítima principal correu para uma plantação de eucaliptos carregando o bebê. Com receio de ser localizada pelos agressores, ela tentou silenciar a criança, que acabou morrendo por asfixia. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que essa foi a causa da morte.
O delegado também revelou que, horas antes do crime, já havia ocorrido um episódio de ameaça. Após uma confraternização de Natal e uma discussão motivada pelo consumo de álcool, o principal suspeito teria perseguido a companheira até uma lanchonete e a ameaçado com uma arma de fogo, chegando a colocar a pistola em seu rosto e afirmar que iria matá-la. De acordo com Rodrigo, a situação só não evoluiu para algo mais grave naquele momento devido à intervenção de familiares e à presença de outras pessoas no local. Ainda naquela noite, foi registrado um boletim de ocorrência, e a Polícia Militar acompanhou a vítima para retirar pertences da residência, já que ela não retornaria para casa.
Sobre a prisão dos envolvidos, Rodrigo informou que, logo na segunda-feira seguinte ao crime, representou pela prisão preventiva dos dois suspeitos. Mesmo durante o recesso do Judiciário, as ordens judiciais foram expedidas com rapidez, diante da gravidade do caso. O principal suspeito foi preso ainda na segunda-feira, durante deslocamento monitorado pela Polícia Militar. O segundo envolvido foi localizado e se entregou no dia seguinte, após contato com familiares.
O primeiro suspeito já foi interrogado, mas optou por permanecer em silêncio. O segundo ainda aguarda oitiva formal. De acordo com o delegado, o inquérito policial deve ser concluído no prazo legal de 10 dias a partir da prisão, podendo ser prorrogado por mais 15 dias, caso necessário, especialmente em razão de vítimas que ainda se encontram hospitalizadas.
“A prioridade é ouvir todas as vítimas e concluir o inquérito com responsabilidade e celeridade”, destacou o delegado, reforçando o compromisso da Polícia Civil em esclarecer completamente o crime que chocou o município.
Nossa reportagem procurou a defesa de um dos autores do crime, mas até o fechamento desta matéria, não obteve resposta.