Em levantamento junto ao cartório, Prefeitura descobriu que havia uma segunda escritura do imóvel, que se sobrepunha ao imóvel oferecido pelo Município ao Estado
Edilson Kernicki, com reportagem de Jussara Harmuch
O prefeito Jorge Derbli comentou quais têm sido as tratativas para uma eventual instalação de uma Delegacia da Mulher em Irati, tendo em vista a crescente demanda por esse equipamento de segurança em função do índice de violência registrado na cidade. Derbli participou, na manhã de quinta-feira (11), da passeata liderada pelo movimento “O Silêncio Mata”, que reúne lideranças de variados setores da sociedade organizada em busca de políticas que contribuam para a redução da violência contra a mulher.
A demanda pela instalação da Delegacia da Mulher em Irati é antiga. No ano passado, o município solicitou a instalação imediata de uma Delegacia da Mulher e chegou a oferecer um terreno para sua construção. “Eles precisam de um terreno de 2 mil metros quadrados e o prédio a ser construído teria em torno de 600 metros quadrados. Para se ter uma ideia, a Delegacia de Irati (41ª DRP) tem área construída de 300 metros quadrados. Essa Delegacia Cidadã e da Mulher tem 600 metros quadrados”, compara. Diferente da delegacia atual, que tem como anexo a carceragem, a Delegacia Cidadã compreende apenas a parte administrativa.
Segundo Derbli, o governo estadual recusou o terreno indicado pelo município, devido a questões técnicas de engenharia. Depois, foi indicado outro terreno, próximo ao Fórum Eleitoral. “Houve uma vistoria e houve uma sinalização positiva da Secretaria [de Estado de Segurança Pública] de instalar ali. Porém, agora no trâmite que estamos fazendo – pois tem que fazer um projeto de lei, mandar para os vereadores para aprovar a doação – encontrou-se outra escritura de outro imóvel sobrepondo aquele. Na pesquisa que foi feita em cartório, para atualizar as matrículas, houve essa questão que deu problema. Mas o departamento jurídico nosso e o departamento técnico de obras está verificando tudo e fazendo o levantamento. Acredito que até o final do mês temos uma solução para esse caso, para encaminhar o projeto”, conta.
O projeto-padrão do Governo do Estado para a construção da Delegacia Cidadã exige que o terreno possua, no mínimo, 40 metros de frente e área total mínima de 2 mil metros quadrados. “Estaremos encaminhando esse documento tão logo se resolva essa situação, para que haja um projeto e se inicie, no ano que vem essa obra da Delegacia. Precisamos de um espaço adequado para atender a população, principalmente a vítima”, diz. Derbli ressalta que a estrutura existente hoje acaba por constranger a vítima, que muitas vezes é conduzida à Delegacia e divide espaço com o agressor.
O prefeito anunciou que, em conversa com o secretário municipal de Segurança Pública, Luiz Carlos Ramos, foi decidido que, a partir da semana que vem, será oferecido um serviço de amparo à mulher vítima de violência doméstica. Esse local, que deve funcionar onde ficava a Casa dos Conselhos (Rua Olímpia Amaral Gruber, 657, Alto da Glória), vai oferecer acompanhamento psicológico e dar assistência às vítimas. Guardas municipais femininas serão designadas para atuar nesse local de amparo à mulher.