A instituição é o primeiro hospital do Paraná a oferecer um espaço exclusivo para acolhimento sigiloso e atendimento humanizado; o investimento foi de aproximadamente R$ 3.500,00/ Reportagem de Diego Gauron

A Santa Casa de Irati inaugurou nesta semana a Sala Lilás, um espaço destinado ao atendimento humanizado de mulheres vítimas de violência e pessoas em situação de vulnerabilidade. A iniciativa visa proporcionar acolhimento sigiloso e protegido, evitando o constrangimento das vítimas ao circularem por diferentes setores do hospital. Assista à reportagem abaixo.
De acordo com a diretora administrativa da Santa Casa, Jussara Kublinski Hassen, a Sala Lilás foi implantada a partir de um projeto de lei do Ministério da Saúde. “A Santa Casa, pensando na humanização dessas vítimas, implantou essa sala. Foi inaugurada dia 31 de março, e com isso garantimos um lugar mais seguro, onde a nossa equipe multidisciplinar vem atender a paciente nesse ambiente, sem precisar sair e ser vitimada mais ainda”, destacou.
Primeira no Paraná
Jussara ressaltou que a Santa Casa de Irati é o primeiro hospital do Paraná a implementar esse tipo de estrutura. “Foi uma instrução do ano passado, de maio, que saiu essa lei, em conjunto com a Justiça também. E aqui no Paraná, nós somos o primeiro hospital a implantar essa Sala Lilás”, afirmou. O investimento total na reforma do espaço foi de aproximadamente R$ 3.500,00 com recursos da própria instituição.
De acordo com Jussara, o espaço foi planejado para oferecer o máximo de conforto e sigilo, e que a estrutura conta com uma equipe de profissionais especializados. “Temos aqui uma maca, um local para falar com o médico e, além disso, a equipe inteira vai estar aqui: psicóloga, assistente social, enfermagem. Trouxemos essa sala para atender a vítima aqui, garantindo conforto nesse momento tão fragilizado”, acrescentou Jussara.
Atendimento especializado e sigiloso
A gerente de enfermagem Genilse Holtman Menon explicou que a Sala Lilás segue uma estratégia do Ministério da Saúde para garantir atendimento humanizado e sigiloso. “O conceito da Sala Lilás foi desenvolvido no Brasil como parte de uma estratégia para garantir que as vítimas sejam atendidas com humanização e sigilo. Elas estão expostas a essa situação, então tentamos deixar o espaço o mais acolhedor possível”, explicou.
Ela destaca que o atendimento é feito prioritariamente por mulheres para oferecer maior segurança às vítimas. “São atendidas especialmente por mulheres, a nossa equipe, a grande maioria, é formada por mulheres, para não expor as vítimas que já estão acometidas por todo o sofrimento, para que a gente possa dar segurança para essas mulheres”, acrescentou Genilse.
A sala também está equipada para a realização de exames essenciais. “Todos os pacientes passam por exames de sangue, testes rápidos e, dependendo da situação, exames ginecológicos também são realizados aqui. Isso evita que as vítimas tenham que circular pelo hospital, garantindo maior privacidade”, destacou a enfermeira.
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A Santa Casa de Irati também atende vítimas de violência de municípios da região, funcionando como centro de referência. “Muitas pacientes vêm de outros municípios para buscar medicação, como os medicamentos para HIV, que são dispensados aqui”, explicou Genilse.
Rede de apoio e encaminhamentos
A assistente social Ana Cláudia Ferreira de Andrade destacou que a Santa Casa trabalha em conjunto com uma rede de apoio para oferecer atendimento completo às vítimas. “Contamos com uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, psicólogas e assistentes sociais. Além disso, temos uma rede assistencial nos municípios que nos apoiam, como delegacia e Ministério Público”, explicou.
De acordo com ela, o objetivo da equipe é garantir acolhimento integral, evitando que a vítima precise repetir sua história diversas vezes. “Elas já estão fragilizadas, então serão ouvidas por um profissional enquanto toda a equipe trabalha junta para garantir a melhor forma de acolhimento e encaminhamento”, finalizou Ana.
Assista à reportagem completa: