Quem paga quando um problema na rodovia danifica o seu veículo? Advogado explica quando é possível buscar indenização

19 de julho de 2026 às 06h59m

Relatos de prejuízos durante as obras na BR-153, em Irati, levantaram uma dúvida que interessa a motoristas de todo o país. A reportagem ouviu o DNIT e um especialista em Direito de Trânsito para explicar quando é possível buscar indenização por danos causados por defeitos na pista/Reportagem de Diego Gauron

Buracos, desníveis e outros defeitos na pista podem causar prejuízos aos motoristas. Mas, afinal, quem paga essa conta? Fotos: Diego Gauron; e redes sociais

Motoristas que sofrem prejuízos provocados por buracos, desníveis ou outros defeitos em rodovias podem ter direito ao ressarcimento dos danos, desde que consigam comprovar as circunstâncias do ocorrido. A dúvida ganhou força nos últimos dias após a reportagem da Najuá receber vídeos, fotos e relatos de motoristas que afirmam ter sofrido prejuízos durante as obras de recuperação do pavimento da BR-153, no perímetro urbano de Irati. Assista à reportagem.

Entre os registros encaminhados à reportagem estão imagens de rodas entortadas após veículos passarem por desníveis deixados durante a etapa de fresagem do asfalto. Também houve relatos de motociclistas que afirmaram ter passado por situações de risco ao trafegar pelo trecho em obras.

Procurado pela reportagem, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que as diferenças temporárias de nível fazem parte da etapa de fresagem do pavimento e são corrigidas conforme o avanço da obra e a aplicação da nova camada de asfalto.

Segundo o órgão, são implantadas medidas de sinalização temporária, como placas de advertência, dispositivos de canalização do tráfego e, quando necessário, operação no sistema pare e siga. O DNIT também orienta os motoristas a reduzirem a velocidade, manterem distância segura do veículo à frente e redobrarem a atenção, principalmente os motociclistas. A autarquia acrescenta que acompanha continuamente a execução dos serviços e que já determinou adequações pontuais em alguns trechos durante as inspeções realizadas.

O motorista pode pedir indenização?

De acordo com o advogado especialista em Direito de Trânsito, Dr. Walber Pydd, a resposta é sim. Segundo ele, quando um defeito na pista provoca um acidente ou causa danos ao veículo, é possível buscar o ressarcimento contra o órgão responsável pela rodovia.

Advogado especialista em Direito de Trânsito, Walber Pydd

“Se for uma rodovia federal, o responsável é o DNIT. Se for uma rodovia estadual não pedagiada, a responsabilidade é do DER. O motorista pode, sim, buscar o ressarcimento dos prejuízos, desde que consiga comprovar o que aconteceu”, explica.

O advogado ressalta que a produção de provas é um dos fatores mais importantes para quem pretende ingressar com uma ação.

“O ideal é fazer um boletim de ocorrência ou uma declaração de acidente de trânsito e reunir o máximo de provas possível, como fotografias das condições da pista, dos danos sofridos pelo veículo e do local onde ocorreu o acidente.”

Além disso, Walber destaca que também é importante demonstrar que o próprio motorista não contribuiu para o ocorrido.

“Sempre que possível, é importante comprovar que o condutor trafegava em velocidade compatível com a via e que o veículo estava em boas condições de uso. Testemunhas, vídeos e outras imagens também podem ajudar a demonstrar como o acidente aconteceu.”

Segundo o advogado, embora o acompanhamento de um profissional seja recomendado, essa não é a única possibilidade para quem pretende buscar reparação.

“É possível ingressar com a ação por conta própria em algumas situações, inclusive nos Juizados Especiais, mas a orientação de um advogado é sempre recomendável para analisar cada caso e conduzir o processo da forma mais adequada.”

Recuperação da BR-153

O DNIT está executando a recuperação de aproximadamente nove quilômetros do pavimento no perímetro urbano da BR-153, em Irati. A obra começou pela fresagem do revestimento asfáltico, procedimento que consiste na retirada da camada superficial deteriorada da pista para posterior aplicação de uma nova camada de asfalto.

O investimento previsto é de aproximadamente R$ 4 milhões. Além da recomposição do pavimento com concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ), os serviços incluem pintura de ligação e transporte dos materiais utilizados na obra.

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De acordo com o DNIT, a expectativa é melhorar as condições de trafegabilidade, aumentar a segurança dos usuários e prolongar a vida útil do pavimento.

Leia a íntegra da nota enviada pelo DNIT

“O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Paraná (DNIT) informa que seguem em execução os serviços de recuperação do pavimento da BR-153, no perímetro urbano de Irati (PR). A intervenção contempla a fresagem do revestimento existente e a posterior recomposição do pavimento, com o objetivo de restabelecer as condições adequadas de trafegabilidade e segurança da rodovia.

Durante a etapa de fresagem, podem ocorrer diferenças temporárias de nível na pista, situação característica desse tipo de intervenção, que são corrigidas conforme o avanço dos serviços e a aplicação da nova camada asfáltica. A correção desses pontos ocorre de acordo com o cronograma executivo da obra e com a evolução das frentes de trabalho.

Para garantir a segurança durante a execução dos serviços, são implantadas medidas de sinalização temporária, incluindo placas de advertência, dispositivos de canalização de tráfego e, quando necessário, operação no sistema PARE e SIGA. A autarquia reforça a importância da colaboração dos motoristas durante o período de obras, com atenção redobrada à sinalização implantada, aos avisos de intervenção e às condições momentâneas da pista. Os condutores devem reduzir a velocidade, manter distância segura do veículo à frente e evitar manobras bruscas nos segmentos em recuperação, especialmente os motociclistas, que devem trafegar com cuidado adicional em locais com intervenções recentes no pavimento.

A fiscalização do DNIT acompanha continuamente a execução dos serviços e as condições de segurança do trecho. Durante as inspeções realizadas, foram identificados pontos que necessitavam de adequações pontuais, tendo sido solicitadas as providências necessárias à empresa responsável pela execução. Os serviços de recuperação seguem em andamento, contemplando os segmentos previstos no contrato, com acompanhamento permanente da autarquia quanto à qualidade da execução e à segurança dos usuários.”

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