Psicóloga orienta como tirar as metas do papel e evitar frustrações em 2026

10 de janeiro de 2026 às 09h03m

Estabelecer prazos por escrito e diferenciar objetivos alcançáveis de desejos impossíveis são passos essenciais para manter o foco além do mês de janeiro, orienta a psicóloga Daniele Pires Soares/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rose Harmuch

Daniele Pires Soares, psicóloga, falou sobre os planos criados pelas pessoas para o ano novo. Foto: Reprodução Facebook

Resumo:
-Estabelecimento de metas inalcançáveis faz com que muitas expectativas não sejam cumpridas;
-Ansiedade pode provocar a criação de metas difíceis de serem atingidas;
-É preciso estabelecer metas e planos de ações possíveis de serem cumpridos

O primeiro mês do ano é marcado pela expectativa de conseguir cumprir as metas estabelecidas no fim do ano passado. No entanto, conseguir manter as metas durante o ano todo é um desafio para muitas pessoas.

Segundo a psicóloga Daniele Pires Soares, a época de ano novo é um momento propício para a criação de expectativas para o próximo ano. Contudo, é preciso lembrar que é necessário realizar ações por parte das próprias pessoas para que algo aconteça. “Juntamente com o novo ano, novas expectativas, novos desejos, novos objetivos, vem a esperança. Esperança de algo diferente, de algo crescente. E com essa esperança, sempre vem a ansiedade”, explica.

Neste processo, a ansiedade pode fazer com que metas inalcançáveis sejam feitas. “Nós queremos muito, queremos tudo, queremos dar conta de tudo, fazer o melhor; e não tem ‘o melhor’. Nós temos que fazer o que dá para ser feito e da melhor maneira possível, mas não fazer o impossível, não buscar esse impossível”, conta.

É o estabelecimento de metas inalcançáveis que faz com que muitas expectativas para este ano não sejam cumpridas. “Por que que não antingimos as metas? Porque eu sonhamos com o impossível. Nós temos que ter o pé no chão, a realidade versus expectativa”, disse.

Para isso, é preciso analisar as metas estabelecidas. “Sempre se perguntar: quem pode me ajudar? É nessa situação que temos que estar buscando o dia-a-dia. Não é virada de ano, não é mudança. Não é mudança de trabalho, de emprego, de amor, de colégio, mas, é eu mesma. O que eu preciso fazer para mudar a minha vida, para contribuir, para ser melhor, para crescer”, explica.

Nesse planejamento, a psicóloga indica pensar em um ideal de vida e estabelecer metas que possam ser alcançadas. “O ideal é para esse ano? Então ok. Se o ideal é para daqui a 5 a 10 anos, mas, se você buscar isso, sem promessas, é você olhar para você e perceber até quando eu posso. São metas, mas são metas de você para você mesma”, disse.

O uso da escrita, com o estabelecimento de prazos, como datas, é outro meio indicado para o cumprimento das metas.

Outra situação que faz com que as expectativas não sejam cumpridas é deixar o planejamento de metas para o fim do ano. Para a psicóloga, esse planejamento precisa ser visto durante o ano inteiro. “Nós temos 365 dias para programar, para fazer, para acontecer e para viver. E muitas pessoas, nos últimos dias pensam o que vão fazer para o ano que vem. Nós podemos pensar isso todos os dias, crescer todos os dias, amadurecer todos os dias”, conta.

O não cumprimento das expectativas no novo ano pode gerar frustração, o que leva a muitas pessoas a desistirem de realizarem suas metas.

A psicóloga destaca que é preciso entender que dá para mudar esse cenário. “Dá para fazermos algo novo, mudar esse jogo, porque nem sempre eu tenho que ir para a direita, muitas vezes eu tenho que virar para a esquerda até encontrar o caminho. Tem uma pedrinha no caminho e eu não esperava por isso. Nós nunca esperamos por esses obstáculos. São esses obstáculos que chamamos de crescimento também”, disse.

A psicóloga ainda chama atenção para o fato de que a mudança precisa ser feita pela própria pessoa. “Nós temos que nos atentar também no que fazemos, onde fazemos, quais são os lugares que estamos frequentando, quem são as pessoas que estão ao nosso redor, porque falamos eu quero uma mudança, mas eu continuo na mesmice, continuo com as coisas erradas, continuo com pessoas que não estão legais. Eu preciso acordar, olhar para mim mesma e perguntar o que eu quero de mudança. Não é o outro que eu vou mudar, sou eu que preciso mudar”, conta.

A busca por ajuda de outras pessoas também pode ser um meio para fazer as mudanças. “Muitas das oportunidades que vêm acontecendo, nós temos que buscar ajuda, buscar parcerias, com o esposo, com a esposa, com a família, a mãe, o pai, são pessoas próximas, trabalho. É parceria. A vida tem que ser assim. Sozinho, nós não conseguimos nada”, explica.

A psicóloga explica que buscar por ajuda pode ser um meio para enfrentar a frustração. “Se não temos esse discernimento para entender a minha frustração, qual é, como que funcionou, o que vai acontecer agora, isso que eu falo, nós não estamos sozinhos, nós não podemos ficar sozinhos”, conta.

Este site usa cookies para proporcionar a você a melhor experiência possível. Esses cookies são utilizados para análise e aprimoramento contínuo. Clique em "Entendi e aceito" se concorda com nossos termos.