Na segunda-feira, os alunos tiveram a oportunidade de falar sobre os conhecimentos adquiridos e recitaram um poema durante o programa Meio Dia em Notícias da Super Najuá/Texto de Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava

Um projeto do Colégio Estadual Cívico-Militar João de Mattos Pessoa, em Irati, discute temas como consciência negra e combate ao racismo. Uma das atividades aconteceu na segunda-feira (20), data que foi celebrado o Dia da Consciência Negra.
Os alunos que participam do projeto estudam sobre a história de pessoas pretas importantes para o movimento negro em todo o mundo, como Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela e Martin Luther King. “Essa temática está dentro do projeto de trabalho docente desde o início do ano e a temática é desenvolvida o ano todo. Com essa dinâmica de hoje, a finalidade é fecharmos essa discussão levando também esse tema à sociedade e comunidade escolar”, explica a professora Sueli Meira.
Na segunda-feira, os alunos tiveram a oportunidade de falar sobre os conhecimentos adquiridos e recitaram um poema durante o programa Meio Dia em Notícias da Super Najuá. Participaram da atividade os alunos Jayson Carlos Ferreira Corrêa, Lilian de Almeida Borges dos Santos, Luan Gabriel Crovador, Mailon Pereira dos Santos, Monique Milena Bartiko, Murilo Antunes dos Santos, Murilo Silva Fontoura, Isabelly Teresinha Dzulinski Neves e Felipe Viante Boliko. A entrevista completa está disponível no YouTube.
A professora de História, Camila Biranoski, explica que a discussão sobre a cultura afro-brasileira e o racismo é feita durante todo o ano. “Em determinados momentos trazemos a capoeira, em outros momentos trazemos a religião africana que sofre tanto preconceito. Hoje em dia, percebemos que aquele aluno que tem como religião, uma religião de cunho africano, a umbanda ou candomblé, o quanto ele é retaliado. Muitas vezes sofre preconceito na sala de aula. É muito importante estarmos sempre trabalhando a cultura afrodescendente, a cultura negra na escola, para tentar tirar do cotidiano essa questão da diferença, do racismo, que prejudica tanto os nossos alunos porque antes de discutirmos resultados de provas e IDEB, temos que pensar que o ambiente escolar é um ambiente que precisa de solidariedade, precisa de humanização”, conta.
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As escolas são obrigadas por lei a levar aos alunos o ensino da cultura afro-brasileira. A professora Camila explica que o ensino é feito de formas diferentes durante o ano letivo em diversas disciplinas. “Na arte, eles praticam a pintura. Nas outras disciplinas, a professora de matemática está trazendo alguns estudantes da Unicentro para fazer jogos de origem africana com eles. Todos os professores trabalham essa questão porque embora o afro-brasileiro venha ganhando espaço cada vez mais, ainda se formos na Câmara dos Vereadores, formos em espaços políticos a presença do afro-brasileiro é muito mínima se comparado aos brancos”, analisa.
No ensino de História, os conteúdos incluem a escravidão no Brasil e a formação do continente africano, incluindo a história do Egito e as civilizações africanas. Segundo Camila, esse ensino é importante para que os estudantes possam ter a compreensão sobre a história da pessoa negra no País e no mundo. “Percebemos que o negro foi muito injustiçado no Brasil. Vemos passo a passo essas situações e vendo a necessidade de incluir estas pessoas que foram escravizadas e injustiçadas durante 300 anos aqui em nosso País. A necessidade de incluí-las, através das cotas raciais, através do respeito. Sempre estamos falando que o racismo não é legal e ele deixa a marca severas em quem sofre”, disse.
Para os estudantes, o ensino deste conteúdo é uma oportunidade para se conscientizar. A estudante Lilian de Almeida Borges dos Santos afirma qual é a importância do aprendizado deste conteúdo. “Para mim, está sendo uma ótima aprendizagem do passado porque dá para aprender mais sobre o que como fazer para evitar isso e para falar para as pessoas que racismo é crime”, conta. Jayson Carlos Ferreira Corrêa também é um dos estudantes do colégio e fala como é conhecer mais sobre o assunto. “Eu acho muito interessante saber sobre o que aconteceu com o nosso país e tudo que aconteceu com eles para ter os direitos que os negros têm hoje em dia”, disse.