José Carlos Zavolski, o Zeca, defendeu o parlamentar, que está sendo investigado por suposto envolvimento com a diretoria da Cooperativa Girassol durante o exercício do mandato
Paulo Henrique Sava, com informações da Assessoria da Câmara de Irati
PUBLICIDADE
A Comissão Processante da Câmara de Vereadores de Irati, que está apurando denúncia de suposta prática de incompatibilidade de cargos por parte do vereador Wilson Karas (PSD) ouviu o parlamentar denunciado na última quarta-feira, 23. Segundo a denúncia, o vereador estaria envolvido na diretoria da Cooperativa Girassol ao mesmo tempo em que assumiu o segundo mandato, no início de 2017. A referida cooperativa mantém contrato com o Executivo municipal.
Nos próximos dias, Karas será notificado a apresentar suas alegações finais. Na sequência, a CP irá emitir seu parecer sobre a procedência ou improcedência da denúncia. O presidente da CP, vereador José Bodnar, o Zequinha (PV), deverá solicitar ao presidente da Câmara, Hélio de Mello (PMDB), uma sessão de julgamento do caso.
Os membros afirmam que os trabalhos vêm sendo conduzidos de forma transparente e ética pela CP.
O presidente da Cooperativa Girassol, de Gonçalves Junior, José Carlos Zavolski, o Zeca, falou à nossa reportagem sobre a denúncia. Ele relatou que o vereador se afastou da diretoria em março. No entanto, o parlamentar já havia assumido o segundo mandato de vereador, sem, no entanto, ter se afastado da diretoria da Cooperativa, conforme estabelece a Lei Orgânica Municipal.
“Como o pessoal desconhece todas estas coisas, simplesmente vai colocando estas situações na mídia, sem informações certas, e ocorre tudo o que ocorreu. Desde então, ele já está afastado”, frisou.
Ouça no fim do texto as entrevistas completas de Zeca Zavolski e do presidente da CP, vereador Zequinha Bodnar (PV)
Segundo Zavolski, em março, houve uma nova eleição da diretoria da cooperativa, da qual Karas não faz mais parte. “Não tem por que estar ocorrendo tudo isto que veio para cima dele. Parece-me que é uma perseguição por parte de certas pessoas. Não está sendo valorizada a quantidade de votos que ele (Karas) obteve, para, de repente, atender a opinião de meia dúzia de pessoas que são contra ou têm interesse”, pontuou.
© Paulo Henrique Sava
José Carlos Zavolski, o Zeca, presidente da Cooperativa Girassol, diz que denúncia contra o vereador Wilson Karas é “perseguição política”
Questionado sobre as três atas de reuniões realizadas em março de 2014, nas quais o nome de Karas aparece como tesoureiro da cooperativa (enquanto exercia seu segundo mandato como vereador, iniciado em 2013), Zavolski diz que a denúncia trata sobre a impossibilidade de o vereador assumir o atual mandato. “É isto que está em questão: o pessoal foi até o Ministério Público para querer fazer justiça neste sentido, mas não tem por que eles fazerem isto porque ele (Karas) se afastou”, frisou.
Zavolski alega que apresentou aos vereadores as atas que comprovam o afastamento do vereador. “O pessoal pediu alguma coisa para a promotora. No momento em que foi pedida a informação, eu não tinha levado toda a documentação para a promotora, e as informações foram publicadas sem ter certeza das coisas. Primeiro, tinha que se ter certeza das coisas para depois passar a informação. Daí, jogaram esta questão para o município”, comentou.
De acordo com Zavolski, os trabalhos da CP vêm sendo realizados de forma justa, conforme a Lei Orgânica Municipal e o Regimento Interno da Câmara. No entanto, ele alega que está sendo cometida uma injustiça contra o vereador. “Isto, na verdade, vai ficar como difamação contra o vereador e a cooperativa, que incentiva os agricultores e isto desmotiva os próprios produtores. Isto é ruim para nós”, finalizou.
© Assessoria Câmara
O vereador José Bodnar, o Zequinha (PV), diz que trabalhos da CP estão seguindo seu trâmite normal e devem ser encerrados antes do término do prazo estabelecido, que é de 90 dias
Trâmites da CP
Procurado pela nossa reportagem, o presidente da CP, vereador José Bodnar, o Zequinha (PV) e a advogada da Câmara, Ana Paula Kengerski, afirmaram que já foram ouvidas todas as testemunhas e o próprio vereador. No entanto, eles preferiram não dar detalhes sobre os depoimentos antes da apresentação do relatório final da Comissão e consequente julgamento, o que deve acontecer no final de setembro.
Sobre o andamento do processo, depois da reversão da suspensão da CP junto ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), os integrantes se reuniram e iniciou as oitivas das testemunhas do caso. “O vereador interessado, senhor Wilson Karas, já foi notificado, e foi dado um prazo legal para ele fazer suas alegações finais, juntamente com seu advogado”, frisou.
A partir da notificação, Karas terá cinco dias para apresentar suas alegações finais. Depois disso, a CP terá um prazo de 20 dias para concluir o relatório e decidir sobre a condenação ou absolvição do vereador.
O processo todo está sendo analisado para elaboração do parecer da CP. Zequinha afirmou que o processo está seguindo seus trâmites normais e dentro do prazo estipulado, que é de 90 dias. Ele ressaltou que toda a documentação solicitada pela CP às partes envolvidas foi entregue. “Serão analisadas as provas documentais e de áudio disponíveis”, finalizou.
Relembrando o caso
No início do ano, o Ministério Público acusou o vereador Wilson Karas (PSD) por um suposto envolvimento na diretoria da Cooperativa Girassol, que possui contrato de compra e venda de alimentos com a Prefeitura. De acordo com a Lei Orgânica Municipal, este fato caracterizaria incompatibilidade de cargos por parte do vereador.
© Paulo Henrique Sava/Arquivo Najuá
Karas tem até cinco dias úteis para apresentar suas alegações finais à CP. Relatório deve ser lido no final de setembro
“>
“>
PUBLICIDADE