Prefeitura de Rebouças propõe desapropriação do prédio para evitar novo leilão do hospital

02 de março de 2026 às 23h33m

Prefeito afirma que acordo para pagamento de dívida depende de aprovação da Câmara e alerta para risco de execução judicial/Paulo Sava

Laércio Cipriano, prefeito de Rebouças. Foto: Diego Gauron

Resumo: – Prefeito afirmou que hospital já teve data de leilão marcada;

  • Dívida trabalhista ultrapassa R$ 2,2 milhões;
  • Diante da resistência ao parcelamento, o Executivo apresentou uma nova alternativa: a desapropriação da sede do hospital

A Prefeitura de Rebouças enviou na última semana um projeto de lei para a Câmara solicitando a autorização para quitar dívidas trabalhistas envolvendo o Hospital Dona Darcy Vargas. O projeto deu entrada na última semana e deve ser discutido na sessão de amanhã do Legislativo. O prefeito Laércio Cipriano falou sobre o caso com a nossa reportagem.

Segundo o prefeito, o hospital já esteve com data marcada para leilão no ano passado. “Em 2024, ainda quando eu era vereador, surgiu a informação de que o hospital estava indo para leilão, e realmente estava. Já tinha data marcada e tudo mais”, relatou.

Ele explicou que, com a mudança de gestão, a nova administração conseguiu suspender o leilão e retomar as audiências de conciliação. “A nova administração assumiu o hospital, conseguiu tirar do leilão e voltaram as audiências de conciliação”, afirmou.

Em 2025, já à frente do Executivo, o prefeito participou de nova tentativa de acordo. “Fomos até uma audiência com o doutor Hugo e com o pessoal do hospital para tentar um acordo, mas não houve consenso na época”, disse.

Após recálculo determinado pela Justiça, a dívida foi fixada, em junho de 2025, em aproximadamente R$ 1,55 milhão. No entanto, em janeiro de 2026, houve nova audiência e as partes chegaram a uma proposta de parcelamento. “Foi sugerido o pagamento em 17 parcelas de R$ 130 mil, o que chegaria a cerca de R$ 2,21 milhões”, explicou.

De acordo com o prefeito, o município é solidário no processo judicial, o que permite que a Prefeitura assuma a dívida. “Para que o hospital não vá a leilão e continue atendendo a nossa população, decidimos fazer o acordo. Mas ele precisa passar pelo Legislativo”, destacou.

O projeto de lei foi encaminhado à Câmara de Vereadores, porém gerou forte debate. “Está bem dividido entre os vereadores e também na população. Muitos acham que tem que pagar, outros acham que não. Existe muita desinformação, informações desencontradas”, afirmou.

Prefeito Laércio Cipriano sugeriu desapropriação do prédio do Hospital Dona Darcy Vargas. Foto: Diego Gauron

Diante da resistência ao parcelamento, o Executivo apresentou uma nova alternativa: a desapropriação da sede do hospital. “Sugerimos que o município desaproprie o prédio por cerca de R$ 3 milhões. Com isso, o hospital poderia quitar a dívida à vista, possivelmente com desconto, e o prédio não poderia mais ser penhorado”, explicou.

Segundo ele, a medida evitaria riscos futuros, já que a dívida total da instituição pode chegar a R$ 11 milhões. “Hoje essa dívida trabalhista gira em torno de R$ 2 milhões, mas há outras dívidas. Isso pode gerar novas ações e até nova penhora da sede”, alertou.

O prefeito garantiu que a proposta não significa municipalização do hospital. “Não mudaria nada na administração. Não é municipalizar. O hospital continuaria funcionando normalmente, provavelmente com um termo de cessão de uso”, disse.

Ele ressaltou que a desapropriação por interesse público é legalmente possível e que a intenção é manter uma solução amigável. “Temos boa relação com a diretoria. O que queremos é resolver o problema e garantir que o hospital continue atendendo a população”, declarou.

Caso não haja acordo, o prefeito afirma que o risco de leilão volta ao cenário. “O advogado da parte autora deixou claro que não participa mais de audiência de conciliação. Quer ir para a execução. Se for para execução e o hospital não tiver como pagar, a solução pode ser a penhora e o leilão do prédio”, afirmou.

Ele lembrou que o hospital já esteve autorizado judicialmente a ir a leilão anteriormente. “As pessoas dizem que não vai acontecer, mas já estava autorizado uma vez. Foi retirado, mas pode acontecer de novo”, concluiu.

A proposta segue em discussão e deve ter novos desdobramentos nas próximas semanas.

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