Prefeito responde críticas sobre realização da Jornada de Agroecologia

10 de dezembro de 2015 às 08h35m
Vereador Rafael Felipe Lucas (PSB) questionou a aplicação de recursos municipais no evento

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava

© Arquivo Najuá

Odilon argumenta que a Jornada da Agroecologia movimentou comércio local e fez com que o município ganhasse projeção nacional

O prefeito Odilon Burgath (PT) comentou a prestação de contas do município referente aos investimentos aplicados na realização da 14ª Jornada de Agroecologia, realizada entre os dias 22 e 24 de julho, no CT Willy Laars. Consta no documento que a Prefeitura investiu R$ 298,5 mil no evento, em torno de 20% do custo total de R$ 1,44 milhão. Às vésperas do evento, o município dizia que a contrapartida municipal para a realização do evento seria subsidiada por uma emenda parlamentar do deputado federal Assis do Couto (PT-PR), da ordem dos R$ 267 mil e um patrocínio da Caixa, de R$ 50 mil.

Odilon enfatiza a relevância do evento – inédito para a cidade – pela abrangência nacional e pelo tema debatido, que envolve a necessidade e preocupação do município em produzir alimentos saudáveis. “Inclusive, recentemente, numa reunião da Amcespar, debatemos uma extensão do Hospital Erasto Gaertner para a nossa cidade; e ali foi relatada a grande quantidade de casos de câncer em Irati”, pontua. A 4ª Regional de Saúde informou na reunião que a taxa de incidência de câncer em Irati – em números relativos – chega a ser superior à registrada em Curitiba. Segundo o prefeito, é uma grande preocupação do município incentivar a produção de alimentos saudáveis, sem a adoção demasiada de agrotóxicos. Assim, ele justifica a prioridade defendida pela administração municipal em sediar um evento sobre agroecologia, para incentivar a adoção de novos hábitos alimentares, estimular a mudança de políticas públicas de alimentação, pela constituição de um Departamento de Agroecologia e pelo fortalecimento da Associação de Agroecologistas, por exemplo, através do programa de Ecotroca.

Gastos com aquisição de mochilas e aluguel de ônibus

Sobre o questionamento do vereador Rafael Felipe Lucas (PSB) quanto ao investimento de R$ 47 mil na confecção de mochilas e de R$ 103 mil com a locação de ônibus, Odilon argumenta que o município cumpriu com o proposto no PL 57/2015, aprovado pela maioria dos vereadores, que autorizava o Executivo a investir até R$ 300 mil na realização da Jornada de Agroecologia. O vereador criticou também o fato de que empresas de fora de Irati foram contempladas nas licitações. Odilon responde que as licitações atenderam à conformidade da lei e ofereceram igualdade de condições para as empresas concorrentes para prestação de serviços e ofertas de produtos. “Aquele item que não foi possível utilizar, dentro do que já dispomos no município, evidentemente, para a realização do evento, uma ou outra empresa de fora pode ter participado. Isso é normal em qualquer município, na gestão pública”, argumenta.

“Os valores que Irati recebeu em contraposição ao que foi investido são muito superiores. O investimento de R$ 298 mil, só as emendas parlamentares que resultam um investimento na parte rural e na parte urbana superam R$ 770 mil, contando já com o patrocínio da Caixa Econômica, no valor de R$ 19 mil. Só as emendas, abatendo os R$ 298 mil que a Prefeitura aportou, temos um saldo positivo de R$ 472 mil”, sustenta Odilon.

“Solicitamos uma autorização para a Câmara Municipal para investimentos até o valor de R$ 300 mil [através do PL 57/2015]; a Câmara autorizou. Finalizamos o investimento de custeio da Prefeitura para a realização da Jornada em R$ 298.416,22”, relembra. O prefeito justifica a ênfase na realização do evento na cidade de Irati pela projeção que ganhou dentro do Estado do Paraná ao acolher, além de agricultores familiares vindos de vários cantos do Brasil, autoridades como o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Patrus Ananias; representantes do Ministério da Agricultura (MAPA); órgãos do Estado, como a Secretaria de Estado de Abastecimento (SEAB) e Instituto Emater; INCRA, universidades, IFPR e movimentos sociais.

Lucro para o comércio local

Com a circulação registrada de aproximadamente 4 mil pessoas durante os quatro dias de evento, segundo números da prefeitura de Irati, a estimativa da Secretaria Municipal de Agropecuária, Abastecimento e Segurança Alimentar é a de que os visitantes tenham movimentado na economia local – através do comércio e da prestação de serviços – cerca de R$ 800 mil, considerando que cada um tenha gasto em torno de R$ 50 por dia. Segundo Odilon, a rede hoteleira iratiense estava com capacidade esgotada durante a Jornada de Agroecologia e alguns funcionários de órgãos governamentais, que vieram à cidade para o evento, tiveram que se hospedar na casa de amigos, devido à lotação nos hotéis.

Odilon ressalta também que a prestação de contas foi enviada à Câmara no dia 31 de agosto, pouco mais de um mês depois da realização do evento. “Só com os produtos e serviços utilizados pelas delegações, temos cerca de R$ 210,7 mil na nossa rede de produtos e serviços de Irati”, argumenta.

Oficinas

O engenheiro agrônomo da Prefeitura de Irati, Marcelo Campello, rebate as críticas de que algumas das oficinas ministradas durante a 14ª Jornada de Agroecologia não atenderiam à realidade local do pequeno produtor e defende sua aplicabilidade. “O produtor não gosta de usar veneno: é caro; é caríssimo e corresponde a grande parte do custo de produção. O veneno faz mal para ele e para a família dele, para os animais dele. Nosso produtor aqui, em geral, só usa o veneno porque não tem outra solução na cabeça dele”, defende.

Campello critica a tentativa de politizar o evento, dizendo que era do Movimento Sem Terra (MST). “Na Jornada, trouxemos pesquisadores do Brasil inteiro, que disseram bem claro aos produtores, nas oficinas e nas palestras: não é necessário utilizar esse veneno que você está usando. Isso para a soja, para o feijão, na produção do leite, no tratamento dos animais, na criação de qualquer animal, nas grandes lavouras e nas pequenas. Nas oficinas, foi constatado, na prática, com pesquisadores da Embrapa, das universidades – não só do Paraná, com experiências – não só de laboratório, mas experiência em larguíssima escala no campo, que é possível fazer uma agricultura com menos veneno ou sem nenhum”, afirma o agrônomo.

Emendas para custeio

Quanto às emendas parlamentares destinadas para o município, o prefeito cita a enviada pelo deputado federal Assis do Couto (PT-PR), de R$ 243.750, que vai ser aplicada na recuperação de estradas no Faxinal dos Mello e no Faxinal do Rio do Couro. Outra emenda do mesmo deputado foi empenhada recentemente, pelo Ministério da Saúde, no valor de R$ 261.892 para a construção de 28 módulos sanitários rurais. “Serão banheiros de 2m², com fossa, na área rural do nosso município, em propriedades que não têm essa estrutura. Isso significa investimentos em saúde e também foi por conta da Jornada, já na época. Somando, já temos mais de R$ 500 mil”, argumenta o prefeito.

Já a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) enviou emenda para investimento em pavimentação urbana, por solicitação da Prefeitura, uma vez que já havia uma verba destinada para a área rural. Gleisi remeteu emenda no valor de R$ 245.850 para pavimentação em CBUQ. “Já temos a base pronta no acesso ao Instituto Federal (IFPR), na Vila Matilde. Esse valor vai ser utilizado para o recape na Rua Anciutti Sobrinho, de 720 metros, e também na Rua Athis Fernandes da Silva, 450 metros”, informa.

De acordo com Campello, “para cada real que a Prefeitura colocou, a Jornada trouxe R$ 6 a mais”.

Entrevista com o prefeito Odilon Burgath

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