Policiais de Mallet podem ser condecorados por ato de bravura

03 de junho de 2017 às 13h17m

William Maurício Olenik e Flávio Carraro participaram da tentativa de resgate de um motorista que ficou com o carro submerso no Rio Charqueada, em Mallet

Da Redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 
Os policiais militares William Maurício Olenik e Flávio Carraro, do Destacamento Policial Militar (DPM) de Mallet podem ser condecorados por ato de bravura. Ambos participaram da tentativa de resgate do motorista de um carro que ficou submerso no Rio Charqueada, em Mallet, após um acidente na noite de quarta (31), no km 388 da BR-153. O condutor do veículo Gol Special, com placas de Toledo, José Carlos Przybysz, de 46 anos, acabou entrando em óbito no local do acidente, preso dentro do automóvel submerso.
Em entrevista à Najuá, o soldado Flávio Carraro manifestou condolências e pesar à família da vítima do acidente e deu detalhes sobre a tentativa de resgate. “A Polícia Militar está presente, a todo o momento, em diversas situações, boas ou ruins. Ontem [dia 31 de maio] foi uma experiência que eu e meu colega não gostaríamos de ter vivenciado. Queríamos ter participado do salvamento, com êxito, recuperando os sinais vitais da pessoa em si. Mas, de fato, não foi o que aconteceu”, lamenta.
Carraro enaltece e agradece o empenho de seu colega, o soldado William Maurício Olenik, por auxiliá-lo nessa tentativa de resgate, ao entrar no rio, que estava enchendo diante da chuva intensa que caía e se arriscar, até o último instante, na busca de recuperar os sinais vitais da vítima.
O soldado relata que ele e seu colega estavam de plantão no Pelotão, quando foram alertados por um motorista de ônibus de que um carro tinha caído no Rio Charqueada, nas proximidades do trevo principal de acesso ao município de Mallet. “A equipe tinha conhecimento de que o rio estava cheio, diante das chuvas que caíam, em toda a região. De imediato, subimos na viatura e ligamos o giroflex e a sirene para pedir prioridade aos demais motoristas que estavam na via. Chegamos ao local e não havia nenhuma outra pessoa tentando salvar a vítima”, descreve.
Carraro comenta que não havia sinais de qualquer ocupante do veículo submerso estar no barranco, o que levou os soldados a concluir que o ocupante – ou os ocupantes, pois ainda não sabiam quantos havia – estava preso dentro do carro sob a água. Do carro, era possível ver apenas os pneus e o assoalho. O automóvel estava submerso, de cabeça para baixo.
O policial removeu a arma e o cinto de guarnição e saltou na água, na tentativa de retirar quem estivesse dentro do carro. Porém, as portas estavam travadas, o que dificultaria ainda mais a tentativa de resgate aquático. Nesse momento, Carraro solicitou a Maurício que alcançasse um machado e uma cortadeira, que estavam na viatura e que os policiais costumam carregar diante de eventual necessidade.
“Eu dava com o machado no vidro do veículo, mas como estava muito fundo, ele não chegava a ter impulso suficiente para arrebentar aquele vidro”, comenta. A correnteza fazia com que a lâmina do machado desviasse da direção que o policial aplicava, na tentativa de romper o vidro.
Em meio à angústia de resgatar a vítima de dentro do carro, enquanto o rio subia com a chuva, o policial sequer tinha condições de saber quanto tempo ele e seu colega permaneceram sozinhos no local, até que populares apareceram para auxiliá-los, com mais ferramentas. Essas pessoas ajudaram os policiais a retirar o motorista de dentro do veículo e trazê-lo ao barranco acima, na tentativa de reanimá-lo.
Porém, antes de finalmente conseguir resgatar a vítima, os policiais e os populares que os ajudaram enfrentaram o desafio de “destombar” o carro em meio à correnteza. A força da água trazia o risco de que o carro virasse sobre todos que entraram no rio. Com muito trabalho, eles conseguiram virar o carro. O soldado Maurício subiu no teto do veículo, enquanto os demais seguraram o carro para impedir que virasse novamente. Somente depois desse procedimento é que o vidro lateral e o parabrisa foram quebrados.
O primeiro procedimento na tentativa de salvar a vítima foi trazer as vias aéreas (boca e nariz) para fora da água. Enquanto Carraro mantinha a cabeça da vítima acima da água, o soldado Maurício tentava desvencilhar o corpo da vítima do assento do automóvel, puxando-o. Os populares mantiveram o auxílio aos policiais, segurando o carro na água para impedir que voltasse a tombar. A vítima foi posta sobre o teto do veículo antes de ser trazida para fora da água. Carraro carregou José Carlos até o barranco com a ajuda de mais duas pessoas, conta.
José Carlos foi trazido até o asfalto, uma superfície mais plana e segura, naquelas circunstâncias. O policial Carraro explica que era necessária uma superfície plana e firme para a realização de massagem cardíaca. Os dois policiais se alternaram na aplicação de massagem cardíaca e na respiração boca-a-boca na vítima, pois já estavam praticamente esgotados pelo esforço em meio à água.
Bombeiros comunitários também estiveram no local e aplicaram procedimentos de reanimação, sem sucesso, pois a vítima já não apresentava mais sinais vitais.
Carraro explica que no Curso de Formação de Soldados, com duração aproximada de um ano, o aspirante a policial aprende as técnicas de primeiros-socorros. “Não é como o curso oferecido aos bombeiros, que têm um preparo maior. A Polícia Militar precisa saber porque, num momento ou outro, acabaremos aplicando. Até então, estou há sete anos na polícia e 11 anos de serviços prestados ao Estado, nunca havia pegado uma situação em que precisasse aplicar as técnicas de primeiros-socorros. E ontem foi o dia. Graças à disciplina de primeiros-socorros que eu recebi na época – e, posteriormente, fiz cursos à distância, dentro da PM – consegui aplicar e tinha em mente o que fazer com a vítima naquele momento”, afirma o policial militar.
Ele instrui que, diante de situação similar, é preferível acionar a Polícia Militar através do 190 em vez de ir pessoalmente até a sede da PM – o tempo, nesses casos, é crucial. Carraro orienta, ainda, aos pais para que alertem aos filhos a não passar trotes, pois o tempo dispensado atendendo um trote pode custar a integridade de alguém que realmente necessita do atendimento.
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