Penalizar ex-prefeitos por uso indevido de recursos do CAPSIRATI cabe ao TCE, diz Derbli

17 de janeiro de 2019 às 10h18m

Prefeito acredita que dificilmente eles sejam responsabilizados

Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch 
A penalização de ex-gestores municipais pelo uso indevido de recursos da Caixa de Aposentadoria dos Servidores Públicos de Irati (CAPSIRATI) cabe ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e ao Ministério Público, que poderiam enquadrá-los na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) pelo desvio desse recurso para outra finalidade. Esse é o posicionamento do prefeito Jorge Derbli. Ele, no entanto, duvida que os ex-administradores sejam responsabilizados.
“Dificilmente vai acontecer alguma coisa, pois, na época em que foi sacado esse dinheiro, o prefeito não simplesmente resolveu que pegaria o dinheiro e ia gastá-lo. Houve uma lei que passou pela Câmara, foi aprovada, foi destinado o recurso que foi sacado desse fundo para aplicar em tal obra, na Saúde ou Educação, enfim, tem que voltar ao passado para ver. Mas ele nunca pegou esse dinheiro à toa, apenas porque quis. Ele foi autorizado, não pegou por conta”, pondera.
O secretário de Planejamento e Coordenação, João Almeida Júnior ressalta que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), existente desde 2000, foi criada após esses saques.
O município hoje possui uma dívida contraída em gestões anteriores, que desviaram o recurso do CAPSIRATI para outras finalidades. A reposição desse recurso hoje custa, ao mês, em torno de R$ 1 milhão. “Seria até mais de R$ 1 milhão. São R$ 500 mil, que é o devido, que temos que pagar, que é o patronal, mais a parte que é descontada do funcionário, mas temos uma parcela, um financiamento, uma prestação desse dinheiro que foi sacado e de mais alguns aumentos salariais, que estourou o cálculo atuarial. Pagamos de R$ 600 mil a R$ 700 mil. É uma conta extra que estamos pagando”, explica Derbli.
O desafio do prefeito é estabilizar o CAPSIRATI, por temer que a arrecadação caia e devido à tendência de que cada vez mais servidores se aposentem nos próximos anos. “Infelizmente, se o Governo Federal não tomar uma atitude e não reparcelar isso aí, como foi em 35 anos, em 2041 teremos 62% do pagamento. Só para se ter uma ideia, se a folha de pagamento é de R$ 1 milhão, teríamos que pagar R$ 620 mil por mês extra do CAPSIRATI. Fica impagável e amarra as mãos de qualquer prefeito, para que seja feito qualquer tipo de obra”, diz.
A referência ao ano de 2041 diz respeito ao fato de que o parcelamento dessa dívida da Prefeitura com o CAPSIRATI se estende até esse ano. “Faltam 22 anos. Muita gente vai morrer até lá. E terão 60% de acréscimo sobre a folha de pagamento. Não existe isso, é absurdo. As pessoas dizem que eu sabia das contas do Município quando assumi a Prefeitura. Eu sabia boa parte. Não tem um administrador que assume um governo, após uma transição, por mais bem feita que seja, que tenha conhecimento pleno e geral de 100% do que acontece na Prefeitura”, argumenta.
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