PC indicia suspeito de matar Érico Neves por homicídio duplamente qualificado

01 de novembro de 2019 às 07h36m

Jovem que já havia sido conduzido para a Delegacia para prestar depoimento nesta semana teve a prisão preventiva decretada pela justiça

Da Redação
Érico Neves foi encontrado morto no início da manhã de domingo, 27, na Avenida Paraná, em Irati

Na noite de quinta-feira, 31, a equipe da Rotam da 8ª Cia cumpriu um mandado de prisão preventiva contra o suspeito de ter envolvimento no homicídio de Érico Neves, de 27 anos, que foi encontrado morto numa vala na Avenida Paraná, em Irati, na manhã de domingo, 27. Os policiais abordaram o rapaz na casa de sua mãe na rua Santa Catarina, na Vila São João, que fica próxima do local onde a vítima foi esfaqueada.


Confira o que disse o Delegado de Irati sobre a prisão do suspeito no fim do texto

O jovem detido, de 20 anos, é o mesmo que foi apresentado na Delegacia na segunda-feira, 28. Na ocasião, ele prestou depoimento e foi liberado. Em contato com a nossa reportagem naquela oportunidade, o Delegado Paulo César Eugênio Ribeiro disse que eram necessários outros elementos como prova para que o juízo da Comarca determinasse a prisão do suspeito. O Delegado também havia dito que a prisão em flagrante não era possível em função da legislação penal. “Mas o que eu quero deixar claro é que não foi feita a prisão por força da própria legislação que não permite nesse momento, o que significa que ele não vai ser preso e nem significa que ele vai ser condenado ou não condenado. É que nesse momento da investigação, não é possível realizar a prisão em flagrante desse caso. Temos que aguardar ainda alguns outros elementos que vão ser confrontados, que já estão em andamento sendo colhidos para aí sim se comprovar a suspeita. Por enquanto, é um mero suspeito, assim como tem tantos outros aí que a gente está investigando. Deixar claro o que aconteceu de fato para que não hajam informações desencontradas e como funciona nossa atual legislação que neste ponto eu concordo é extremamente falha. Infelizmente, a gente tem que seguir o que está na legislação assim como todos os cidadãos”, disse Ribeiro durante entrevista à Najuá na terça-feira, 29.
Depois disso, as investigações prosseguiram e a Polícia Civil conseguiu reunir mais informações sobre o crime, que possibilitaram a prisão preventiva do suspeito. De acordo com o Delegado, o jovem detido foi indiciado por homicídio duplamente qualificado pela crueldade que a vítima foi morta.
“Ele foi apresentado pela Polícia Militar, mas essa apresentação demorou muito para ser realizada não sendo mais possível a prisão em flagrante. Diante disso, nós iniciamos diligências para tentar identificar outros elementos que permitissem a prisão preventiva e não mais em flagrante para poder garantir a ordem pública diante da repercussão que o caso teve e diante da gravidade do delito que foi praticado. Nós fizemos esse pedido, inclusive esse pedido foi feito e corroborou e só aumentou o quadro probatório do inquérito policial que vai embasar eventual processo. Isso é muito importante porque esse fato poderia ser enquadrado como homicídio simples se fosse realizada a prisão em flagrante. Isso daí certamente prejudicaria na condenação do rapaz. Nós indiciamos ele por homicídio duplamente qualificado pela futilidade do caso e também pela crueldade pela qual a vítima foi morta”, ressalta o Delegado.
A Polícia Civil apurou que a vítima foi morta no sábado, 26, um dia antes do corpo ter sido localizado. “A vítima quando recebeu as facadas e foi colocada dentro do porta-malas, a vítima ainda estava viva. Ela conseguiu sair do porta-malas com o carro em movimento e o autor voltou e passou o carro diversas vezes na vítima para poder efetivar para poder ceifar a vida da vítima. Isso daí é requintes extremos de crueldade e tudo isso só pode ser apurado a partir da investigação realizada pela Polícia Civil, que vai refletir certamente na pena, na condenação desse sujeito. Diante disso foi feito o pedido de prisão, ele foi apresentado na Delegacia ontem [quinta-feira] e vai ficar efetivamente preso agora preventivamente. Não vai sair da cadeia e o Ministério Público provavelmente vai oferecer denúncia. O processo se iniciará com a posterior pronuncia que a gente fala havendo o aceitamento pelo juiz em seguida deve ir a júri popular. Esses os procedimentos que devem ser tomados de acordo com a legislação. A Polícia Civil continua investigando tendo em vista que há serias suspeitas de participação de outras pessoas nesse delito inclusive possivelmente com alguma tentativa de ocultação de provas ou alguma coisa nesse sentido, mas isso aí vai ser numa fase posterior que vai se iniciar a partir de agora”, salienta Ribeiro.
Delegado Paulo César Eugênio Ribeiro contou detalhes da investigação da morte de Érico Neves em contato com a nossa reportagem
Suspeito contou detalhes do crime na primeira vez que foi detido
Na primeira vez que foi detido, o suspeito do crime foi abordado pelas equipes da P2 (Serviço Reservado da 8ª Cia) e Rotam em sua casa na Vila São João, depois que a PM foi informada de forma anônima que o suspeito do homicídio residia na rua Mato Grosso, num local conhecido como ponto de tráfico de drogas. Conforme relatório da 8ª Cia, o autor da denúncia disse que ele e Erico foram até o local para comprar entorpecentes. Num determinado momento, o morador teve um desentendimento com Erico, que foi atingido com um golpe de faca.
Após receberem essas informações, os policiais realizaram consultas no sistema de Narcodenúncia 181, onde constataram quatro denúncias de tráfico de drogas contra o suspeito do homicídio. A partir disso, os policiais realizaram monitoramento no local e observaram a presença do suspeito e outras pessoas na área externa da residência. A equipe da Rotam tentou realizar a abordagem, mas o rapaz correu na direção do imóvel abandonado e dispensou um invólucro plástico, que foi localizado posteriormente nas proximidades de uma estante. Dentro do invólucro foram encontradas pedras de crack. Em outro invólucro localizado no imóvel havia uma quantidade de maconha. A equipe do Canil da Guarda Municipal prestou apoio na busca aos entorpecentes.
Os policiais realizaram buscas na casa e conseguiram abordar cinco pessoas. Nenhuma portava objetos ilícitos. Na frente da residência foi localizado um veículo Gol estacionado, que supostamente havia sido utilizado no dia do crime. As equipes da PM verificaram que haviam manchas de sangue no banco traseiro do carro.
O jovem relatou que teve um desentendimento com a vítima na madrugada do domingo, 27. O suspeito também disse que a briga ocorreu em virtude de Erico ter furtado uma TV de sua mãe em dias anteriores ao crime. Segundo relato do suspeito, ambos entraram em luta corporal. Posteriormente, o rapaz atingiu a vítima com três golpes de faca e o carregou em seu carro. O corpo de Erico foi deixado numa vala na Avenida Paraná, onde acabou sendo encontrado na manhã de domingo, 27, por volta das 6h30.
Érico era natural de Ponta Grossa e residia na rua Lélia, no bairro Lagoa, em Irati.

Delegado fala sobre prisão preventiva de suspeito de homicídio em Irati

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