Patzyk: de uma madeireira familiar a um grupo com três empresas em Irati

17 de junho de 2026 às 19h52m

Conheça a história do grupo empresarial que completa 30 anos/Texto de Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Juarez Oliveira

Resumo: – Grupo começou com a madeireira em 1996;

  • Loja de materiais de construção foi inaugurada em 2002;
  • Família foi uma das primeiras a apostar na região da Vila São João.

Há quase 30 anos fazendo parte da história de Irati, a empresária Suzana Patzyk acompanhou o crescimento da cidade e também transformou o próprio negócio ao longo do tempo. O que começou em 1996 como uma madeireira, hoje se tornou um grupo empresarial com atuação em diferentes segmentos, reunindo a Patzyk Madeiras, a loja de materiais de construção e a Bio Massa Patzyk.

A empresária Suzana Patzyk conta como foi escolher Irati para construir essa história. “Nós estávamos procurando uma cidade para instalarmos a nossa madeireira. Eu vi uma propaganda na televisão no horário do meio-dia, inclusive, dizendo que Irati oferecia a infraestrutura para quem quisesse montar o seu negócio. Nós viemos visitar a cidade. Fomos muito bem recebidos na época pelo Zampier, que é uma pessoa também que eu guardo no coração, sou uma pessoa muito grata. Ele nos recebeu aqui, nos mostrou os dois conjuntos industriais que tinha. Nós gostamos da Vila São João, nós nos imaginamos lá e viemos”, conta.

Com o local escolhido, Suzana e seu marido saíram de Reserva, cidade onde moravam, e se transferiram para Irati. No começo, a madeireira ainda era pequena e contava com poucos funcionários. “Começamos pequenos. Era eu, meu marido, dois, três funcionários, no máximo. Não tínhamos carro, não tínhamos nada. Meu sogro, na época, nos ajudou a construir aqui, deu o primeiro caminhãozinho para nós, minha mãe deu o primeiro dinheirinho para comprar a primeira carga de madeira e começamos”, disse.

O cotidiano da empresa foi construído inicialmente por Suzana e seu marido, Nelson. “O Nelson, nós serrávamos a madeira de dia, ele era o serra-fita, eu era o pé de fita. Se contarmos, o pessoal, às vezes, não acredita, mas é verdade. Quem nos conhece da época sabe a verdade. Nós limpávamos ali. Eu varria todinho, o cepilho que sobrava, colocava no saco, vendia o cabinho da madeira do refugo que vinha da costaneira, circulava a madeira. Nós carregávamos o caminhão sozinho. Eu, ele [Nelson], mais um ou dois, às vezes, para ajudar. Eu ia, tirava nota, terminava de amarrar. Ele deitava, dormia um pouco. Eu ia para a escola, eu estudei no [Colégio] João XXIII, a pé. Ganhava carona das pessoas porque não tinha carro na época. Para pôr o caminhão para ir para escola, não dava. O Nelson viajava de madrugada e eu levantava cedo, ia para serraria, abria capiazada e a serraria, tocava o dia inteiro. Era muito trabalhoso, mas era muito gostoso também”, conta.

A ideia de complementar a madeireira com materiais de construção surgiu de uma inspiração. “Nós serrávamos a madeira durante o dia. Na época, o Nelson pegava o caminhão e ia para Curitiba levar a madeira. Nessa ida para Curitiba, levar madeira, ele voltava vazio com o caminhãozinho. Eu comecei: ‘Poxa vida’. Eu admirava uma mulher em Irati, era a dona Rosilda Panka. Eu encontrava com ela sempre no banco e eu via aquela mulher dinâmica, professora, empresária e coisa e tal. Eu comecei me visualizar nela porque eles tinham [loja de] materiais de construção. Tem até hoje também. Eu via nela uma luz, não sei explicar muito bem. Eu falei para o meu marido na época: ‘Por que você não começa a trazer cimento para nós entregarmos? Porque o caminhão vem vazio’. Aí começou assim. Ele começou a trazer cimento. Nós tínhamos o cimento para vender, daqui a pouco nós começamos a trazer o tijolo. Tinha o tijolo, daqui a pouco começaram a pedir os pregos e, olha, foi indo”, relata.

O início da loja de materiais de construção também foi um momento de aprendizado. “Eu nunca entendi nada de materiais de construção. Mal entendia da madeira porque eu estava ali obrigada a lidar com a madeira. Eu chamei um menino para trabalhar conosco. Falei para ele a realidade, que não entendíamos nada, mas que eu tinha vontade. Ele topou de lata também, assim. ‘Vamos, vamos junto’. Primeiro pedido que nós fizemos, nós guardamos todas as caixas vazias, para fazer de conta que tinha um monte de material”, disse.

A empresária relembra que o início em Irati, uma cidade nova para o casal, foi desafiador, mas contou com apoio de clientes e funcionários. “Eu vendia a madeira o dia inteiro, ficava trabalhando junto com o pessoal e o negócio crescendo e crescendo. Daqui a pouco, já veio outro caminhãozinho, daqui a pouco não sei o quê. Eu sempre tive essa visão de crescer, de fazer as coisas. Muito dinâmica toda a vida, trabalhadeira, que sempre fui, graças a Deus, não tínhamos medo de nada. O Nelson também é um cara assim. Uma visão, sabe? Sempre ele queria as melhores máquinas, ajeitar os caminhões, um homem muito trabalhador. Nós tivemos apoio também, funcionários que estão conosco até hoje, que nos ajudaram, que sem eles também não faríamos nada. Pessoa, clientes maravilhosos. Seu Nagib foi um dos meus primeiros clientes, o pedreiro Bira, que deve estar nos escutando. Foram muitas pessoas que nos acolheram”, conta.

Para Suzana, esse apoio no início foi essencial. “Eu quero dizer que Irati nos recebeu maravilhosamente bem, sabe? As pessoas são muito acolhedoras aqui. Não tem como você não se dar bem trabalhando honestamente e servindo bem também. Não adianta você só vender o produto. Tchau, vendi, peguei teu dinheiro. Não. Eu sempre conquistei clientes também, que vieram, se tornaram nossos amigos, que continuam clientes até hoje. Nós devemos muito à cidade de Irati”, disse.

O terreno onde instalaram a madeireira também serviu para a construção da casa própria. “Quando eu comprei esse terreno, onde é a loja de material de construção, eu comprei para fazer a nossa casa. Nós tínhamos o sonho de fazer nossa casa na BR, porque nós sempre moramos junto com a madeireira. Conversando com o Nelson, falei: ‘Nelson, mas é um ponto tão bom ali, é BR’. Na época não tinha nem luz direito. E ele: ‘Você que sabe mulher’. Ele falava. ‘Vamos construir’. Construímos o material de construção e em cima fizemos a nossa casa, que moramos lá a vida inteira com as nossas meninas”, explica.

O casal foi um dos primeiros a apostar na região que cresceu ao longo dos anos. “Quando chegamos ali, não tinha nem luz. Eu vinha do Colégio João XXIII e passando medo. Com o tempo foi aumentando, daqui a pouco veio muito mais empresas. Hoje, se você pegar o horário de pico do meio-dia, você leva quase trinta minutos para chegar aqui no centro. Seis horas da tarde, pessoal indo para faculdade ou voltando. Cresceu demais a nossa região e a tendência é crescer para aquele lado mesmo cada vez mais”, disse.

Depois de 30 anos, o endereço continua o mesmo, com a madeireira e a loja de materiais de construção na Vila São João. Com 15 funcionários, a loja se tornou um ponto tradicional na região. “A nossa loja não é uma loja grande, mas é uma loja muito acolhedora. Quem compra conosco sabe, nós recebemos elogios diversos, não tem um dia que não ficamos sem receber um feedback de cliente. ‘Ah, legal, muito obrigado. Os funcionários de vocês são maravilhosos, as pessoas atendem muito bem, as meninas do balcão’”, conta.

Novos investimentos também foram feitos, como é o caso da balança e a biomassa, um dos carros-chefes do negócio. “A Biomassa é uma empresa que serve cavaco para diversas empresas, entre elas a Cargill e a Heineken. O pessoal consome aquele cavaco para queimar, para diversos fins e ela começou aos poucos. Tivemos um contrato grande com a Coimbra, na época e começou ali. Começou engatinhando, nós fomos colocando picador, renovando o picador e aumentando o poder de compra porque tem que ter bastante madeira também. Tem os pia da madeireira que estão também sempre cuidando, fazendo as coisas progredirem. Hoje o carro-chefe é a Patzyk Biomassas”, disse.

Com 30 anos, a empresa passa por uma nova fase. “Nós insistimos. Estamos agora passando o comando para as filhas, graças a Deus, também que é justamente para isso que trabalhamos tanto, para que as nossas filhas assumissem. A Andressinha que está aí, minha filha, do meio, arquiteta também. Ela que está à frente da loja hoje em dia. Eu estou aqui só de enfeite, ultimamente”, explica.

A empresária conta que toda a família se envolve com os negócios. “Ela está tocando os negócios na loja, o esposo dela está tocando na madeireira Patzyk, junto da biomassa e as minhas outras duas filhas, a Vanessa e a Lari, que não estão aqui hoje, mas também está tudo para elas hoje em dia. As três empresas são das filhas”, disse.

Para Andressa, assumir os negócios da família é uma forma de manter um legado. “É muito desafiador, mas é uma grande honra. Eu tenho uma oportunidade que poucos tem e para mim é um privilégio muito grande. Também uma responsabilidade de continuar esse legado. Minha mãe sempre foi uma inspiração para mim, como empreendedora, como chefe e meu pai também, muito trabalhador, sempre foi. Para mim, é uma grande oportunidade também para continuar o negócio”, conta.

Formada em Arquitetura, os planos para o futuro é especializar os serviços na loja de materiais de construção. “Eu amo arquitetura e eu estando à frente do material de construção, eu tenho certeza que virão muitos projetos para frente, então, podem aguardar novidades”, disse Andressa.

A loja Patzyk Madeiras e materiais de construção está localizada na Avenida Expedicionário João Protzek, nº 2790, no Jardim Aeroporto, em Irati. O telefone para contato (42) 9 9933-4797.

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