Empresário Enezito Ruppel conta sobre trajetória do negócio/Texto de Karin Franco, com reportagem de Juarez Oliveira
Resumo: – Empresário destacou sua trajetória profissional à frente da panificadora;
- Enezito adquiriu a antiga Panificadora São Miguel em sociedade com Leone Zarpellon em 1982;
- Empresários também administraram a Panificadora Irati por 5 anos.
A Panificadora São Tiago comemorou 40 anos no dia 12 de junho. O empresário Enezito Ruppel, proprietário da panificadora, relembrou a história do negócio em uma entrevista na rádio Super Najuá FM.Assista o vídeo abaixo.
Sua trajetória começou na tradicional Panificadora Irati, onde trabalhou como balconista em 1978, junto ao seu irmão que também trabalhava no local como padeiro. Quando tinha 18 anos, uma oportunidade surgiu: a panificadora não ia bem e o proprietário da época desejava vender o empreendimento. “Apareceu a oportunidade de venda da panificadora. E meu irmão, meu compadre, falou: ‘Compadre, a panificadora vai fechar, a Irati”. E eu não tenho dinheiro para comprar, mas tinha vontade de comprar. Procurei a alternativa e achei um sócio, o Zarpellon, que era diretor da Moageira, falecido Leone Zarpellon, meu compadre. Fizemos uma sociedade e compramos a panificadora Irati em 1982”, disse.
A sociedade fez surgir a empresa Zarpellon e Ruppel Ltda. em 1982. “Começamos a tocar a panificadora Irati. Trabalhamos, fomos trabalhando e nesse momento apareceu a panificadora São Miguel também para comprarmos, que estava com dificuldade. Em 1983, compramos a panificadora São Miguel. Então, a nossa empresa ficou Zarpellon e Ruppel tocando a panificadora Irati e a panificadora São Miguel”, conta.
Na época, Ruppel era contador e administrador da empresa, mas acabou conseguindo uma oportunidade em Curitiba para trabalhar na Ford Metropolitana. Ele passou a trabalhar na capital e sua esposa, Glaci, seguiu assumindo os negócios. “Ficamos tocando as duas panificadoras. Minha mulher tocando, a Glaci, Rufino Ruppel. Ela tocando as duas panificadoras, junto com a irmã e meu irmão. Mas como eu fiquei muito tempo em Curitiba, trabalhando na empresa Ford Metropolitana, tive algumas dificuldades de injeção da empresa. Eu e o meu compadre Leone Zarpellon resolvemos de [vender]. Nós compramos a panificadora Irati de Alcides de Almeida. Num determinado momento, surgiu uma oportunidade e nós vendemos a panificadora para o Alcides Lupepsa. Veja a coincidência, compramos do Alcides e vendemos para o Alcides Lupepsa e a sua esposa Lígia, que estão até hoje lá. Então, nós tocamos apenas cinco anos a panificadora Irati”, disse.
Com a venda da panificadora Irati e a compra total da panificadora São Miguel, surgiu o desejo de mudar o negócio. “Nós ficamos só com a panificadora São Miguel, que era um prédio velho, prédio de madeira, forno tocado a lenha, com dificuldade. Minha mulher Glaci, disse: ‘Enezito, eu gostaria realmente de ter uma panificadora pequenininha, mas uma panificadora bonita, limpinha, sem lenha, sem fumaça, sem nada’. E assim, nós fizemos. Vendemos a Irati, acertamos com meu sócio e eu fiquei com a panificadora de São Miguel”, explica.
Foram três anos parados e o negócio voltou em 1986, após a construção de um novo prédio no local. Na vida familiar do casal, a família aumentava. Glaci estava grávida do seu primeiro filho e planejava inaugurar o negócio novo junto com o nascimento do bebê. “Em 1986, dia 12 de junho, era para nascer meu filho Tiago, Tiago Ruppel. E estava tudo programado para abrir a panificadora. Ela [a esposa] inaugurar a panificadora. Eu trouxe um carro de presente para ela da Ford Metropolitana, com a placa escrito Tiago, 12/06/1986, e dei para ela de presente o carro. Uma história bonita”, conta.
A inauguração foi realizada, mas o bebê ainda demorou um pouco para nascer. “Ela abriu a panificadora, inauguramos a panificadora branquinha que ela queria e foi para o hospital dirigindo o carro novo. Só que o doutor Felipe, que era o médico dela, disse: ‘Não está na hora’. Ele nasceu dia 14 de junho, dois dias depois”, disse.
Com a reforma, houve a decisão de mudar o nome da panificadora, que passaria a homenagear o primogênito. Assim, a panificadora São Miguel passou a ser chamada Panificadora São Tiago. Durante 40 anos de negócio, o empresário conta que foi preciso se adaptar para conseguir sobreviver na área. “Quando nós tocávamos a Irati e a São Miguel, não tinha nenhum mercado na cidade, então não tinha pão. O pão era feito nas panificadoras. Com a vinda dos mercados, isso aconteceu que o pão mais em conta foi para os mercados e o pão um pouco mais sofisticado, ficaram nas panificadoras, um pouco mais caro. O que aconteceu com todas as panificadoras, não é só a nossa. Aconteceu que as panificadoras tiveram que achar um outro nicho de mercado. O que aconteceu? Eles conseguiram colocar um café, uma lanchonete ou um restaurante junto com a panificadora. Você é novo, mas no passado a panificadora era só pão, café e alguma coisa de frios. Hoje não. Hoje a panificadora tem tudo. Tem anexo um restaurante, um café, alguma coisa parecida para fazer frente aos negócios”, explica.
O empresário destaca que foi a adaptação que auxiliou na permanência do negócio. “Nós tivemos que mudar o nicho de pão para uma gama de produtos. Consequentemente, aumentou também a parte de confeitaria. A confeitaria hoje é uma confeitaria moderna, uma confeitaria artesanal, mas uma confeitaria moderna que você tem de tudo. O que você quiser numa panificadora como as nossas, porque nós temos três referências de panificadora na cidade, a Irati, a Italiano e a nossa. Então, você nota que nós tivemos que achar um nicho de mercado para a sobrevivência e sobrevivemos bem”, conta.
Em sua história, a Panificadora São Tiago também realizou parcerias. “Nós éramos fornecedores de pão e torta para o Ivasko da Vicente Machado. Nós fornecíamos as tortas e os pães para o supermercado do Ivasko. Como também tinha o supermercado Stroparo, hoje é uma oficina, nós também fornecíamos todo o pão naquela época. Então, mudou um pouco. A panificadora hoje fica mais para confeitaria e lanchonete do que panificadora propriamente dito”, conta.
De acordo com Ruppel, a panificadora pode estar completando quase 100 anos no mesmo local, se contar desde a instalação da panificadora São Miguel pelos antigos proprietários. O empresário conta que guarda com carinho a história do negócio. “É uma história muito bonita. Nós temos um carinho muito grande. Há dois anos, nós montamos junto com a padaria, onde era um laboratório da análise clínica, nós montamos nosso Café 15. Hoje nós temos a panificadora, com Café 15, tocando junto”, disse.
Atualmente, a Panificadora São Tiago já foi passada para os filhos do casal, que assumiram a administração do negócio. “Não nos pertence. Nem a Glaci e eu, já passamos para os filhos, Renato, Tiago e a Flávia. A Flávia toca o Café, o Tiago é advogado, mas faz o nosso trabalho da padaria, a parte trabalhista, a parte de registro entre pessoas. Ele nos ajuda ali. A Flávia toca o Café e minha filha Renata é professora. É a história que eu gostaria até de contar nesse dia, dos 40 anos que me empolga bastante, me deixa muito emocionado com isso”, conta.
A Panificadora São Tiago está localizada na rua 19 de Dezembro, nº 65, em Irati. O horário de atendimento é das 6h30 às 19h30, de segunda-feira a sábado. Aos domingos, é fechado. Mais informações no Instagram da panificadora.