Busca por leitos, kit Covid, kit Intubação, oxigênio, palavras que se tornaram comum no noticiário já são de domínio público. Matéria de opinião Jussara Harmuch
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| Pronto Atendimento Irati/arquivo Najuá |
Levando em conta o agravamento da pandemia da Covid-19, com o aumento expressivo de casos com sintomas graves, a sobrecarga de atendimentos na Santa Casa e no Pronto Atendimento Municipal, a limitação na disponibilidade de profissionais capacitados e também a restrição de medicamentos, a prefeitura de Irati buscou hospitais particulares para locar leitos clínicos. O aluguel deve incluir serviços médicos e de enfermagem, exames laboratoriais e de imagem, medicamentos e insumos. A resposta até o momento, de apenas um hospital, é de que “não se encontra adequadamente capacitada, tanto em função de estrutura física quanto em recursos humanos, para ofertar leitos para atendimento desta enfermidade, mesmo que em caráter particular”.
A reflexão é de que não se trata apenas de recursos financeiros, que são necessários, é claro, mas diante da falta de planejamento, não surtem efeitos necessários. Mas então o que fazer para pôr um ponto final na pandemia? A resposta que todo mundo quer. No início, muitos pensavam que depois de fechar por 15 dias voltaria tudo ao normal. Ledo engano de quem acreditou nos falsos áudios com a voz do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandeta. Ontem, ouvimos declaração do presidente Jair Bolsonaro. “Se ficar em lockdown 30 dias e acabar com o vírus, eu topo [a medida]. Mas sabemos que não vai acabar. Pesquisas sérias dos Estados Unidos mostram que a maior parte da população contrai o vírus em casa. Eu devo mudar o meu discurso?”, questiona, buscando uma garantia de ponto final.
Mas não existe garantias, a pandemia é desafiadora. Experimenta, pesquisa, testa, descobre-se efeitos positivos e negativos e acaba-se por ter consenso sobre alguns aspectos. O distanciamento é defendido pela grande maioria de cientistas, infectologistas e médicos. Mas a medida é dura, algumas vezes sendo necessário o lockdown por 15 dias, inviabilizando em especial os pequenos comércios locais e, de outra forma, ‘bombando’ as vendas dos grandes varejistas pela internet. Chega a causar estranhamento entre setores quando um é autorizado a trabalhar e outro não, nos chamados ‘lokdowns parciais’.
Tratamento precoce seria alternativa do Ministério da Saúde, apesar do ministro Eduardo Pazuelo negar. Em Irati, o coordenador do Centro de Operações Especiais e de Fiscalização (COEF), enfermeiro Agostinho Vanderlei Basso, lembra que “desde agosto de 2020, existe um protocolo municipal, baseado na orientação do Ministério, para o tratamento precoce para Covid-19. Porém, trata-se de conduta médica e, portanto, fica a critério do médico e do paciente usar o protocolo ou não”. O assunto chegou a ser discutido ao vivo na Rádio Najuá, com participação da secretária municipal de Saúde, Jussara Hassen, do próprio Agostinho e do chefe da 4ª Regional de Saúde, Walter Trevisan (via telefone, para não aglomerar no estúdio). O protocolo constitui um manual de 20 páginas que está disponível na Santa Casa, hospitais e consultórios particulares, no Pronto Atendimento, Unidade Sentinela e Unidades Básicas de Saúde. A farmácia municipal dispõe de todos os medicamentos que compõem o chamado Kit Covid: Ivermectina, Azitromocina, Cloroquina, zinco, Dexametazona, vitamina D, entre outros. “Mas de forma alguma pode ocorrer distribuição para todos indiscriminadamente, pois não há, até o momento, comprovação científica da eficácia destes medicamentos para Covid-19”, enfatiza o coordenador.
E o mais recente é a falta de oxigênio, cilindros para o envase e medicamentos usados em UTI, o Kit Intubação para manter o paciente sedado. O provedor da Santa Casa de Irati, Ladislao Obrzut Neto, já fez o alerta sobre a escassez destes medicamentos. O secretário de estado da Saúde, Beto Preto e governador Ratinho Jr, buscam junto a outros países uma compra internacional, pois os laboratórios brasileiros informaram que não vão conseguir dar conta de toda a demanda.
A vacina é o ponto final? Poderia ser, mas é preciso pressa, o que falta no Brasil, pois contratos foram fechados tardiamente sob a desculpa de que não havia autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto outros países apressaram para garantir, mesmo antes da esperada comprovação da eficácia de suas agências reguladoras. E mais uma vez, a população é colocada em situação de disputa, de quem tem mais ou menos direito de receber a dose. Por que precisa ‘vacina já’? Corre no mundo que o Brasil se tornou o epicentro da pandemia e que está se tornando uma colônia de variantes. A dúvida é se vamos chegar ao fim com vacina eficaz diante das mutações. A variante amazônica (P1) é mais letal e mais transmissível, isso é azar? Não. Quanto mais disseminação tivermos do vírus, mais variantes surgirão. Elas surgem em maior quantidade, algumas mais letais, outras menos, quanto mais descontrole tivermos. A imunidade de rebanho, natural, é vista por cientistas como meio cruel, pelo alto número de óbitos decorrentes.
Mas com o que devemos nos preocupar mais, economia ou saúde? Este dilema é falso, um não anda sem o outro. Para a economia gerar precisa consumidores, precisa não ter medo de sair de casa. O ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu nesta 2ª feira (22) a aceleração da vacinação em massa para que os mais pobres possam voltar ao trabalho de forma segura. Segundo ele, o Brasil deve evitar a “crueldade do dilema” de “ficar em casa” ou “perder a vida” para a covid-19 e afirma que o governo tem a obrigação de vacinar os mais pobres nos próximos três ou quatro meses. “Essa é nossa obrigação e vamos fazer de tudo para cumpri-la”, afirmou (notícia Poder 360).
