Nesta 2ª reportagem, Agostinho Basso traz mais algumas dicas para você conquistar aquela vaga tão sonhada em 2023/Paulo Henrique Sava, com reportagem de Herivelton Lourenço

Há algumas semanas, o palestrante Agostinho Basso deu dicas sobre como se portar diante de uma entrevista de emprego durante o programa Espaço Cidadão. Nesta 2ª reportagem, ele repassa mais algumas orientações sobre o comportamento que o candidato deve ter diante de um possível empregador na hora da entrevista.
Agostinho comenta que alguns jovens e adultos ficam nervosos diante de um entrevistador. Para acabar com este problema, existem algumas dicas que as pessoas podem utilizar e que possivelmente irão ajudá-las a se sobressaírem perante outros candidatos. Uma delas causa muito medo nos candidatos, mas é necessário que seja colocada em uma entrevista de emprego: não esconder seus defeitos e limitações.
“Às vezes, a pessoa tende a passar aquela impressão de que é perfeita. Eu trabalho na gestão há muito tempo, e mesmo como enfermeiro eu sempre fui coordenador na área de saúde e participava de recrutamentos. De vez em quando a pessoa pergunta para o entrevistado sobre o defeito ou limitação, e veja que ele é tão “humilde” que ele diz que seu pior defeito é ser perfeccionista, ou seja, ele é perfeito e busca a perfeição. Não existe resposta pior para você dar a alguém que o seu pior defeito é ser perfeito”, frisou.
Linguagem corporal – Tomar cuidado com a linguagem corporal durante a entrevista também é uma dica fundamental, pois todo o comportamento do candidato está sendo observado, incluindo a sua postura, desde o momento em que ele entra na empresa até a hora de sua saída. Isto também pode influenciar na escolha do empregador.
“Desde que você chega ao local, está sendo observado, a forma como você entra no ambiente, como caminha, como estão seus ombros, a altura da cabeça, se está na média do corpo, nem muito elevada porque gera sensação de arrogância nem baixa porque gera inferioridade, se os ombros estão alinhados com a coluna, se você entra devagar e caminhando firme. Sente com calma quando ele convidar, procure não ficar com pernas e braços cruzados porque dá a impressão de fechamento, negação e desinteresse”, pontuou.
Outra dica importante para evitar incidentes é não exagerar nos gestos no momento da entrevista. O fato de o candidato segurar algum objeto que esteja na mesa do entrevistador também pode denotar nervosismo e insegurança.
“Quem é inseguro se agarra a alguma coisa. Então, o corpo fala. De repente, você está afirmando com as palavras que você gosta e sabe, mas indiretamente sua cabeça está te traindo e fazendo um gesto contrário através da forma como você olha ou de movimentar as sobrancelhas. Tudo isto acaba te prejudicando, ou seja, você deve estar o mais relaxado possível e sentado de forma ereta para que o entrevistador saiba que você sabe o que está fazendo e não transmita nenhuma má impressão de soberba, inferioridade, insegurança ou desleixo”, comentou.
Para aliviar o estresse antes da entrevista, a pessoa deve respirar fundo, conversar consigo mesma mentalmente, acalmar a situação, pensar sobre sua capacidade e trabalhar o psicológico para que o candidato controle a situação e evite o famoso “branco”, segundo Agostinho.
“É muito comum, na hora em que você está sob pressão, em um estresse bastante grande diante de um entrevistador, que às vezes dá o famoso “branco” de tão nervoso que você está. Você sabia todas as respostas, tinha tudo na ponta da língua, é verdade o que ia fala, mas na hora, por conta do sistema nervoso, começa a gaguejar e dá a impressão de que não está sendo sincero. Você começa a ter dificuldades de articular as palavras e terminar um raciocínio. Para tudo isto, você tem que começar a se preparar antes de entrar na sala”, destacou.
Redes sociais – Tomar cuidado com as publicações nas redes sociais também é extremamente importante, uma vez que elas podem contar muito sobre a personalidade do candidato. Este é um detalhe ao qual poucas pessoas dão atenção, mas pode fazer a diferença na hora da conquista de uma vaga.
“A maioria das empresas, para não dizer todas, depois da conversa com o empregador ou quando chega o seu nome para uma entrevista de emprego, vão às suas redes sociais e pesquisam sobre sua forma de ser, se comunicar, o que você posta, quais são seus pensamentos. Quase sempre acabamos deixando muitas pistas. Hoje, principalmente com o país polarizado do jeito que está, a empresa vai ver como você se porta diante de um pensamento contrário ao seu, se é agressivo em suas postagens e comentários, o que você tem demonstrado”, comentou.
Agostinho orienta a todos os candidatos, principalmente os mais jovens, a tomarem cuidado com postagens de fotos e vídeos sobre festas, especialmente se estiverem consumindo bebidas alcoólicas. “As pessoas estão de olho no que você está postando”, frisou.
O palestrante também recomenda que as pessoas demonstrem equilíbrio em todos os setores da vida, especialmente no que diz respeito a discussões sobre política, pois isso pode influenciar na avaliação de um possível empregador. “Em tudo você tem que ter o que chamamos de equilíbrio, respeito à opinião contrária, à diversidade e deve saber se portar, dialogar e conversar. A grande maioria das empresas não estão nem aí para você ser do lado A ou B politicamente, para a religião que você professa, uma cultura que aprecia ou gosta, seus hábitos, sejam quais forem. O que ninguém suporta é o fanatismo, o extremismo e a intolerância”, frisou.
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O que o candidato deve perguntar – Na hora da entrevista, o candidato deve fazer perguntas relevantes sobre a empresa ou o cargo pretendido, o que pode ajudá-lo a conquistar a vaga desejada. “Às vezes a pessoa quer demonstrar interesse e inteligência, mas faz perguntas que não têm muito a ver com aquilo a que ela está se propondo. Se você for questionar o entrevistador, faça perguntas relevantes que tenham a ver com o cargo que você está pleiteando, com a empresa, sua filosofia e o que ela acredita, frisou.
Agostinho orienta os candidatos a visitarem o site da empresa na qual ele deseja trabalhar e se informar sobre seus valores, visão e missão, ou seja, deve procurar saber o motivo dela estar inserida no mercado. Com isso, a pessoa poderá saber se ela é nacional ou multinacional, quem são seus diretores, quais produtos ela oferece e quais são seus departamentos. Isto pode ser um diferencial para o candidato na hora da classificação.
“Você tem que ir munido de coisas que te favoreçam e diferenciem. De repente, você já pode ir percebendo o que as tuas capacitações e qualidades irão agregar de valor àquela empresa. É mais ou menos por aí que você deve fazer perguntas que sejam relevantes, nada de perguntas pessoais ou corriqueiras, que todo mundo vai fazer. Seja diferente e faça perguntas que tenham fundamento e que façam o entrevistador pensar que vale a pena investir naquele candidato”, pontuou.
Outra dica importante em uma entrevista de emprego é não discutir sobre pontos de vista com o entrevistador. É preciso que o candidato tenha consciência de que ele não está lá para um debate, mas sim para conseguir uma vaga no mercado de trabalho.
“Qualquer exemplo é possível neste momento, mas às vezes o entrevistador faz uma pergunta que está no script dele e o entrevistado leva para outro lado e pode sair com uma pergunta como “Por que você está me perguntando isto? Você tem algum tipo de preconceito? ” Nem sempre é bom fazer isto. De repente, ele te faz um comentário e você diz que não pensa desta forma e não pode concordar com aquilo, mas não é por aí, pois você não foi convidado para um debate e nem para alguém vencer: você está sendo avaliado, ele (entrevistador) tem toda uma sequência lógica para fazer as perguntas porque quer te conhecer o máximo possível e você responde não falando extremamente pouco nem muito, apenas o suficiente para responder adequadamente aquela questão”, frisou.
Dúvidas – No entanto, na hora da entrevista, o candidato deve sanar todas as dúvidas em relação à empresa e às suas atribuições no cargo desejado, segundo Agostinho. “Esclarecer dúvidas não tem problema nenhum. O que não dá é para ter discussão de princípios, ideias e até envolvendo moral e ética. Não é o momento para isto, mas sim para responder o que está sendo perguntado da melhor forma possível e com a maior clareza”, destacou.
Algumas empresas exigem experiência em determinadas vagas; outras não fazem a mesma exigência. Nestes casos, o palestrante enfatiza que a pessoa pode argumentar dizendo que está disposta a aprender, se dedicar e a somar com a empresa. “E tem mais ainda: você pode, com toda a humildade e sem arrogância, provocar o entrevistador a fazer a experiência da sua contratação para ver o quanto a empresa ganhará com a sua presença”, frisou.
Falta de preparação – Agostinho critica o fato de que nem o Ensino Médio e nem as faculdades preparam as pessoas para enfrentarem as entrevistas de emprego da forma correta. “O Ensino Médio não prepara para esta entrevista sobre como se portar. Eu tenho conversado com muitos donos e gerentes de indústrias e eles têm falado que, com raríssimas exceções, as próprias faculdades não estão formando para aquilo que a empresa precisa. Eles contratam a pessoa que tem faculdade e até uma pós-graduação, mas dizem que precisam gastar pelo menos dois meses treinando ela para dizer o que a empresa precisa. O candidato vem meio que sabendo de tudo, mas quase nada aprofundado”, comentou.