Projeto extensionista é desenvolvido em parceria com o Conselho da Comunidade e o Núcleo Regional de Educação de Irati e enfatiza a Cultura da Paz
Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava
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Uma palestra com o promotor Antonio Basso Filho, da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Irati, no auditório Denise Stoklos, no campus da Unicentro em Irati, abriu, na quinta-feira (19), a edição 2016 do projeto Círculo do Diálogo da Juventude – Pela Cultura da Paz. O projeto de extensão da universidade faz parte de uma parceria com o Conselho da Comunidade de Irati e com o Núcleo Regional de Educação de Irati (NRE). A palestra teve como tema “Educação Para a Paz: Uma ação de cidadania”.
A assistente social do Conselho da Comunidade, Maria Helena Orreda, explica que o projeto do Círculo do Diálogo da Juventude é o terceiro eixo do projeto Inclusão Construindo o Futuro. O primeiro eixo abrange projetos desenvolvidos com os detentos e o segundo eixo envolve familiares dos detentos e com prestadores de serviço à comunidade. O terceiro, por sua vez, é um projeto de prevenção à violência, que envolve os adolescentes da rede pública de educação.
© Paulo Henrique Sava
Maria Helena Orreda apresentou o projeto ao público. Neste ano, haverá parceria com o Ministério Público
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Promotor de Justiça, Antônio Basso Filho, comenta que a violência é um mal que impede que as pessoas vivam seu direito à dignidade
Maria Helena destacou o papel do Conselho da Comunidade na busca de redução da reincidência criminal e da prevenção ao aumento da criminalidade. A assistente social também comentou que o projeto do Círculo do Diálogo da Juventude precisa de estagiários e demonstrou sua alegria ao saber do interesse dos jovens pelo evento e agradeceu à Unicentro por abraçar a causa, num projeto que já atingiu, ao longo dos anos, a 5 mil adolescentes e jovens.
Na oportunidade, o professor Afonso Figueiredo Filho, diretor do campus Irati da Unicentro, recebeu do gerente do SESI Irati e Guarapuava, Paulo Zen, o Selo ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O selo foi conferido à instituição como reconhecimento pela sua contribuição através de práticas em prol dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e pelo papel como articuladora do crescimento sustentável do Paraná.
“Projetos que tratam da violência são projetos super importantes para a nossa comunidade e para o País”, considera o diretor da instituição, que relatou ter sido, recentemente, vítima da violência das ruas ao sofrer um assalto. Afonso salientou a importância em trabalhar a questão da violência nas escolas, tendo em vista que hoje é uma realidade que também as envolve – tanto do lado de dentro como do lado de fora dos portões.
Discussão da violência nas escolas
O promotor Antonio Basso Filho comenta que a violência é um mal social que impede que as pessoas exerçam plenamente seu direito – como, por exemplo, o de ver reconhecida sua dignidade. “Nesse aspecto, o projeto é muito relevante porque ele traz essa discussão da violência e das suas origens, das suas causas, para dentro do ambiente escolar, em que crianças e adolescentes, muitas vezes, vivem essa violência na convivência com os pais”, observa. Segundo ele, essa violência é sentida pela criança ou adolescente ao assistir na própria casa cenas de violência doméstica, ou por algum caso próximo, na própria família ou não e, ainda, através do bullying nas escolas.
Ao levar a discussão sobre a violência para o ambiente escolar, o projeto contribui, segundo o promotor, para identificar as causas da violência, na sua origem, e preparar a comunidade escolar – alunos, professores e pais – para que saibam lidar com os casos de violência e evitar que eles se repitam.
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Alunas do curso de Psicologia fizeram uma apresentação teatral, abordando a questão da violência nas escolas. Na foto, elas aparecem ao lado de Nelson Luis Alves Susko, um dos coordenadores do projeto
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Participaram do evento integrantes de diversos órgãos da comunidade, além de estudantes de colégios da região e da própria Unicentro
Más condições das cadeias
De acordo com Basso Filho, não existe um consenso entre os autores que analisam a violência se os sujeitos já nasceriam predispostos a ela ou se a disposição ao ato violento seria fruto do meio hostil. Apesar de se sentir dividido em relação ao tema, o promotor tende a concordar mais com os segundos e usa nosso sistema prisional como exemplo: ainda que o objetivo seja a ressocialização de criminosos condenados, o ambiente hostil das cadeias pode contribuir para que o preso se torne reincidente.
“Acredito que ambas as teorias estejam corretas. A pessoa pode ter essa tendência à violência, mas o ambiente sadio refreia esse sentimento. Agora, de repente, aquele sujeito que tem essa tendência e encontra um ambiente social desfavorável, vai descarregar essa tendência que ele já tem, ínsita, como ser humano, vai usar isso na sociedade”, opina. A tensão social de uma sociedade cada vez mais competitiva favorece, inclusive, a violência no trânsito, manifesta, em muitos casos, em função da pressa, gerada pela cobrança de produtividade com tempo escasso.
Violência contra criança e o adolescente
Uma das questões abordadas na palestra do promotor, a violência sexual contra a criança e o adolescente, é frequente na região, afirma Basso Filho, mesmo sem apontar dados precisos. “Em Irati e nas outras comarcas [da Seção Judiciária de Irati: Rebouças, Teixeira Soares e Mallet], observa-se, infelizmente, um número grande de casos envolvendo violência sexual, praticada muitas vezes pelos pais ou pelos padrastos”, cita.
De acordo com Basso Filho, a promoção de uma Cultura Pela Paz passa por incluir na educação formal – ainda que isso não conste no currículo escolar – as discussões sobre a violência e os direitos do cidadão. “É levar ao ambiente escolar a discussão sobre o que se pode fazer a partir dali para se atingir a paz que, no nosso caso, é a não violência, em qualquer uma de suas formas: seja a lesão, seja o bullying, seja a violência social, de uma forma geral, o crime”, explana.
Visitas nas escolas
O coordenador do projeto de extensão, Nelson Luiz Alves Susko, conta que está previsto, em parceria com o Núcleo Regional de Educação, um cronograma de visitas às escolas e colégios da região. A ideia, como nos anos anteriores, é levar palestras até as escolas e já articular a realização da Feira dos Círculos do Diálogo da Juventude. “Vamos escolher uma escola da região para montar essa Feira e, a partir, começar no ano que vem, a trabalhar, em outros municípios”, relata.
© Divulgação Unicentro
Logotipo do projeto, que deve ter continuidade com palestras em escolas da região