Prefeito de Irati comunicou sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT) em publicação no Facebook, na manhã de hoje, 11. Odilon está analisando convite de seis partidos
Da Redação
Perfil
Odilon Rogério Burgath completou 40 anos no dia 15 de fevereiro. Foi funcionário público estadual de 1995 a 1998, professor da rede pública de ensino de 1998 a 2003 e servidor da Justiça do Trabalho de 2003 a 2012.
Em sua vida pública também foi fundador, em Irati, do núcleo do Sindicato dos Professores e Funcionários na Educação do Paraná (APP) e presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto da Glória. Foi eleito como prefeito mais novo da história de Irati, aos 36 anos. Com 18.736 votos (53,76% dos votos válidos) Odilon venceu as eleições contra os candidatos Jorge Derbli (PSDB), que obteve 14.337 (41,14%), e Ieda Waydzik, 1.780 (5,11%) dos votos.
Eleito como prefeito mais novo da história de Irati e pré-candidato à reeleição em 2016, Odilon Rogério Burgath (PT) anunciou sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT). A decisão foi comunicada em publicação realizada em sua conta pessoal na rede social Facebook, na manhã desta sexta-feira, 11. Confira aqui a nota completa.
Odilon permaneceu mais de 13 anos filiado ao PT. Nesse período, Odilon comandou o diretório municipal do partido entre 2009 e 2013, quando deixou o cargo para assumir a chefia do Executivo iratiense.
Na nota publicada no Facebook, Odilon justifica que a decisão de sair do PT não foi tomada em virtude da situação do partido em nível federal. O Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo que investiga a suspeita de crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica relacionados ao tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá (SP). Já a presidente Dilma Rousseff (PT) enfrenta um processo de impeachment no Congresso Federal e será alvo de uma manifestação nacional pedindo sua destituição do cargo no domingo, dia 13 de março.
“Justifico a decisão não pelos acontecimentos recentes, porque reafirmo: O PT errou, mas outros partidos também; aliás e por exemplo, muitos se encontram misturados aos escândalos de desvios na Receita Estadual do Paraná, são objeto de investigação quanto a desvios no setor de Educação do nosso Estado, também quanto a aquisição de merenda escolar em São Paulo, isso sem citar, as delações que envolvem vários ocupantes de cargos públicos a nível nacional e que tem filiação partidária ligada a diferentes partidos políticos, inclusive da oposição. Manifesto uma vez mais que em relação ao grupo local, tudo ocorre exatamente de forma oposta. É bem verdade que temos falhas e buscamos constantemente a correção, pois somos humanos. Falo com satisfação que a nível municipal temos uma militância honrada e juntos estamos realizando na Administração Pública de Irati um trabalho sério, que constantemente é avaliado por órgãos como o Ministério Público e por movimentos da sociedade civil como o Observatório Social. É por esta questão macro e nacional, que tomo esta decisão. Como Prefeito, ao lado de outros eleitos no Estado do Paraná e de outros locais do país, solicitamos algumas respostas que não chegaram. Pedi providências, nestes últimos anos, da direção nacional quanto a correligionários que tinham condenação do judiciário brasileiro e que deveriam enfrentar a Comissão de Ética do partido, tendo sua situação resolvida. Infelizmente, até esta data, esses encaminhamentos não foram feitos”, diz um trecho da nota publicada por Odilon.
O prefeito de Irati complementa que o PT, em sua instância nacional, precisa de uma “reciclagem”, ou seja, “aumentar a autoestima de sua militância, conquistar novas filiações e fazer com que o partido respire novos ares”.
Sobre a situação da política local, Odilon afirma que está aberto para o diálogo independente da sigla partidária. Neste sentido, segundo apurado pela reportagem da Najuá, o prefeito de Irati recebeu convite para ingressar em seis partidos, sendo alguns da base do governo federal e outros de oposição. De acordo com informações, Odilon está avaliando em qual partido pretende ingressar.
“Quando eleito, fui escolhido para ser o Prefeito da cidade de Irati e não exclusivamente de um único partido, por isso sei que minha responsabilidade é grande e maior ao conduzir qualquer movimento político-partidário. Este é o motivo que me prendeu a analisar detalhadamente os fatos. Os erros do PT, como disse anteriormente, no mínimo se igualam aos cometidos pelos seus oponentes, mas isso não significa que o partido não deva responder por eles. Quanto ao meu futuro político, sigo a analisar os caminhos que coincidam com minha linha de atuação e bandeiras as quais defendo: a democracia, a luta pela destinação de recursos a quem mais precisa com o efetivo apoio aos movimentos sociais, a redução das desigualdades e a valorização do trabalho. Dessa ideologia jamais me afastarei”, diz outro trecho da nota publicada por Odilon.
Ele também ressalta que possui orgulho do PT e de fazer parte de uma legenda de esquerda, que conduz o País há 13 anos. “Reconheço que sem a preciosa ajuda do Governo Federal da Presidente Dilma Rousseff, meu governo que enfrenta desde 2013, duas enchentes seguidas, uma crise econômica que abalou a arrecadação dos municípios, e uma quitação de dívida que se arrastava desde 1996 (mais de 10 milhões de reais em três anos de mandato), o caminho seria muito mais tortuoso. Afinal de contas, é através do Governo Federal que conseguimos um financiamento para executar 5 km de asfalto novo em três bairros, uma UPA 24 Horas, as reformas e ampliações em mais de 10 UBS, a construção de três postos de saúde, mobiliário novo para 80% da rede escolar municipal, três veículos zero-quilômetro para o transporte escolar, duas novas escolas, dentre outras diversas conquistas. Sou grato e sempre serei por este auxílio que foi e é fundamental para que Irati avance em setores fundamentais como a saúde e educação. Porém, quero comunicar minha saída do Partido”.
© Facebook/Divulgação e Rádio Najuá/Arquivo
Odilon anunciou saída do PT em publicação nas redes sociais