Escrito por Mário Lopes e idealizado por Vítor Martim, o livro traz bastidores e histórias de artistas iratienses. Nelci contou detalhes de sua trajetória no teatro durante entrevista à Najuá/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub
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| Nelci Rozynski Wolski é diretora da Escola Municipal Irmã Helena Olek e atua no teatro desde 1994. Foto: Arquivo Pessoal |
Para Nelci, a notícia que integraria a lista de artistas que teriam sua história contada no livro foi surpreendente. “Num primeiro momento foi uma surpresa porque temos várias pessoas que trabalham com a cultura tão importante em Irati, que batalham muito tempo. Quando fui contatada parta contar a minha história eu fiquei emocionada, feliz, surpresa”, conta.
A professora iniciou sua trajetória no teatro em 1994, quando participou da Oficina de Teatro “Ir A Ti”, promovida pela Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro). Ela conta que entrou na oficina para ajudar em suas aulas no ensino infantil, mas acabou se apaixonando pela arte. “Eu já era professora. Eu busquei o teatro como uma ferramenta a mais para motivar os alunos em sala de aula. Comecei a ver que teatro era uma paixão, mas era muito desafiador, porque nem sempre temos público, nem sempre temos reconhecimento. Muitas vezes tira dinheiro do bolso para poder fazer as montagens e as peças. E eu fui vendo como era esse universo”, explica.
A paixão pela arte foi tão grande que a motivou a montar em 2000 uma oficina de teatro para crianças. “Eu vi que isso não era bem trabalhado em educação, a parte de cultura e esporte deixa uma lacuna. Muitas vezes os professores não tem o preparo, não são tão incentivados e a gente tem essa ferramenta que traz tantos benefícios às crianças”, disse.
Nelci conta que uma das vantagens de trabalhar o teatro com crianças é conseguir montar um público para cultivar arte. “Eu percebi que ali a gente poderia formar plateia para os futuros espetáculos que o grupo montasse, para que outros grupos também pudessem montar as peças de teatro porque não podemos amar aquilo que não conhecemos. A partir do momento que as crianças começarem a participar, a vivenciar, a prestigiar o teatro, com certeza, elas vão gostar e vão ter essa cultura de assistir peças de teatro’, relata.
O teatro também proporcionou a descoberta de ferramentas que ajudam no incentivo à leitura. É o caso da contação de histórias. “Uma das ferramentas que o teatro traz que a gente pode usar muito na escola é a contação de histórias. Eu também me apaixonei e faço um trabalho de contação de histórias onde aproxima a literatura das crianças. É um meio de vivenciar aquela história na prática”, explica.
Para a professora, a contação de histórias traz muito elementos do teatro. “Pra mim o contador de história é um personagem que vai mudando, que vai transitando nas histórias. Quando eu estou contando histórias já não sou eu, é um personagem. Várias coisas, vários elementos que você traz do teatro, como a figuração, a maquiagem, de interpretação, de voz, de entonação que ajuda na parte de contação de histórias”, disse.
Foi quando criança, por volta dos 12 anos, que a paixão do teatro apareceu. Nelci conta que lembra quando assistiu pela primeira vez uma peça. “Quando eu assisti a primeira peça me emocionei porque é muito mágico estar presente no meio de uma história sentindo toda a energia, toda a emoção. É diferente de assistir um filme, onde a emoção é mais distante. A energia que emana no teatro é presente”, conta.
Apesar de se emocionar com a peça, Nelci conta que somente após ingressar em oficinas de teatro que percebeu que o amor pela arte já havia ocorrido. É neste grupo de teatro que participa que ela compartilha momentos emocionantes vividos nos últimos anos. “Uma das [peças] marcantes foi o ‘O Casamento do Pequeno Burguês’, teve ‘Tributo à Denise Stoklos’, muitas e muitas. No universo infantil que também atuo bastante eu sou fã declarada da Maria Clara Machado. Eu tenho muitas peças montadas dela”, conta.
Teatro Denise Stoklos: Nelci Wolski também opinou sobre a continuação ou não da obra do Centro Cultural Denise Stoklos na entrada da cidade. A Prefeitura de Irati lançou recentemente uma enquete para perguntar se o local deveria ser terminado como Centro Cultural ou a obra seria colocada para outra finalidade.
Para ela, a obra precisa ser finalizada. “Quando falamos do Centro Cultural não é uma coisa específica para o teatro. Seria para grandes shows, curso, para um aprendizado, de repente um curso voltado nesta área, na área de música. Quando se discute o teatro, tínhamos que unir forças para terminar aquela obra e outras obras que estão paradas também”, contou.
Nelci destaca que é preciso que as pessoas valorizem a cultura. “É muito triste para todos nós iratienses termos aquela obra parada. Principalmente para todas as pessoas que trabalham com cultura, com arte. Mas é muito triste também entendermos que a cultura não é valorizada. Temos que batalhar educação, por cultura, por esporte, por saúde, por tudo”, afirma.
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| Nelci foi homenageada como contadora de histórias durante um desfile de 7 de Setembro realizado em Irati. Foto: Arquivo Pessoal |
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| Nelci Wolski é uma das iratienses que teve sua história retratada no livro “O Interior de Todo Artista”. Foto: Arquivo Pessoal |


