Menino de Irati vence câncer raro após quase três anos de tratamento e 104 quimioterapias

09 de março de 2026 às 15h14m

Após um longo tratamento, períodos de internação e momentos difíceis, Anthony Rafael superou a doença e hoje tenta retomar a rotina de uma criança/Reportagem de Diego Gauron

Na foto: Sabrina de Oliveira e seu filho Anthony Rafael Pinto. Foto: Diego Gauron

Aos 8 anos, Anthony Rafael Pinto vive hoje uma realidade muito diferente daquela que começou em janeiro de 2023. Após quase três anos de tratamento contra um câncer raro e agressivo, o menino venceu a doença e hoje celebra a recuperação ao lado da família. Assista à reportagem.

Anthony foi diagnosticado com Sarcoma de Ewing, um tipo raro de câncer que afeta principalmente os ossos. A batalha envolveu 104 sessões de quimioterapia, radioterapia e diversos períodos de internação. Mesmo diante de um diagnóstico considerado grave, o menino enfrentou o tratamento com força e fé, emocionando a família e todos que acompanharam a história.

Hoje, ele já voltou à rotina escolar e tenta retomar a vida normal de uma criança.

“Eu me sinto normal mesmo, como antes”, contou Anthony.

As primeiras dores

A história começou quando Anthony tinha apenas seis anos. A mãe, Sabrina de Oliveira, lembra que as primeiras dores apareceram na perna direita.

“Anthony começou com dores na perna direita, lá em janeiro de 2023. Corremos atrás de profissionais da saúde, mas sem resposta. Diziam apenas que era dor do crescimento.”

Durante meses, a família buscou atendimento médico. Segundo Sabrina, os profissionais focavam apenas na dor na perna.

“Procuramos profissionais na área da saúde, no particular, como ortopedista e traumatologista, mas sem resposta também, porque eles focavam só na perna. Não passa pela sua cabeça que é um câncer, ainda mais na coluna, porque a dor era na perna.”

Foram cerca de cinco meses sem diagnóstico até que a família conseguiu atendimento no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Lá, uma tomografia revelou a presença de tumores na coluna.

O diagnóstico e o choque da família

Após exames mais detalhados, veio a confirmação: Anthony estava com Sarcoma de Ewing em estágio 4. Sabrina conta que o momento foi um choque para a família

Segundo ela, os tumores estavam localizados em uma região muito delicada da coluna e a chance de ele conseguir superar a doença eram muito baixas.

“O tumor estava em um lugar que, se mexesse com cirurgia, ele poderia não andar mais. Já estava afetando veias e várias estruturas do corpo.”

A família também descobriu que o câncer já havia se espalhado.

“Hoje o Anthony tem dois tumores em cada pulmão. É uma doença rara e agressiva, que afeta os ossos e pode se espalhar muito rápido.”

Um tratamento longo e doloroso

O tratamento começou em junho de 2023 e foi extremamente intenso. Anthony passou por ciclos de quimioterapia, incluindo a chamada “quimioterapia vermelha”, conhecida por causar fortes reações.

“A quimio vermelha é a que faz cair o cabelo e dá as piores reações. Quando ele voltava para casa era assustador. Ele só vomitava e queria ficar no escuro.”

Sabrina relata que os efeitos da medicação eram muito fortes.

“Como ele tinha muitos tumores pelo corpo, parte do tumor saía pela urina. Ele berrava de dor para fazer xixi. Às vezes segurava por dois dias de medo.”

Durante o tratamento, Anthony chegou a pesar apenas 13 quilos e passou cerca de um ano sem conseguir andar.

“Ele teve que aprender a andar novamente, primeiro com andador.”

O próprio menino lembra do processo de recuperação.

“Depois do andador eu fui me segurando na parede e comecei a andar. Depois comecei a pular.”

A dor vista pelos olhos de uma criança

Anthony também guarda lembranças difíceis do início da doença. Segundo ele, a dor na perna era tão intensa que chegou a fazer um pedido desesperador à mãe.

“Chegou um ponto que eu pedi pra minha mãe cortar a minha perna, porque eu não aguentava mais.”

O menino conta que tentava aliviar a dor de qualquer maneira.

“Eu pegava meu brinquedo e batia na minha perna com toda a força para tentar arrancar a dor.”

Durante o tratamento, ele diz que o que mais sentia falta era da liberdade.

Apoio da comunidade

Durante o tratamento, a família contou com apoio de amigos, familiares e da comunidade de Irati.

Uma das instituições que ajudaram foi a Anapci (Associação do Núcleo de Apoio ao Portador de Câncer de Irati).

“Eles conheceram o caso do Anthony e chegaram até nós. Até hoje ajudam muito. O que precisa para o Anthony, eles ajudam.”

Além disso, moradores da cidade organizaram rifas e campanhas solidárias.

“A gente fala que existem pessoas ruins no mundo, mas existem muitas pessoas boas. Sozinhos a gente não conseguiria.”

Um momento considerado um milagre

Meses após o início do tratamento, exames trouxeram uma notícia inesperada.

“Quando ele fez os exames de imagem e a biópsia, a medula já estava limpa e a ressonância mostrou que os tumores da coluna tinham sumido.”

Segundo Sabrina, os próprios médicos ficaram surpresos com o resultado.

“Para as médicas, foi um milagre. Pelo tamanho que estavam os tumores e pelo lugar onde estavam.”

Anthony também tem sua própria explicação para o que aconteceu.

“Eu tenho fé que foi Jesus que deixou essa marca nas minhas costas.”

A fé que sustentou a família

Sabrina afirma que a fé foi fundamental para enfrentar os momentos mais difíceis.

“No começo a gente perde o chão. Mas chega uma hora que você coloca os pés no chão e decide lutar.”

Segundo ela, a força do próprio filho também ajudou a manter a esperança.

“A gente dizia que Deus ia curar ele. Ele tinha fé e tinha vontade de viver.”

Ao olhar para trás, Sabrina diz que a experiência mudou a forma como ela enxerga a vida.

“Isso ensinou muito pra gente, principalmente sobre fé. Às vezes a gente diz que acredita em milagres, mas quando acontece com você é diferente.”

Ela também destaca a importância da medicina no processo.

“A fé ajuda muito, mas a medicina também. Como os médicos falam, 90% é medicina. Mas os 10% de fé fazem parecer 100%.”

Uma nova fase

Hoje, Anthony segue se recuperando e voltando à rotina. Ele já voltou para a escola e tenta retomar a vida normal.

Mesmo com algumas sequelas do tratamento, a família celebra cada conquista.

Para Sabrina, o filho se tornou um verdadeiro exemplo de força.

“Eu digo para ele que, de todos os super-heróis, para mim ele é o mais forte.”

Uma mensagem para outras famílias

Ao final da entrevista, Sabrina deixou uma mensagem para pais que enfrentam situações semelhantes.

“Tudo passa. É difícil e doloroso para uma mãe e para um pai, mas não percam a fé. Se tem 1% de fé e 1% de chance, se agarre e vá.”

Anthony concorda com a mãe e resume a experiência de forma simples:

“1% de fé já é como 100%.”

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