Meninas são as principais vítimas de abuso sexual em crianças e adolescentes em Irati

29 de maio de 2026 às 23h45m

Os principais agressores são os padrastos e o ambiente familiar é onde a maioria dos abusos registrados acontecem. Coordenador e pedagoga do Departamento de Atenção à Primeira Infância, Criança e Adolescente comentam sobre como prevenir esses casos/Texto de Karin Franco, com reportagem de Juarez Oliveira

Resumo: – Números da violência cresceram muito na região;

  • O principal local onde os abusos com menores acontecem é em sua própria casa.
  • Nos casos registrados em Irati, a maioria dos agressores são os padrastos.

Em torno de 80% das denúncias de abuso sexual em crianças e adolescentes em Irati tem como vítima meninas, segundo o Departamento de Atenção à Primeira Infância, Criança e Adolescente. As denúncias com meninos sendo as vítimas são menores no município.

Para o coordenador do Departamento de Atenção à Primeira Infância, Criança e Adolescente e do Conselho Tutelar, Thiago Vinicius Mattoso Gorte, há subnotificação nestes casos. Ou seja, a violência pode ter acontecido, mas não foi denunciada. “Nós observamos sobre isso porque tem a questão do machismo, a questão que um homem, um menino admitir que foi abusado é muito mais difícil do que no caso da menina. E se acredita menos. Então, nós sabemos que existem outras barreiras que dificultam e, por isso, que o número é menor. Mas nós sabemos que existem, assim como a questão dos abusadores que o número maior é homens, mas existem mulheres abusadoras que também nós precisamos ficar atentos”, disse.

O coordenador ainda revela que os números de denúncias têm aumentado nos últimos anos em Irati. De acordo com Thiago, o número aumentou porque as pessoas têm se conscientizado mais sobre o assunto. “Nós vemos esse crescimento dos números muito por conta das campanhas de conscientização. Depois do Maio Laranja, aumenta consideravelmente o número de denúncias no Conselho Tutelar. Agora com o Departamento [de Atenção à Primeira Infância, Criança e Adolescente] também porque as pessoas começam a prestar atenção nisso. Por isso é tão importante o Maio Laranja, justamente para as pessoas prestarem atenção nisso. Porque está aí no dia a dia, pode estar na nossa casa, ou até mais perto do que a gente imagina. Então, essas campanhas fazem aumentar os números e, por isso, oficialmente parece que estão aumentando os casos, mas não é isso. Nós estamos nos conscientizando e denunciando, e é isso que tem que acontecer. Porque para os abusadores, a hora que eles veem as denúncias acontecendo, a responsabilização acontecendo, isso vai de alguma forma inibir essa atuação deles”, conta.

O principal local onde os abusos com menores acontecem é em sua própria casa. “A casa onde deveria ser o lugar de mais cuidado, de mais proteção, é a casa e o ambiente familiar. Não necessariamente só dentro da casa, as pessoas que moram na casa. Mas, principalmente, a família. O núcleo familiar, avós, tios, mães. É um número menor de abusadoras”, explica a pedagoga do Departamento de Atenção à Primeira Infância, Criança e Adolescente, Claudia Bonete.

Nos casos registrados em Irati, a maioria dos agressores são os padrastos. “Lá atrás, as estatísticas eram que o pai, pelo menos aqui, em Irati, era em maior número o pai, o agressor. Aí, ultimamente, tenho visto até com as meninas que realizam a escuta especializada, que padrasto aparece agora em primeiro lugar. Também vemos muitos casos de tios, irmãos mais velhos, avós, parentes. Normalmente, são pessoas próximas da criança e do adolescente”, conta a pedagoga.

Uma das dificuldades nestes casos é que a criança ou adolescente pode ser desacreditado quando faz a denúncia. Segundo a pedagoga, a confiança dos pais nos familiares ou pessoas próximas pode fazer com que a denúncia não seja feita, especialmente em casos de meninas que são vítimas de violência. “Conversando principalmente com mulheres, nós temos sabido muito de que elas passaram violência na infância, passaram por situações de abuso. Talvez nunca contaram para ninguém, só venham falar agora. Por quê? Porque tinha esse respeito incondicional. E, também, quando falava, não se acreditava. ‘Você está louca! Imagine… Isso não. Respeite’. E a voz da criança, a palavra da criança não tinha crédito. Era como se ela estivesse inventando. Infelizmente, os maiores casos são de familiares ou de pessoas que se aproximam”, explica.

O abuso sexual em menores também pode ser cometido por estranhos, mas há primeiro uma iniciativa de conseguir conquistar a confiança da criança. “Raramente esse estranho vai chegar abusando da criança. Ele primeiro vai se aproximar, vai conquistar essa criança, esse adolescente”, comenta a pedagoga.

Atualmente, o principal meio em que ocorre o abuso sexual em crianças e adolescentes é a internet. Jogos onde há meios de se comunicar com outros jogadores, como é o caso do Roblox, são um dos principais programas usados por agressores na internet. A pedagoga destaca que nestes casos, o agressor identifica uma criança que pode estar tendo problemas com pais ou familiares e a partir disso, busca ganhar sua confiança. “Esse alguém é um predador, é um abusador, mas não chega assustando a criança, senão a criança nem ia conversar. Essa pessoa começa a elogiar, dizer que ela é bonita, que ela é inteligente. A criança, com certeza, vai confiar nesta pessoa. A partir daí, além dos abusos físicos, nós temos muitos casos de abusos pela internet, abusos virtuais. Já é conhecido como estupro virtual. É um assunto bem pesado, bem difícil, mas os pais precisam estar atentos”, disse.

A pedagoga destaca que é preciso que os pais estejam atentos com quem a criança se comunica pela internet. “Não tem como nós imaginarmos uma criança sozinha, por exemplo, numa rua movimentada de Curitiba, de São Paulo ou no aeroporto. Mas, uma grande maioria das crianças e adolescentes que tem já o seu celular está sozinha no mundo, conversando com pessoas que ela nunca viu do mundo todo. E os predadores são muito espertos, eles sabem pelos algoritmos, se é uma criança ou não, pela pesquisa que eles fazem. A criança está exposta no mundo”, explica.

Um dos grandes problemas é que muitos pais acreditam que o filho está seguro porque é quieto e está sempre no quarto. Entretanto, o coordenador explica que as crianças podem sofrer violência pelas redes. “Os abusos hoje estão acontecendo pela internet. Os abusadores se passam por crianças, principalmente nesses jogos, como Roblox, esses joguinhos que estão bem comuns. Eles entram fingindo que é uma outra criança, pedem para a criança ligar a Webcam, pedem para a criança ligar a câmera do celular e ali começa a seduzir a criança, pedir para a criança tirar a roupa. A criança ou o adolescente vai se envolvendo de uma forma, que depois que ele tem esse material, que ele tem essa foto, ele diz para a criança: ‘Se você contar para alguém, ninguém vai acreditar, você que me mandou a foto, você que quis’. Então, isso dificulta muito a denúncia”, comenta.

A pedagoga alerta que é preciso que os pais estejam atentos ao conteúdo que as crianças consomem na internet. Segundo ela, muitas crianças repetem comportamentos vistos em vídeos, como é o caso relatado a seguir. “Antes de ontem, uma pessoa muito conhecida pediu ajuda porque um menininho de 5 anos começou a pegar no pipi do irmãozinho de 3 [anos]. Ela foi investigar, conversar, enfim, conversou com ele e perguntou o que estava acontecendo, onde ele viu. Até eu dei os parabéns para ela porque ela soube conduzir. Ela falou: ‘Filho, pode contar que a mãe só quer entender, a mãe quer saber o que está acontecendo, por que você está fazendo isso?’ O pai e a mãe têm senha no celular, eles não ficam sozinhos. Mas a avó não tem senha no celular e a criança estava num joguinho, resumidamente, num joguinho. Só que quando é principalmente YouTube ou algum outro aparecem aquelas propagandas. E foi nesses anúncios [que ele viu]”, disse.

No caso dos abusos virtuais, as fotos obtidas pelos agressores podem alimentar uma rede de pedofilia na internet, que consome e compra as fotos tiradas pelas crianças ou adolescentes. “As imagens, os vídeos que esses criminosos compartilham valem muito dinheiro para eles. Quando uma criança começa a fazer isso, preste atenção. Não brigue com a criança. Ela está reproduzindo ou quando é uma criança maior, começa isso, de extorsão, de chantagem. E, infelizmente, tem muitos casos que eles ao vivo, eles se mutilam, eles fazem isso e filmam, porque alguém está ameaçando”, alerta.

Prevenção

Os pais e responsáveis precisam estar atentos para que se faça a prevenção do abuso sexual em crianças e adolescentes. Uma das primeiras medidas que pode ser tomada é ensinar a criança sobre as partes do corpo e suas partes íntimas. “A primeira coisa é ensinar para a criança desde pequena as partes do seu corpo. Nominar as partes do corpo. As mães normalmente falam: ‘O pezinho da criança, a mãozinha da criança’. Mas as partes íntimas não se falam o nome. Por vergonha, por tabu, porque fomos ensinados assim. Mas é muito importante que a criança saiba o nome de cada parte do seu corpo, também as partes íntimas, com o nome científico. Então, a mãe vai lavar o pezinho, vai lavar a barriguinha, vai lavar a vulva da criança, vai lavar o peito, quando ainda é criança. Aí o do menino vai lavar o pênis, o saco. É a palavra correta. Claro que os pais diziam o pipi, a florzinha. Cada um vai dar um nome, um apelido carinhoso”, explica a pedagoga.

A importância de nomear as partes íntimas da criança é ensinar que elas não podem ser tocadas por estranhos. Segundo a pedagoga, abusadores usam da ingenuidade e desconhecimento da criança para cometer os abusos. “Isso é muito importante porque, infelizmente, abusadores usam da ingenuidade da criança. Se ela não conhece os nomes certos, o carinho que um abusador pode fazer ali, a criança não vai entender que aquilo é abuso, que aquela é uma parte íntima. Desde pequenininho os pais precisam, a mãe, os cuidadores precisam nomear e dizer: ‘Essa parte vai ficar coberta, ninguém pode pôr a mão, a mãe ou o pai vai lavar. O médico pode mexer quando a mãe ou o pai estiver juntos’. Então, isso é o básico”, disse.

Os pais também precisam ensinar os filhos sobre privacidade. “Muito importante, reconhecer, mostrar para a criança que o corpo dela é importante, que ninguém tem o direito de colocar a mão em parte nenhuma e que se ela sentir que algum toque, mesmo um toque no ombro, por exemplo, é alguma coisa que incomoda porque a criança não gosta, ela pode falar para a mãe e ela pode dizer para essa pessoa: ‘Não, eu não quero, eu não quero que toque em mim, eu não quero que coloque a mão em mim’”, explica.

A pedagoga alerta que a criança precisa aprender desde cedo que ela pode impor limite sobre o toque do outro em seu corpo. “A criança tem esse direito, tem o direito de dizer não. Precisa ensinar isso para a criança, porque muitos de nós foi ensinado: ‘Respeite o adulto, respeite e fique quieto’. Isso não deve acontecer, porque, às vezes, realmente, é só um carinho, a pessoa meio desajeitada bate na cabeça da criança, dá aquele tapinha, mas a criança não gosta. E por que ela tem que aceitar? De certa forma, é uma invasão. Nós, adultos, não gostamos que fiquem tocando algumas pessoas, não gostamos que fiquem segurando na mão, batendo. E a criança também tem esse direito”, disse.

A criança também precisa ser ensinada a dizer não quando se sente desconfortável. “Quando alguém falar alguma coisa ou tocar no seu corpo, em qualquer parte do corpo, ela pode dizer não. Então, faz parte das regras de segurança. Diga não, saia de perto, saia correndo e conte para mamãe, para o papai, para a professora. Conte para alguém de sua confiança, que são essas pessoas da rede de proteção da criança”, conta a pedagoga.

Outro tipo de prevenção é mostrar que a criança ou adolescente pode ter confiança para dizer a verdade para os pais ou responsáveis. “Há segredos que não devem ser guardados. Um dos truques dos abusadores é pedir que ela guarde segredo. Não conte para ninguém, porque senão ninguém vai acreditar. Ou não conte para ninguém que eu prometo que dou mais alguma coisa. Ou em casos assim, vou falar de casos reais, que eu já escutei. Se você contar para alguém, eu vou matar teu irmão, eu vou matar tua mãe, eu vou matar teu cachorro, eu vou matar teu gatinho que você gosta. São segredos que a criança não deve guardar. E o segredo é a arma que o abusador, os agressores usam para que a criança fique calada. A criança tem medo. Os pais, os professores, quem cuida dessa criança deve fortalecer. Você pode dizer não, você tem que sair de perto e você pode contar para alguém”, explica a pedagoga.

Outro meio de prevenção é prestar atenção no que a criança diz e nas reclamações que ela faz. “Quando uma criança for contar alguma coisa de que ela não gostou, de que ela não se sentiu bem, que os pais escutem e respeitem. Pode ser uma coisa nada a ver, mas é importante respeitar e prestar atenção. ‘Eu não gosto do jeito que o tio olha para mim’. Porque, às vezes, um abuso começa com olhar. Com olhar, olhando nas partes íntimas. E sabemos, a criança também sente. Às vezes, ela não sabe identificar e diferenciar o que é isso. Mas ela se sente invadida. Tem casos de adultos, que semana passada, eu soube também, de que tinha um tio que olhava quando a criança passava, quando ela era criança, era uma mulher e que aquilo incomodava muito. E, um dia, esse tio estava sondando ela no banheiro. Tinha fresta. Ela contou para mãe e a mãe disse: ‘Larga de mão, isso é coisa da tua cabeça. Imagina o tio fazer um negócio desse’. ‘Ah, ele só estava olhando’. Ou isso é normal, é o jeito dele. O jeito de passar a mão, o jeito de apertar, sentar no colo, colocar a criança no colo. A criança se sente incomodada. Como qualquer um de nós, a gente se sentiria. E a criança tem essa sensibilidade maior. O problema é que a criança ainda não entende o que está acontecendo. Por isso, falar para criança sobre sentimentos, sobre emoções, dar valor para aquilo que ela fala”, conta.

Os pais também precisam estar atentos para não expor e compartilhar intimidades do casal próximo à criança. “O pai e a mãe evitem, principalmente quando a criança já está entendendo, de tomar banho na frente da criança ou tomar banho com a criança porque isso vai gerar uma curiosidade. Questão de manter relações sexuais na frente da criança, no mesmo espaço que a criança está. Isso configura um abuso e vemos que é muito naturalizado. Beijo na boca de criança também, cuidar, porque quando o pai ou a mãe tem esse costume, pode passar uma mensagem para a criança que aquilo é normal, que um adulto pode beijar na boca dela. Todos esses cuidados fazem muita diferença, porque vai tornando a criança mais vulnerável para uma situação de abuso”, explica o coordenador.

No caso de uso de tecnologia, a forma de prevenção mais eficaz é que os pais mantenham um monitoramento do uso de celular e computador das crianças e adolescentes. “Estar supervisionando a questão do celular. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que até seis anos a criança não deve ter celular. Ela pode olhar, claro que ela não vai ficar fora, não vai ficar numa bolha. Porque, às vezes, em casa se protege, mas na escola alguém mostra. Então, é importante os pais estarem sempre supervisionando”, disse a pedagoga.

Rede de proteção


Em Irati, há a rede de proteção da criança e do adolescente que é formada por órgãos públicos que possuem atuação nos assuntos relacionados à proteção da criança ou adolescente. Entre os órgãos estão o conselho tutelar, os Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), os Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAs), as escolas, a rede saúde pública e hospitais, como a Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), bem como a parte judicial, como o a Vara da Infância e Adolescência, Ministério Público e as delegacias.

“São os órgãos que são acionados quando uma situação de violação de direito ocorre, quando uma criança está sofrendo alguma situação. Todos esses vão atuar em conjunto, cada um fazendo a sua parte, para proteger aquela criança. Nós trabalhamos tanto na parte de proteção, que é a questão de medidas protetivas, a questão de acompanhamento psicológico para essa criança, acompanhamento para família, porque quando uma situação de violência acontece, toda a família é atingida, não é só a criança. Toda a família se desestabiliza, precisa de uma atenção, então tem uma rede de psicólogos, assistentes sociais, pedagogos que vão dar esse apoio”, destaca o coordenador.

Também fazem parte dessa rede, órgãos voltados à responsabilização por conta do crime. “Quando uma criança, um adolescente, denuncia um caso, é importante que ele veja que aquele agressor foi responsabilizado. Então, na parte de responsabilização, entra principalmente a delegacia, o Ministério Público e o Judiciário, que vão fazer que esse agressor responda pelo crime que ele cometeu”, conta.

O coordenador ainda explica que os pais e a sociedade podem fazer parte dessa rede de proteção. “A rede de proteção é o pai e a mãe atentos, que não deixam o filho sozinho num celular sem olhar. É um pai e uma mãe que dão abertura para escutar um filho, que ouve o que ele está falando, que faz a denúncia caso o filho relate, que sabe que aquilo não é um problema de família, como antigamente era tratado. A sociedade, se eu vejo, se eu presencio, se eu sei de uma criança que está passando por isso, é meu papel, enquanto cidadão, denunciar, levar isso para as autoridades, tirar essa criança dessa situação”, explica.

Denúncias

Os casos de abuso sexual não precisam ter provas concretas para que sejam denunciados. Conforme Thiago, qualquer suspeita pode ser considerada. “Tanto a lei traz essa fala que a mera suspeita deve ser denunciada. Não precisa produzir provas, não precisa ter vídeo. Nós já pegamos casos que a criança relatou abuso na família e a família levou de novo para o abusador com uma câmera, para a criança filmar a situação. Não tem essa necessidade, não vamos colocar nossas crianças nessa situação. Existem órgãos preparados para fazer esse trabalho de investigação. Então, a mera suspeita, a simples suspeita deve ser denunciada. ‘Ah, mas lá na frente comprovou que não é nada. Eu vou ser responsabilizado?’ Não, porque você está cumprindo um dever que está na lei. Então, ninguém é responsabilizado por denunciar uma situação que depois foi comprovada que não é porque vamos atuar para investigar, para averiguar. Então, é importante. Tem alguma suspeita, denuncie”, comenta.

Umas das novidades neste mês é a possibilidade de fazer denúncia de casos de abuso em Irati por meio de um site, no endereço www.redeprotegeirati.com.br. Neste site, haverá um espaço para fazer a denúncia. “Vai ter a opção de você colocar como anônimo ou identificado. Se for identificado, nós mantemos o sigilo da denúncia. O único objetivo da identificação é para que você receba um retorno, para você saber o que foi feito com aquela denúncia. Se for totalmente anônimo, nós não conseguimos dar esse retorno, mas é válido, vai ser averiguada a denúncia. Lá vai ter espaço, caso você queira colocar foto, alguma coisa que você tenha, se você quiser, mas não é obrigatório”, explica o coordenador.

As denúncias serão direcionadas ao Departamento de Atenção à 1ª Infância, Criança e Adolescente, que irá investigar a suspeita. O coordenador ainda comenta que o site receberá todo tipo de denúncia que envolva crianças e adolescentes. “É importante dizer que o Rede Protege vai ser tanto para a população, quanto para a rede de proteção. Escolas, UBSs, vão ter um login, uma senha, que eles vão entrar lá e vão fazer essa denúncia para nós termos dados oficiais de quantas denúncias estão sendo recebidas, quantas são averiguadas como procedente, improcedente, e é para todos os tipos de violência, não só o abuso sexual. Ali pode ser denunciada negligência, violência física, violência psicológica, qualquer tipo de violação de direito de uma criança ou adolescente vai poder ser denunciada nesse site”, comenta.

O site ainda possui outras informações como sinais de alerta que podem ser observadas em crianças e adolescentes que passam por algum abuso, dicas sobre como cuidar e como proceder em caso de abuso, além de informações sobre os órgãos públicas que fazem parte da rede de proteção.

As denúncias podem ser feitas por outros canais, como o Disque 100, que é uma ligação nacional e gratuita. Em Irati, outro canal é pelo telefone do Conselho Tutelar no número (42) 9 9133-2698, que funciona aos fins de semana e feriados. É possível também fazer a denúncia presencialmente na Delegacia de Polícia Civil ou no Fórum.

Campanhas

As ações de combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes fazem parte de duas campanhas que acontecem no mês de maio. Uma delas aconteceu na última semana, no dia 18 de maio, que é estabelecido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A data foi instituída em 2000 e relembra o caso de Araceli Cabreira Crespo, uma menina de oito anos que foi sequestrada, abusada e torturada no Espírito Santo, em 1973. O caso ganhou repercussão nacional, especialmente porque a menina foi morta e teve o corpo queimado com ácido por jovens de classe média. Mesmo com a descoberta dos autores, o caso ainda segue sem ter punido os culpados do crime, que foram absolvidos em última instância por insuficiência de provas válidas.

Outra campanha que marca o mês é o Maio Laranja, que busca aumentar as ações de conscientização da população e combate ao abuso sexual de menores. A cor laranja foi escolhida porque remete à alegria, à vitalidade, remetendo à criança. A campanha também tem como símbolo o desenho da flor gérbera, remetendo à necessidade de cuidado com as crianças.

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