Marcelo Rodrigues e Hélio de Mello contrapõem críticas feitas à Mesa Diretora

11 de novembro de 2017 às 08h21m

1º secretário rebateu insinuação de que polêmica em torno da ACIAI seja retaliação ao Observatório Social de Irati
Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch

© Divulgação

Marcelo Rodrigues e Hélio de Mello rebateram as críticas feitas à Mesa Diretora
O 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara de Irati, Marcelo Rodrigues – Marcelinho (PP), rebateu a insinuação, feita na semana passada, pelo vereador Rogério Kuhn (PV), de que a polêmica em torno do aluguel do terceiro pavimento do prédio da ACIAI seja retaliação ao Observatório de Irati. O contraponto foi apresentado durante seu discurso na Tribuna, durante a Palavra Livre, na sessão de terça (7).
Rodrigues negou que o questionamento sobre o aluguel seja retaliação contra o Observatório e negou discordar de Kuhn quanto à importância que a ACIAI representa para Irati. “O Observatório de Irati, esta Câmara apoia. Queremos que a instituição progrida e fiscalize, porque não podemos condenar o saco de laranja por causa de duas ou três laranjas podres, que estão lá infiltradas. Estive em Curitiba e protocolei uma ata notarial e levei os vídeos em que, de dois ex-presidentes, um chamou a esta Casa de idiotas. O presidente do Observatório Nacional [Ney da Nóbrega Ribas, presidente do Observatório Social do Brasil – Seção Campos Gerais e do OSB nacional] estará almoçando com todos os vereadores. Ele me dizia que não comunga daquela forma que foi executada aqui [o protesto] com nariz de palhaço”, disse.

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A ata notarial, protocolada pelo vereador, trata-se de um instrumento público através do qual, a pedido de pessoa capaz, o tabelião formaliza um documento narrando fielmente tudo aquilo que verifica com seus próprios sentidos sem emissão de opinião, juízo de valor ou conclusão, ou seja, narra e materializa os acontecimentos em sua essência, constitui prova para ser utilizada quando conveniente, de modo que a veracidade somente poderia ser retirada através de sentença transitada em julgado.
Sem citar nomes, o 1º secretário afirmou, ainda, que “Irati tem 60 mil habitantes, mas tem um cidadão que está se achando o dono da razão”. Ele concluiu dizendo que a Câmara não é contrária ao Observatório Social nem à ACIAI, por questionar o uso do pavimento, apenas é favorável que a lei seja seguida à risca.

O presidente Hélio de Mello (PMDB) apoiou o discurso de Rodrigues e afirmou que a Câmara precisa de parceiros e não de concorrentes. “Graças a deus, no nosso País, a democracia diz que não precisa ser advogado, nem contador, muito menos trabalhar num banco e estar aposentado para ser vereador. Esta casa é composta por muitas classes, mas uma coisa que nunca poderão nos questionar é sobre o voto. Cada um dá o seu voto de acordo com seus conceitos, valores e com a educação que teve na vida. Aqui em Irati não tem Sérgio Moro e muito menos ladrão, quem nem em Brasília. Às vezes dá impressão que esta casa é citada e vista como o Congresso Nacional. Somos cidadãos, trabalhamos e,às vezes, não podemos desenvolver nosso trabalho porque temos que ficar respondendo processo. Calúnia de pessoas que foram lá em Curitiba, e foi [denúncia] anônima. Não tiveram coragem nem de assinar um documento, dizendo quem era”, desabafou.

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Segundo Mello, é fácil estar acomodado, fora da Câmara, e criticar a atuação do Legislativo. Ele desafiou “a quem a carapuça servir” que, nas próximas eleições, experimente se candidatar a um cargo público e “sentir na pele” a pressão que a classe política sofre.
Entenda a polêmica
Na semana passada, Rodrigues e o presidente Hélio de Mello (PMDB) apresentaram requerimento, aprovado por unanimidade, solicitando informações quanto à utilização do terceiro pavimento do prédio da Associação Comercial e Empresarial de Irati (ACIAI) que, de fato, pertence ao Município de Irati. No requerimento, os vereadores questionavam quando teve início a cobrança de aluguel pelo uso do espaço, o valor do aluguel, se há diferença de valores para associados e não-associados e qual a destinação dos valores arrecadados com a locação.

O vereador Rogério Luís Kuhn (PV), ex-presidente da ACIAI, saiu em defesa da entidade e mencionou que o terceiro pavimento do prédio já tinha sido alvo de fiscalização pela Câmara, à qual ele não se opõe. Por outro lado, insinuou que a fiscalização teve caráter subjetivo e que seria uma retaliação ao Observatório Social de Irati (OSI), que ocupava aquele andar do edifício e que, nas sessões anteriores, fez manifestações na Câmara, usando narizes de palhaço. Além disso, o OSI tem desempenhado ações de fiscalização aos atos da Câmara.

Diante da polêmica, houve resposta imediata da ACIAI e da Prefeitura de Irati, que retomou, na segunda (6), a posse do pavimento que vinha sendo utilizado pela ACIAI. A entidade divulgou uma nota de esclarecimento, na quarta (8), sobre a reunião do prefeito Jorge Derbli (PSDB) com o Conselho Superior da ACIAI, composto por ex-presidentes da entidade, para tratar da retomada da posse do terceiro pavimento do prédio.

O encontro teve a participação do prefeito e dos ex-presidentes da ACIAI: Airton Trento, Marcielo Mazzochin, Ademar Chami, Fátima Jenczmionki, Tadeu Jenczmionki, Elias Mansur, e diretora executiva, Simone dos Anjos.

A sede própria da Associação Comercial e Empresarial de Irati começou a ser construída no início da gestão do empresário Airton Trento (2002-2006). Na época, o ex-prefeito Antonio Toti Colaço Vaz, assinou a permuta do terreno, pertencente ao município e cedido para a construção da entidade. Em contrapartida, a ACIAI deveria ceder o terceiro pavimento, para ser edificado às custas e sob responsabilidade do município. A contrapartida não se consolidou e a própria ACIAI arcou com as custas da execução da obra, em 2010. A partir daí, e nas gestões seguintes, a ACIAI tem buscado, através de ofícios encaminhados à Câmara e à Prefeitura, a regularização da situação do prédio.

Na segunda (6), em comum acordo, a ACIAI devolveu à Prefeitura o terceiro pavimento, que voltará a ser ocupado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, que estava instalada no segundo andar.

A mudança foi providenciada no início desta semana e o Executivo encaminhou ofício à Câmara com o comunicado sobre a decisão, em resposta ao questionamento sobre o fato de não usar um espaço que é seu, de direito.

Conforme a ACIAI, o espaço era usado pelo município até 2015. Por opção de espaço, da gestão anterior, teria ocorrido a mudança. O Edifício Virgílio Moreira, na Travessa Frei Jaime (Rua da Cidadania) abriga, além da ACIAI, o Observatório Social, o SICOOB, o SPC, o ponto de atendimento do SEBRAE, a agência correspondente da Fomento Paraná, a Junta Comercial e Certificação Digital.

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