Evento será realizado nesta sexta-feira na Rua da Cidadania, entre 9 e 12 h. Algumas empresas de Irati que confirmaram participação são a Yazaki, Fobrás, Via Araucária, Employer e grupo Ivasko/Texto de Karin Franco, com entrevista realizada por Paulo Sava e Juarez Oliveira

Nesta sexta-feira (21) acontece um mutirão de empregos, das 9 às 12h, na Rua da Cidadania, em Irati. O evento será promovido pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Irati (ACIAI), Instituto Bem-Estar, SENAC, Sistema FIEP- IEL, Agência do Trabalhador de Irati, Secretaria de Indústria e Comércio, Prefeitura e Sindicato da Indústria da Madeira e Mobiliário de Irati.
Durante o mutirão, os empresários iratienses terão a oportunidade de divulgar vagas e encontrar profissionais para impulsionar o crescimento das empresas. Segundo informações da assessoria da ACIAI, mais de 300 vagas serão disponibilizadas. Algumas empresas de Irati que confirmaram participação são a Yazaki, Fobrás, Via Araucária, Employer e grupo Ivasko.
Os candidatos interessados em participar do mutirão devem levar currículo e demais documentos pessoais para realizar um cadastro. As vagas de emprego são para maiores de 18 anos.
Em entrevista à Najuá, a psicóloga Daniele Pires Soares, que costuma ser contratada por empresas de Irati e região, para fazer o processo de recrutamento de funcionários, disse que procurou a secretária executiva da ACIAI, Simone dos Anjos, para solicitar a realização do mutirão em função da grande quantidade de vagas disponíveis. “Eu fui conversar com a Simone para fazermos um mutirão do Instituto porque percebemos que temos várias vagas. Nós trabalhamos para várias empresas e temos poucos candidatos aptos. Gostaríamos de abrir mais espaço, oferecer mais oportunidade para esses candidatos, porque são talentos e, muitas vezes, estão escondidinhos. Nós não estamos conhecendo, não sabemos onde encontrá-los. A intenção foi fazer esse mutirão”, disse.
Durante o mutirão, o SENAC vai disponibilizar um espaço para as pessoas consultarem opções de qualificação gratuita, oferecidas em conjunto com a prefeitura de Irati.
A presidente da ACIAI, Samara Coelho, conta que não é apenas a qualificação que é necessária. Uma das dificuldades é encontrar o perfil certo para a vaga. “Na verdade, não é o que não encontra, às vezes é o perfil que não se encaixa. Porque temos muitas pessoas aqui em Irati, entre serviços, prestadores de serviços, comércio. Essas pessoas têm esse perfil pré-diagnosticado para os tipos de empresas, um perfil já que são selecionados e, por isso, que a pessoa coloca e acaba não dando certo. Ali no mutirão vai ter oportunidade. A Dani [Daniele Pires Soares] vai estar lá, ela pode ler o perfil da pessoa e indicar qual será o melhor serviço para ela”, conta.

Os candidatos farão um cadastro e uma entrevista com a psicóloga. Os dados serão repassados para as empresas, de acordo com o perfil e a vaga disponível. “Nós vamos fazer um cadastro, as pessoas podem chegar lá e falar: ‘Eu quero fazer um cadastro’. Ela vai colocar qual é a sua área de pretensão. Sou padeiro, por exemplo, quero trabalhar como panificador, eu sou açougueiro, eu sou da área administrativa, eu sou da área da indústria. Nós vamos ter para tudo. O que não tivermos de vaga disponível no momento, nós vamos estar com o cadastro e vamos estar encaminhando essas pessoas para as empresas que tenham oportunidade com as vagas referente ao que realmente ela está buscando”, disse Daniele.
As empresas têm enfrentado dificuldades na contratação de pessoas. A psicóloga explica que essa dificuldade surge porque existe uma diferença entre as gerações. “Tem muita coisa que está mudando nessas relações trabalhistas agora. A geração passada, nós vivíamos para trabalhar. Sobrava um tempinho, nós íamos um chimarrãozinho, alguma coisa íamos curtir, era ok. A geração atual quer viver e também trabalhar. Está um pouco diferente. E o que eles estão buscando? Eles buscam mais qualidade de vida, eles buscam mais benefício das empresas, não tantas horas trabalhadas”, explica.
Daniele ainda destaca que a maior dificuldade é o período de permanência dos funcionários nas empresas. “A nossa grande dificuldade é de conseguir manter os talentos porque nós até conseguimos o colaborador, mas ele fica um mês, dois, até buscar uma outra oportunidade. E a intenção nossa é ter essas pessoas comprometidas, que elas entrem nas empresas, elas façam carreira, elas sejam valorizadas, elas mostrem realmente o porquê elas estão ali e que a empresa tenha toda essa confiança também, porque é para ambos os lados, a carta é a mesma, 50% de cada. Vemos que vai ter que estar alterando sempre um pouquinho de cada lado, tem que ter esse ajuste, tanto do empresário, como do colaborador, nós vamos ter que trabalhar num jogo de cintura ali”, conta.
Para a presidente da ACIAI, essa é uma consequência das várias gerações que estão no mercado de trabalho. “Nós estamos num período de várias gerações ao mesmo tempo. Essa é uma das maiores preocupações em tentar adequar cada um no seu. Porque nós estamos vivendo pessoas da geração Z, Y, X. E são fatores e fases diferentes. Cada uma passa de uma maneira diferente. Os mais novos estão plainando. Estão ainda procurando o quê, como, por conta das tecnologias, o TikTok e tudo mais, que vem a parte dos influencers também influenciam nesse nosso mercado hoje”, explica.
A psicóloga comenta que ao mesmo tempo que a nova geração busca um emprego para ter um salário, há empresas que estão dispostas a treinar os candidatos que não tem experiência. “Elas chegam, elas precisam de um emprego e esse emprego quer dizer cifrão, quer dizer salário. Muita gente fala: ‘Tenho essa oportunidade que não precisa de experiência, tem essa outra que não precisa’. Tem a vaga de açougueiro, a vaga de panificação, vaga de caixa. Seria legal se tivesse uma experiência, uma prática, mas não tem. Então, ok. Alguém vai estar te orientando, alguém vai estar te ensinando. A empresa está com essa disponibilidade para oferecer. A empresa está dispondo alguém, o seu tempo para mostrar. Aqui funciona assim, essa aqui é a porta, essa aqui é a entrada, esse aqui tem que funcionar dessa maneira, esse aqui é a matéria-prima, esse aqui é o horário. Sempre tem alguém com toda essa disposição para fazer o beabá”, conta.
Para os candidatos mais novos, o conselho é ter responsabilidade e comprometimento. “O que nós pedimos muito para eles é responsabilidade e comprometimento. São duas palavrinhas, que até nesse 50 anos ou mais, nós não precisávamos estar falando, porque já é nato na gente, mas tem que bater bastante isso. O que é a responsabilidade, como que funciona, o que é comprometimento, que é questão de horário, a questão de receber bem as pessoas, a educação. São coisas muito mínimas, mas nós sempre estamos orientando, está voltando lá atrás, para passar todas as informações, porque realmente, eles têm um lugar bom para trabalhar e que não tem nenhum problema entre empregado e empregador, que seja uma coisa bem coesa, bem legal”, disse Daniele.