Livro “Expressão de Sentimentos” será lançado hoje

05 de junho de 2026 às 16h32m

Escritora iratiense Filomena Zorek, autora do livro, contou sobre sua obra, em entrevista à Najuá. Lançamento será às 19h na Casa da Cultura/ Marina Bendhack com entrevista de Juarez Oliveira

Escritora e agricultora Filomena Zorek lançará o livro “Expressão de Sentimentos” hoje, às 19 horas, na Casa da Cultura de Irati. Foto: Juarez Oliveira

A escritora iratiense Filomena Zorek lança hoje, 5 de junho, às 19h, na Casa da Cultura de Irati, o livro “Expressão de Sentimentos”. O evento coincide com as celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente e busca unir literatura, reflexão e conscientização ambiental.

A obra propõe reflexões sobre a natureza, o cuidado com o planeta e o poder das palavras como instrumento de transformação. Com entrada gratuita, o evento é aberto à comunidade e pretende valorizar a cultura local e a preservação ambiental. O livro, que é o segundo da autora, foi desenvolvido dentro do projeto “Plantando o Futuro”, viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.

A ideia do livro nasceu na roça, enquanto Filomena exercia seu trabalho com a lavoura e agricultura e percebeu que o meio ambiente não está mais como era, relata a autora. “Começou lá em 2017 numa campanha da fraternidade, que o lema era ‘Cultivar e guardar a criação’. Aquele foi o ponto inicial. Na verdade, o tema dessa campanha, naquela época, em 2017, foi a fraternidade, ela ajuda. Toda campanha é para ajudar em alguma coisa e partir da campanha, se tomar uma decisão. Então, tem o tema e tem o lema. O tema foi ‘Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida’. Então, essa campanha mexeu com a vida”, contou.

A Campanha da Fraternidade de 2017 foi proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o objetivo de conscientizar sobre a preservação ambiental e a ecologia integral e marcou Filomena. A campanha e as observações da autora e agricultora sobre a falta de chuva, o desmatamento e calor em seu trabalho a levaram a fazer algo a respeito.

Filomena mora na comunidade Monjolo, área rural de Irati e começou a escrever o livro por volta de 2019. Porém, a pandemia de Covid-19 a impediu de publicar o livro em 2020, o que só aconteceu agora. O que mais marcou a autora foi a falta de água. Em seu livro, ela conta que fez um passo a passo sobre como proteger uma nascente. “Eu até fiz uma proteção de nascente, tá no livro, a matéria dele, tá até a receita de como fazer. […] Para quem se interessar em fazer, a gente ajuda, dá orientação e tudo. Eu fiz na comunidade da Pedra Preta, que é o terreno da minha família, minhas heranças lá. Meu sobrinho usa aquela água protegida pela Secretaria do Meio Ambiente e tudo. Eu precisei e, na verdade, já aproveitei passar a receita lá para fazer também”, diz Filomena.

Filomena explica que, quando há erosão na terra, ela vai embora e nunca mais volta. A terra tranca nascentes e rios e a água não tem lugar para passar. Por isso, a autora afirma que, quando a água pede licença para passar, nós temos que dar. “No livro mesmo está a água pedindo licença para passar, e nós não damos. Nós sufocamos o rio. […] Um capítulo do livro é como está e o segundo capítulo é como já está melhorando. Então, tem duas matérias sobre a terra no livro, que é uma com erosão, tem foto lá, que é onde nós plantamos e eu tirei foto. E, depois, a necessidade de conservar e a mesma área de terra está conservada em curva de nível, em plantio para proteger a terra. Isso eu fiz também para mostrar o antes e o depois”, frisa.

As mudanças no cuidado com o meio ambiente já estão sendo vistas pela autora e pelos agricultores no geral. Uma delas é destacada por Filomena: a venda de créditos de carbono pelos agricultores. O setor agrícola atua como vendedor de créditos de carbono gerados por práticas sustentáveis (como plantio direto e recuperação de pastagens). Os créditos podem ser comercializados para grandes empresas.

“Ela [a empresa] não tem uma área de mata para produzir o [crédito de] gás carbônico que ela mesmo acaba. Ela pode pagar para um agricultor que tem uma área de mata, que o agricultor já deixou para reserva, ele deixou para o bem-estar do meio ambiente e o agricultor pode vender o [crédito de] gás carbônico para uma empresa. Então, tem esse equilíbrio que tem jeito do agricultor tirar renda de lá”, informa.

A autora reforça no livro e em sua divulgação o que cada um pode fazer pelo meio ambiente. “Você pode fazer muito. O cuidado teu com lixo, não jogando lixo no meio ambiente ou você recolhendo um lixinho, seja um papelzinho de bala […] está contribuindo para cuidar desse meio ambiente”, diz Filomena.

A publicação do livro só foi possível por conta do Projeto “Plantando o Futuro”, que foi viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). O projeto conta com o apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná. “Não é o livro especial lá do Monjolo. Tem imagens? Tem, mas ele é um geral, não é especial Monjolo, não é especial Irati também, mas, como é dessa região, o lançamento é aqui, vai ser feito aqui e esse projeto tem me ajudado”, divulga a autora.

A autora contou o motivo de ter escolhido o dia 5 de junho para o lançamento do livro “Essa data, 5 de junho de 1972, em que surgiu o dia do meio ambiente. E por que surgiu? Porque quando o clima foi destornando (sic) tudo lá, foi se extraviando, surgiu a primeira conferência para cuidar do meio ambiente, foi em 1972, no dia 5 de junho, e eu escolhi essa data”, explica Filomena.

Há poucos exemplares do livro à venda. Foram manufaturados 100 mil livros e 80% destes serão doados, seguindo as condições do projeto Plantando o Futuro. Para adquirir o seu livro, o contato de Filomena é o (42) 984148372.

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