Leandre Dal Ponte lança segunda edição de “A Dona da Pensão” em Irati

26 de fevereiro de 2026 às 11h44m

Obra resgata histórias reais de acolhimento e esperança vividas na Casa de Apoio Ideal, referência nacional que completa 26 anos em 2026/Diego Gauron

Imagens do evento realizado ontem (24) no Park Dance, em Irati. Imagens: Reprodução

Irati recebeu ontem quarta-feira (25) o lançamento da segunda edição do livro A Dona da Pensão, escrito pela deputada federal e secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná, Leandre Dal Ponte. O evento foi realizado no Park Dance.

A nova edição reúne relatos e experiências vividas pela autora ao longo dos anos em que atuou na Casa de Apoio Ideal, instituição fundada por ela e reconhecida pelo acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. O espaço, localizado no bairro Jardim Botânico, em Curitiba, completa 26 anos em 2026 e chega a atender cerca de 500 pessoas por dia.

A origem da Casa e o nascimento do livro

Segundo Leandre, tudo começou quando ela deixou o interior do Paraná e foi para a capital com o propósito de fundar a Casa de Apoio. “Morei na casa de apoio durante muito tempo, cuidando das pessoas, e ali tive contato com milhares de histórias”, lembrou.

Grande parte dos acolhidos eram mães acompanhando filhos em tratamento, mulheres em situação de fragilidade e pessoas idosas sozinhas. “Todos traziam na bagagem, sem dúvidas, talvez, a pior notícia da vida: uma doença grave ou o diagnóstico de alguém muito amado.”

Foi dessa convivência que surgiu o desejo de registrar as histórias. “Eu percebi o quanto seria importante deixar pelo menos algumas delas registradas; histórias de resiliência, força, fé e esperança. Elas ajudam outros que passam por situações parecidas a acreditar que podem vencer, mesmo diante de um adversário implacável como o câncer”, contou.

A primeira edição do livro foi lançada em 2014, pouco depois de Leandre se afastar do trabalho direto na Casa. A segunda edição, agora revisada e ampliada, mantém as mesmas histórias originais, mas reforça o olhar humano sobre o acolhimento e o valor da presença.

Histórias que marcam

Entre os relatos que mais emocionam, a autora destaca o de uma família do município Bela Vista da Caroba. “Era um casal com duas filhas, e a caçula foi diagnosticada com um tumor na cabeça quando tinha menos de dois anos de idade”, narrou Leandre.

Após a cirurgia, a menina entrou em estado vegetativo, e os pais se mudaram para Curitiba para acompanhá-la. “Eles vieram morar com ajuda da prefeitura, que alugou uma casa no bairro Tatuquara. Mesmo assim, a rotina era muito difícil. As visitas à UTI eram de manhã e à noite, e eles passavam o dia inteiro na calçada do hospital, nos bancos da praça, esperando o horário da próxima visita.”

A história, que abre a nova edição do livro, ilustra o quanto o acolhimento é essencial. “Para quem não tem renda e precisa enfrentar essa rotina, é algo muito dramático. Mas essas pessoas me ensinaram o verdadeiro significado da esperança”, afirmou.

O acolhimento que transforma

Durante os anos em que viveu e trabalhou na Casa de Apoio, Leandre presenciou inúmeros exemplos de superação. “As pessoas chegavam com um problema enorme e, depois de alguns dias, já sorriam, já se apoiavam umas nas outras. Muitas diziam: ‘Achei que o meu problema era o maior do mundo, mas vi que tem gente enfrentando coisas ainda mais difíceis’. Era ali que nascia a resiliência.”

Ela contou que o ambiente da Casa se assemelhava a uma mistura de pensão e rodoviária: “Gente chegando e saindo o tempo todo. Eu trabalhei muito tempo na recepção, vendo essas transformações acontecerem diante dos meus olhos.”

Para Leandre, a obra também é um convite à empatia. “Muitas vezes, temos pequenas contrariedades na vida e achamos que o mundo vai acabar. Mas há pessoas lutando todos os dias pela chance de continuar vivendo.”

Irati como palco do lançamento

Leandre escolheu Irati para lançar a segunda edição por uma razão especial. “Irati tem uma história muito grande na minha vida. Me acolheu, me ajudou e sempre confiou em mim”, destacou.

A secretária também lembrou que um dos maiores legados de seu trabalho como deputada foi a instalação da unidade do Hospital Erasto Gaertner, em Irati, que ampliou o acesso a tratamentos oncológicos na região. “Antes, mais de 80% das pessoas precisavam ir a Curitiba. Hoje, podem fazer o tratamento perto de casa, o que dá mais coragem para enfrentar a doença”, afirmou.

A essência da vida e o valor da presença

Leandre conta que foi “provocada” a escrever o livro, a partir das histórias que relatava no dia a dia. “Eu recebia pessoas desesperadas, chorando, e tentava mostrar que sempre há alguém passando por algo ainda mais difícil. Era uma forma de consolar e também de fortalecer.”

A segunda edição preserva as histórias originais como forma de lembrar que a essência da vida não muda com o tempo. “O tempo pode passar, mas a essência da vida humana é a mesma. Aquilo que aprendemos há mais de dez anos continua muito atual”, disse.

Para ela, o lançamento também é uma reflexão sobre o mundo atual. “Vivemos um tempo muito tecnológico, muito digital. As pessoas perderam um pouco a noção do quanto é importante a presença. Um abraço, estar junto verdadeiramente, nada substitui isso. No momento em que alguém mais precisa, é o abraço que faz a diferença.”

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