Família denuncia demora na liberação do corpo de vítima de acidente e Prefeitura de Irati instaura sindicância

17 de agosto de 2026 às 14h07m

Marilze da Conceição Monteiro, de 50 anos, morreu após o carro em que estava capotar na PR 364, entre Irati e Inácio Martins, na manhã de domingo,16/Paulo Sava

Marilze faleceu após sofrer um acidente na PR 364, no trecho entre Irati e Inácio Martins, na manhã de domingo, 16. Corpo foi liberado para velório na manhã desta segunda-feira, 17. Fotos: Funerária Cristo Rei e Polícia Militar

A morte de uma mulher vítima de um acidente na PR-364, entre Inácio Martins e Irati, provocou reclamações da família sobre os procedimentos adotados após a confirmação do óbito. Familiares alegam que houve demora no acionamento da Polícia Científica por parte de funcionários do Pronto Atendimento Municipal, o que teria atrasado a liberação do corpo para o velório e o sepultamento.

O acidente ocorreu na manhã de domingo, dia 16, no quilômetro 122 mais 200 metros da rodovia, em Inácio Martins. O veículo envolvido, um Fiat com placas de Mangueirinha, saiu da pista e capotou após o motorista, de 36 anos, perder o controle da direção.

Uma das ocupantes do carro era Marilze da Conceição Monteiro, de 50 anos. Conforme informações da Funerária Cristo Rei, de Rebouças, ela foi socorrida com vida e encaminhada para atendimento em Irati, mas não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada no Pronto Atendimento Municipal (PAM) da Vila São João. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o filho da vítima, Diego Franciel Muller, e o proprietário da Funerária Cristo Rei, Daniel Ferreira Filho, relataram as dificuldades enfrentadas pela família após a confirmação da morte.

Segundo Daniel, o resgate foi complexo e exigiu um longo trabalho das equipes de socorro. “O SAMU foi acionado e estava difícil o acesso para retirar ela do veículo. O SAMU fez todos os procedimentos. Foram cerca de 30 minutos para chegar ao local do acidente e mais uma hora e vinte minutos para retirar ela das ferragens. Ela estava viva, consciente e se queixando de dor”, afirmou.

De acordo com ele, a vítima foi encaminhada para o Pronto Atendimento da Vila São João, onde a equipe médica tentou estabilizá-la. “Trouxeram ela até a UPA para estabilizá-la e tentar uma transferência. Quando chegaram à unidade, o médico a atendeu, mas ela entrou em óbito na UPA”, disse.

Daniel afirmou que recebeu a informação sobre a morte por volta das 16h e, posteriormente, tentou entrar em contato com o Instituto Médico-Legal (IML). No entanto, a equipe estava atendendo outra ocorrência. “O IML não me respondeu porque eles estavam em uma ocorrência no Riozinho. Eu comentei que, provavelmente, eles recolheriam a vítima do afogamento e depois seguiriam para a UPA”, relatou.

Diego também afirmou que entrou em contato com a unidade de saúde para confirmar se a Polícia Científica havia sido acionada.
“Liguei duas vezes na UPA e me informaram que o IML já havia sido acionado. Então, nós ficamos esperando. Depois retornamos a ligação novamente e ninguém atendia mais. Foram cinco ou seis ligações sem resposta”, contou.

Mais tarde, segundo Daniel, a equipe da Polícia Científica informou que não havia sido comunicada sobre o caso. “O IML me ligou e falou: ‘Daniel, nós não fomos acionados. Não sabemos de nada desse óbito na UPA. A Polícia Científica não foi acionada'”, afirmou.

Ainda no vídeo, Daniel criticou o que classificou como falta de comunicação entre os órgãos envolvidos e demonstrou preocupação com os transtornos causados à família. “Não gosto de injustiça e não gosto desse descaso com a família. Agora o IML não vai atender mais durante a madrugada. Eu calculo que o corpo será liberado perto do meio-dia, e o sepultamento estava marcado para as 17h. Como vai ficar essa família?”, questionou.

Ao final do pronunciamento, Daniel reforçou que o objetivo da gravação era alertar a população e esclarecer os fatos. “A gente está gravando esse vídeo para alertar as pessoas. Não é a primeira vez que isso acontece. Está tendo muita burocracia. A gente não quer que isso aconteça com mais ninguém”, declarou.

Em nota, a Prefeitura de Irati informou que instaurou uma sindicância para apurar o caso. “Em relação à situação ocorrida no último domingo, 16 de agosto, sobre o possível atraso no acionamento da Polícia Científica após o óbito de uma paciente, a Prefeitura informa que uma sindicância foi instaurada para correta apuração dos fatos. Os envolvidos serão ouvidos para a adequada elucidação, com vistas à eventual responsabilização e também ao aprimoramento do serviço público”, informou a administração municipal.

A diretora do Consórcio Intermunicipal SAMU Campos Gerais (CIMSAMU), Emanuele de Matos Schuck, contou quais são os procedimentos adotados pelas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em situações em que o paciente morre durante o atendimento ou enquanto está sendo transportado.

Segundo ela, quando o óbito é constatado no local da ocorrência, a equipe do SAMU realiza os procedimentos necessários e aciona a Polícia Militar, que, posteriormente, comunica a Polícia Científica para dar continuidade aos trâmites legais. Já nos casos em que a morte ocorre durante o deslocamento, o protocolo prevê que o corpo seja encaminhado ao primeiro ponto de atenção disponível, como uma unidade de saúde, para que os órgãos responsáveis sejam acionados.

Emanuele explicou que, nesses casos, a Polícia Científica ou o Instituto Médico-Legal (IML) é responsável pelo recolhimento do corpo, principalmente em situações envolvendo acidentes ou quando ainda não é possível determinar se a morte ocorreu por causas naturais.

A diretora ressaltou que as ambulâncias não podem permanecer paradas aguardando a chegada da equipe responsável pela remoção do corpo, pois os veículos precisam ser liberados para atender outras ocorrências. “Não tem como ficar com o corpo dentro da viatura até a chegada da Polícia Científica. A ambulância precisa ser liberada para continuar os atendimentos. Por isso, o protocolo prevê que o corpo seja deixado em um ponto de atenção até que os órgãos competentes façam o recolhimento”, explicou.

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