Obra dos irmãos Júnior e Thaís Crovador apresenta universo de fantasia sombria inspirado em séries, mitologia e experiências da infância/Paulo Sava e Juarez Oliveira

Resumo: – Autores falaram sobre o processo criativo, as inspirações e os desafios para transformar o universo fantástico em realidade;
- Primeira edição, lançada em 2014, passou por reformulações até chegar ao formato atual;
- Universo da obra foi inspirado em séries e sagas de fantasia
A Casa da Cultura de Irati recebe até sexta-feira, 22, uma exposição especial sobre o universo de “ATFA”, série literária criada pelos irmãos Júnior e Thaís Crovador. Além das ilustrações, brasões, colares e elementos cenográficos inspirados na obra, o espaço também marca o lançamento do livro “ATFA: Cantiga dos Esquecidos”, primeiro volume de uma série planejada em oito livros.
Durante entrevista à Rádio Najuá, os autores falaram sobre o processo criativo, as inspirações e os desafios para transformar o universo fantástico em realidade. Júnior Crovador contou que o projeto começou ainda na adolescência. “ATFA sempre foi um projeto que desde muito jovem eu comecei a pensar. Quando eu tinha lá meus 13 anos eu comecei a elaborar os primeiros rascunhos dessa série”, relembrou.
Segundo ele, a primeira versão foi lançada em 2014, mas passou por diversas reformulações até chegar ao formato atual.“O plano era ser uma série de oito livros e até hoje continua esse plano. Agora a gente está lançando o livro ‘ATFA: Cantiga dos Esquecidos’, que é o primeiro volume”, explicou.
O autor revelou que o universo da obra foi inspirado em séries e sagas de fantasia como Game of Thrones, Outlander, Harry Potter e The Lord of the Rings. “Quem gosta desse tipo de universo entende um pouquinho da paixão que a gente sente. Como eu tinha afinidade com a escrita, eu não podia deixar de escrever minha própria série”, afirmou.
O nome “ATFA”, segundo Júnior, representa o mundo fantástico onde a história se passa e possui relação com os elementos água, terra, fogo e ar, que fazem parte da mitologia da série. “Tem deuses elementares relacionados a esses elementos e a série fala muito disso”, destacou.
A parte visual da obra foi desenvolvida em parceria com a irmã, Thaís Crovador, responsável por diversas ilustrações da exposição. Ela comentou que o trabalho exigiu sintonia para conseguir transformar em imagens aquilo que o irmão imaginava. “Foi uma parceria muito boa, mas também foi um desafio, porque é um mundo bem complexo. Conseguir traduzir isso em arte foi algo desafiador”, relatou.Segundo Thaís, o processo de criação durou cerca de um ano e envolveu muitas discussões e revisões. “Às vezes a gente passava mais de 60 horas em um único desenho”, contou.

A exposição reúne criaturas fantásticas, brasões das famílias que governam os reinos de ATFA e até colares produzidos em cerâmica fria, representando os elementos e símbolos da série. Júnior explicou que cada reino possui identidade própria, lemas e rivalidades. “No livro existem oito reinos e oito famílias que governam esse mundo. Cada uma tem sua maneira de pensar e governar. É interessante explorar diferentes aspectos de um mesmo universo”, disse.
O escritor também destacou que a nova versão da obra possui um tom mais maduro e voltado ao público adulto. “Hoje em dia ele está totalmente voltado para o público adulto. É uma fantasia mais pesada, mais complexa. Eu quis explorar questões políticas, sociais e conflitos entre reinos”, comentou.
Além da fantasia, os autores afirmam que a série também traz referências pessoais e elementos da infância vivida pelos irmãos. Um dos cenários apresentados na exposição, por exemplo, foi inspirado no sótão da casa da avó deles. “A gente tenta trazer elementos do que já viveu também. Isso facilitou bastante”, explicou Thaís.
A exposição fica disponível até sexta-feira, 22, na Casa da Cultura e, na próxima semana, será levada para a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em uma parceria entre as instituições.
O livro “ATFA: Cantiga dos Esquecidos” está disponível atualmente apenas em formato digital. Segundo Júnior, a decisão ocorreu devido ao alto custo da impressão física da obra, que possui cerca de 870 páginas e diversas ilustrações coloridas. “Nosso sonho é trazer a versão física futuramente. Por enquanto, focamos no digital para tornar o acesso mais fácil”, explicou.
Os interessados podem adquirir a obra e acompanhar novidades sobre a série pelo Instagram “Série ATFA”, onde também está disponível o link para acesso ao site oficial do projeto. Ao final da entrevista, os irmãos agradeceram o espaço para divulgação do trabalho e destacaram a importância da valorização dos artistas locais. “A gente tem tanta coisa bacana aqui em Irati que precisa ser divulgada. E essa é uma delas”, afirmou Thaís.








