Ex-delegado de Rebouças é condenado por corrupção passiva

20 de fevereiro de 2019 às 09h56m

Denúncia está relacionada a um processo em andamento desde 2005 na comarca de Marechal Cândido Rondon

Paulo Henrique Sava, com informações da Rádio Alvorada
O ex-delegado de Rebouças, Eduardo Mady Barbosa, foi condenado em segunda instância a cinco anos de prisão em regime semi-aberto. Ele é acusado de corrupção passiva. O processo pelo qual o ex-delegado foi condenado está relacionado à Operação Tentáculos, deflagrada em 2005, enquanto ele comandava a Delegacia de Marechal Cândido Rondon.

Confira o áudio desta reportagem no fim do texto

Barbosa e outros três policiais envolvidos no caso foram condenados por extorsão do proprietário de uma pistola durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na localidade de Porto Mendes. O proprietário teria solicitado aos policiais que trocassem a arma apreendida no registro por um revólver, o que reduziria a sua pena, uma vez que a pistola é de uso restrito das Forças Armadas. 
Os policiais teriam solicitado dinheiro ao homem para efetuar a troca, o que configura crime de extorsão, conforme a interpretação da investigação. Na oportunidade, outras duas pessoas e o delegado, que foram condenados em 1ª instância, recorreram da decisão. No caso dos policiais, o prazo para cumprimento do mandado de prisão prescreveu, segundo Barbosa.
O promotor da Comarca de Rebouças, Oséias Vogler, disse em entrevista à Rádio Alvorada de Rebouças que, como houve a condenação em segunda instância, o desembargador responsável pelo caso expediu o mandado de prisão, uma vez que a legislação autoriza a prisão de condenados nesta fase do processo.
“Trata-se de uma execução provisória de pena, pois ainda estão ocorrendo recursos por parte do doutor Eduardo. Este processo irá tramitar até o STJ, mas como a regra atual, de acordo com entendimento majoritário do STF, é a execução da pena provisória já com a condenação em 2ª instância, como é o caso do ex-presidente Lula, então já se executou a sentença de forma provisória aqui na nossa comarca”, frisou.
O promotor relata que, como não há vagas no sistema prisional para que o ex-delegado compareça numa penitenciária no período noturno, ele está utilizando tornozeleira eletrônica e somente pode sair de casa para trabalhar ou estudar, desde que tenha autorização judicial.

Com a palavra, o ex-delegado

Barbosa contou sua versão sobre os fatos pelos quais foi condenado. Ele relata que os policiais foram cumprir um mandado de busca em uma residência. No entanto, eles teriam trocado uma pistola, que seria a arma apreendida, por um revólver. Conforme a acusação, o delegado e os policiais foram acusados de pedir dinheiro para o proprietário das armas para concretizar a troca.
O delegado afirmou que estava de folga naquele dia, e que os policiais levaram o Boletim de Ocorrência para ele assinar. Porém, Barbosa disse que não teve conhecimento dos fatos “Nós recorremos ao STJ, mas depois desta determinação, eu vou cumprir a decisão judicial, que ainda não transitou em julgado”, pontuou.
Barbosa afirma categoricamente que a condenação não tem qualquer relação com sua atuação na região, desmentindo assim boatos de que ele estaria envolvido com políticos em esquemas de corrupção. “Não tem nada a ver com isto: simplesmente é um processo de 2005 contra o qual estamos recorrendo ao STJ, e eu acredito na minha vitória porque não devo isto, mas vou cumprir”, frisou.
Eduardo Mady Barbosa atuou mais de 24 anos como delegado. Ele trabalhou por mais de dez anos na região, onde solucionou diversos crimes. O ex-delegado se afastou da Polícia Civil em dezembro, quando anunciou sua aposentadoria. Na ocasião, ele comandava a Delegacia de Rebouças. 
“Eu sempre pautei minha vida por isto, mas a Polícia tem estes problemas, nós estamos dia a dia em contato com a criminalidade e expostos a estas situações. Eu tenho toda uma história que pauta a minha vida, e não é por causa deste fato que eu vou deixar de falar com a população: ao contrário, eu faço questão de esclarecer a situação. Mas, diante da determinação judicial, me cabe apenas cumprir [a decisão]”, finalizou.
O processo corre no Tribunal de Justiça do Paraná sob o número 0000738-58.2019.8.16.0112.
Confira a entrevista completa com o ex-Delegado Eduardo Mady Barbosa
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