Em audiência pública, moradores reclamam das constantes faltas de água em Irati

Durante a audiência, representantes da Sanepar apresentaram obras que devem melhorar o sistema de abastecimento…

17 de março de 2025 às 20h21m

Durante a audiência, representantes da Sanepar apresentaram obras que devem melhorar o sistema de abastecimento de água de Irati/Paulo Sava

Em audiência pública,moradores de Irati reclamaram das constantes faltas de água para a Sanepar. Foto: Paulo Sava

Em audiência pública realizada na noite da última sexta-feira, 14, na Câmara de Vereadores, moradores de Irati reclamaram das constantes faltas de água no município. Representantes da Sanepar participaram do evento, apresentando as obras que estão sendo realizadas para melhorar o sistema de abastecimento na cidade e no interior.

O presidente do Observatório Social, Gerson Musial, foi um dos primeiros a reclamar da falta de água e do atendimento prestado pela Sanepar. Ele acionou a empresa judicialmente por conta destes problemas. “Faz três anos que eu venho sofrendo nas mãos da Sanepar, inclusive estamos demandando judicialmente nas pequenas causas por falta de esclarecimento e de preparo dos funcionários que nos atendem. A resposta que eu recebo cada vez que vou fazer uma indagação lá é que o sistema é assim e que manda neles. Hoje eu vim até aqui para fazer este desabafo. Não temos ninguém aqui que nos proteja disso”, frisou.

Peterson Salamão, advogado e morador do Conjunto Joaquim Zarpellon, lamentou o fato de muitas pessoas chegarem em casa e não terem água sequer para higiene pessoal. Foto: Paulo Sava

O advogado Peterson Salamão, morador do Conjunto Joaquim Zarpellon, afirmou que pessoas sem condições de ter uma caixa-d’água em casa sofrem com os desabastecimentos constantes. “É ridículo trabalhar o dia inteiro, chegar em casa e não ter água. É ridículo o pessoal ligar para a Sanepar e sempre ouvir que tiveram problemas com a adutora, que a empresa vai resolver, que está melhorando, e nunca melhora. Graças a Deus, muitos de nós aqui temos condições de comprar um galão de água para tomar, mas e as pessoas que estão na periferia da nossa cidade, aquelas que não têm condições de terem duas ou três caixas-d’água em casa? Ou aquelas que trabalham a semana inteira e chegam aos sábados e domingos precisando lavar roupa e fazer a faxina da casa, vai abrir a torneira e não tem água. Ah, mas liga na Sanepar e vamos registrar. O povo não aguenta mais ligar na Sanepar e sempre ter as mesmas desculpas. Quem tem dinheiro para investir e melhorar e vai conseguir resolver o problema é a Sanepar”, desabafou.

Peterson solicitou que a Sanepar tenha respeito pelos consumidores iratienses e resolva definitivamente o problema da falta de água. “O que nós estamos pedindo para a Sanepar, por favor, é que, assim como nós temos que pagar em dia o nosso talão, se não vamos sofrer uma consequência, que é o corte da nossa água, nós estamos pedindo respeito ao trabalhador e às famílias de Irati, e resolvam o problema. Não é possível que, arrecadando milhares ou milhões de reais, não vão conseguir resolver o problema. O dinheiro tem, precisa é ter vontade. Estamos pedindo que nos respeitem, isto porque moro no Joaquim Zarpellon e todo mundo reclama. Jardim das Américas, Lagoa, Vila Nova, Vila Matilde e Vila Raquel, o pessoal reclama. Não é algo político, apenas de um grupo ou de uma situação, a cidade está perecendo com isso”, lamentou.

Na foto, o prefeito de Irati, Emiliano Gomes (PSD) aparece ao lado da diretora-geral da Sanepar para a região sudeste do Paraná, Simone Alvarenga de Campos. Foto: Paulo Sava

Preocupação do Executivo

O prefeito Emiliano Gomes ressaltou que a falta de água no município tem sido uma preocupação constante de sua gestão desde o início do ano. Ele afirmou que o Executivo tem feito o possível para recorrer à Sanepar e ao Governo do Estado para solicitar a resolução do problema. “Neste sentido, todas as ações são importantes, e a gente, enquanto gestão, não mediu nenhum esforço para podermos recorrer aos órgãos competentes, ao Governo do Estado e à Sanepar, para que, de fato, pudéssemos trazer mais clareza e lutar por aquilo que temos direito, que é mais investimentos e atenção do Estado. Tanto nós quanto a equipe, desde o primeiro momento em que começou a se intensificar este debate em nossa cidade e em outros municípios, recorremos às pessoas, aos técnicos que têm conhecimento”, frisou.

Os problemas no sistema de abastecimento de água de Irati vêm acontecendo há muitos anos. Por isso, na avaliação de Emiliano, o município necessita de investimentos imediatos nesta área. “É um problema que vem se alastrando há muitos anos, assim como inúmeras crises que estamos enfrentando. Irati chegou em um momento que precisa de investimentos, de novas adutoras, dos bags de abastecimento, de bombas com maior pressão, enfim, nós precisamos deste investimento do Estado, onde o município não consegue chegar. O nosso papel é, de certa forma, limitado enquanto gestão, a gente consegue ir até certo ponto fazendo o básico, que é a utilização, por exemplo, em casos de emergência, dos caminhões-pipa. Mas não medimos esforços para que pudéssemos obter uma resposta rápida”, comentou.

José Geraldo Machado Filho, gerente regional da Sanepar em Ponta Grossa, disse que investimentos da Sanepar em Irati podem chegar a R$ 35 milhões no processo de tratamento de água e R$ 17 milhões no tratamento de esgoto até 2029. Foto: Paulo Sava

Investimentos para reduzir faltas de água em Irati

O gerente regional da Sanepar em Ponta Grossa, José Geraldo Machado Filho, destacou que os investimentos a serem feitos pela Sanepar em Irati devem chegar à casa dos R$ 35 milhões no processo de tratamento de água e outros R$ 17 milhões no tratamento de esgoto até o ano de 2029. Entre os serviços a serem feitos, estão a instalação de um novo sistema de captação, uma nova adutora de 15,6km, e uma expansão de 15 litros por segundo no tratamento de água. Com isso, a capacidade de produção de água tratada de Irati passará de 70 para 115 litros por segundo no final de 2027.

Recentemente, a Sanepar ampliou a capacidade do sistema de captação de água, localizado no Rio Imbituvão, de 63 para 70 litros por segundo. Isto representa uma melhoria significativa no abastecimento, na opinião de Machado. “A Sanepar aduzia 63 litros por segundo, e agora está aduzindo 70 litros por segundo com a implantação de mais um motor na captação do Rio Imbituvão. Isto representou 11% de aumento na produção de Irati, representando 600m³ por dia. Não precisamos mais de caminhões-pipa aqui em Irati”, pontuou.

Caminhões-pipa

Outro recurso importante para amenizar a falta de água em Irati foi a utilização dos caminhões-pipa para coletar água em Prudentópolis e abastecer os reservatórios de Irati. Em janeiro, foram utilizados 105 caminhões; em fevereiro, por conta do calor, foram utilizados 208 caminhões. Já em março, o número de caminhões utilizados diminuiu bastante, segundo Machado. “Este aumento na produção de água diminuiu a necessidade de caminhões-pipa e também diminuíram as faltas de água em Irati”, comemorou.

Baixa pressão na rede e terra misturada à água

Frequentemente, moradores reclamam também da baixa pressão e da presença de terra na água quando o abastecimento é retomado. Machado pede que, em casos assim, as pessoas informem a Sanepar pelo telefone 0800-200-0115 ou pelo WhatsApp (41) 99544-0115. “Vocês têm que reclamar mais para a Sanepar, têm que ligar na Sanepar e registrar estas reclamações, porque para nós não tem aparecido. Eu mostrei na apresentação diversas vezes que o problema aqui em Irati não é que estivesse resolvido, mas que já avançou bastante em relação aos meses do início do ano, janeiro e fevereiro”, afirmou o gerente.

Obras devem melhorar sistema de abastecimento de água

A diretora geral da Sanepar na região sudeste do Paraná, Simone Alvarenga de Campos, destacou que, após algumas melhorias feitas no sistema, como o aumento da capacidade de captação de água, o sistema de abastecimento do município melhorou. Mesmo assim, será feito um monitoramento para que o serviço seja prestado da melhor forma possível.

Simone contou quais obras estão sendo realizadas no sistema de abastecimento. A Sanepar deu um prazo até o mês de julho para que elas estejam concluídas. “No último dia 17 de fevereiro, conseguimos fazer uma melhoria na captação e no transporte de água bruta, que vem a ser tratada na estação de tratamento, saímos de 63 litros para 70 litros por segundo. Estamos com uma obra de melhoria de rede na região do Tucholka, que também está sendo finalizada. Estamos programando a implantação de um reservatório tipo bag até o mês de julho, assim como a reativação da captação do Nhapindazal e do poço 01, para que possamos incrementar a produção de água no município a médio prazo. De imediato, fizemos esta melhoria na captação, agora temos estas ações até o mês de julho, e estamos em fase de licitação de uma obra bem importante para o município, que são 15 km de adutora, duplicando a capacidade de adução do Rio Imbituvão até a estação de tratamento, e o aumento da capacidade da estação de tratamento. Esta obra vai começar agora em 2025 e vai passar a produção de 70 para 115 litros por segundo. É justamente para darmos vazão ao crescimento da cidade”, comentou.

A diretora geral voltou a apontar o calor excessivo e o alto consumo como causas do desabastecimento em bairros de Irati. “Havia necessidade desse aumento de produção, é claro que tivemos um período de bastante calor no mês de fevereiro, uma sequência de dias quentes, mas já conseguimos resolver uma boa parte, fazendo este incremento da produção. Como recebemos estas reclamações hoje (sexta-feira), nos comprometemos a fazer um monitoramento nestes bairros que os vereadores e a população reclamaram, para verificarmos se precisamos fazer alguma melhoria na distribuição de rede. No Tucholka, estamos fazendo 690 metros de rede, ligando a adutora ao bairro, justamente para melhorarmos o transporte de água naquele bairro que está tendo esta baixa pressão ou falta de água. É isto que nos comprometemos a fazer aqui, este monitoramento nos próximos dias, para que, havendo necessidade destas melhorias, possamos providenciar melhorias o mais rápido possível”, destacou.

Vereador Alcides Cezar Pinto (Batatinha) não acredita que obras anunciadas possam resolver o problema da falta de água em Irati. Foto: Paulo Sava

O vereador Alcides Cezar Pinto, o Batatinha (União Brasil), um dos proponentes da audiência pública, não acredita que as obras a serem realizadas possam resolver o problema da falta de água em Irati. “É tudo lindo e maravilhoso, mas que, de fato, vivenciamos há alguns dias a falta de água e pessoas passando dificuldade, e não podemos mais aceitar isto. De novo, é um programa muito bem elaborado, bem apresentado, às mil maravilhas, mas eu sou sincero e não acredito que isto vai resolver o problema. Vários bairros da cidade e vários loteamentos precisam desta extensão. Então, como foi citado por muitos, tem recurso, nós não conseguimos ter contato com a Sanepar, a população nos procura para que nós possamos dar respostas para ela, e nós ficamos de mãos atadas, sem resposta. Pedimos que vocês possam estar mais próximos dos poderes Executivo e Legislativo para que possamos levar estas demandas para vocês e tentar ajudar a resolver. Nós sabemos que só depende de vocês poderem investir”, solicitou o vereador.

Vereadora Sybil Dietrich (ao centro) diz que desabastecimento de água fere a dignidade da população iratiense. Foto: Paulo Sava

Para a vereadora Sybil Dietrich (PP), outra proponente da audiência, o desabastecimento de água fere a dignidade da população iratiense. “Se chegou nesta situação em que está hoje, com as pessoas vindo até aqui e reclamando desta situação, é porque o problema da falta de água tratada no nosso município fere a dignidade da nossa população. É uma questão que fere a saúde pública, o trabalho destas pessoas, o lazer, enfim, está atrapalhando o cotidiano. Isto tem chegado a nós, vereadores, à imprensa, às redes sociais e aos meios de comunicação diariamente”, finalizou.

Um inquérito para apurar as constantes faltas de água foi instaurado pelo Ministério Público, através da 3ª Promotoria, a pedido da vereadora Teresinha Miranda Veres (PL). A promotora Gabriela Cunha Melo Prados se comprometeu a acompanhar o andamento das obras que a Sanepar disse que vai fazer em Irati.

Gerson Musial, presidente do Observatório Social de Irati, está movendo uma ação contra a Sanepar por conta do atendimento prestado pelos servidores da empresa. Foto: Paulo Sava
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