Partido Verde entende que o denunciado não poderia ter participado de votação do próprio julgamento
Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch
© Blog do PV
O PV, através de seu presidente Walter Trevisan, questiona o fato de Karas ter participado da votação realizada em sessão extraordinária no final de setembro. Karas foi absolvido e o caso foi arquivado.
O Diretório Municipal do Partido Verde (PV), através de seu presidente Walter Trevisan, manifestou repúdio à condução do julgamento da Comissão Processante contra o vereador Wilson Karas, que foi acusado de incompatibilidade, por supostamente dirigir a Cooperativa Girassol concomitantemente ao cargo de vereador, o que contraria ao artigo 62 do Regimento Interno. O PV questiona o fato de Karas ter participado da votação realizada em sessão extraordinária no final de setembro. Karas foi absolvido e o caso foi arquivado.
A carta foi lida pelo secretário da Mesa Diretora da Câmara, o vereador Marcelo Rodrigues (PP), na sessão ordinária desta terça (10). “O Partido Verde de Irati, representado pelo presidente Walter Henrique Trevisan, vem respeitosamente dirigir-se ao presidente da Câmara Municipal de Irati, vereador Hélio de Mello, para expressar o desconforto dos membros do PV em relação à maneira como foi conduzida a sessão extraordinária realizada no dia 27 de setembro de 2017, onde o vereador Wilson Karas participou de votação da qual ele era o acusado. Não estamos questionando o mérito do relatório apresentado, nem mesmo a votação dos membros desta Casa de Leis, e sim a forma processual como ocorreu a votação”, afirma Trevisan na carta lida pelo vereador Marcelinho.
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O vereador José Bodnar (PV) se manifestou contrário à opinião do presidente do próprio partido. “Não é do meu agrado, porque eu participei da Comissão Processante, tivemos um trabalho onde tivemos a orientação dos advogados; o vereador Rogério Kuhn (PV) participou da Comissão de Ética. Se houve algum equívoco, não resta, dentro dessa carta de repúdio, dizer que a Câmara conduziu [a votação] de maneira errada”, argumentou.
Os vereadores Marcelo Rodrigues e Roni Surek (PROS) criticaram a insistência dos vereadores do PV, Rogério Kuhn e Zequinha, na apresentação de requerimento para anular sessão que inocentou Wilson Karas (PSD).
Kuhn e Bodnar discordam do fato de Karas ter participado da votação onde ele próprio estava sendo acusado de incompatibilidade parlamentar, mas solicitaram a retirada do requerimento pedindo a anulação da sessão que o inocentou, para reapresentá-lo na próxima semana.
Marcelo Rodrigues usou a Tribuna e o próprio Wilson Karas pediu um aparte para desabafar:
“Independentemente de qualquer coisa, acho que todos os vereadores tiveram tempo para entrar com pedido de anulação, quando o vereador Vilson Karas votou favorável pelo prosseguimento do processo e não o fizeram. Teve uma assessoria jurídica, que foi paga por esta Casa, e lá ninguém discutiu, ninguém opinou”, observou Marcelinho.
Karas declarou que vem sendo alvo de “perseguição” de opositores, como o vereador Rogério Kuhn. “Desde o começo [da legislatura], tudo quanto era vírgula ele achava que era contra mim. Nunca fui contra ele, nunca tive nada contra ele, mas ele sempre está me perseguindo”, desabafou.
Processo arquivado
© Divulgação/Câmara
Karas foi acusado de atuar como tesoureiro da Cooperativa Girassol, que mantém contrato com o Poder Público Municipal para o fornecimento de alimentos para a merenda escolar
A acusação de incompatibilidade contra o vereador Vilson Karas (PSD) foi arquivada. O relatório que indicava a procedência da acusação recebeu seis votos favoráveis e quatro contrários. O arquivamento se deveu ao fato de que a perda de mandato dependia de maioria qualificada (sete votos, ou 2/3 dos vereadores).
A denúncia que resultou na instauração da CP foi formulada pela Mesa Diretora da Casa para apurar suposta incompatibilidade do vereador Wilson Karas em contrariedade a Lei Orgânica Municipal, que veda a participação de detentor de cargo eletivo concomitante a cargo de direção de empresa que possui contrato com a administração pública.
Karas foi acusado de atuar como tesoureiro da Cooperativa Girassol, que mantém contrato com o Poder Público Municipal para o fornecimento de alimentos para a merenda escolar. Segundo a denúncia, o vereador não poderia integrar a diretoria da Cooperativa, já que este cargo é incompatível com o exercício do mandato parlamentar, segundo o Regimento Interno da Câmara e a Lei Orgânica Municipal, que em seus artigos 33, 34 e 62, proíbe a participação de vereadores e do próprio prefeito na diretoria de empresas ou cooperativas que tenham contrato com o município.
Vereador desempenha o 3º mandato
Wilson Karas foi eleito para seu terceiro mandato na Câmara de Irati nas eleições de 2016. Ele obteve 964 votos pelo PSD e foi reeleito. Em 2012, Karas, que também era filiado ao PSD, recebeu 839 votos e foi um dos dez candidatos eleitos para compor o legislativo municipal na legislatura 2013-2016. O agricultor que reside no interior de Irati, na região de Gonçalves Junior, foi eleito pela primeira vez em 2004, quando obteve 767 votos pelo Partido Popular Socialista (PPS). Em 2008, Karas recebeu 746 votos e não conseguiu ser reeleito. Na eventualidade de ser cassado, quem assumiria seu lugar seria o suplente Leomar Jacumasso, conhecido como Nego Jacumasso.
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