Evento reuniu representantes das 52 paróquias, autoridades religiosas e civis, além de destacar a história, as vocações e os desafios da Igreja para os próximos cem anos/Paulo Sava, com informações da PASCOM

Resumo:
-Lideranças religiosas e representantes da comunidade destacaram a trajetória histórica da Diocese;
-Participantes também ressaltaram o papel da Igreja Católica na evangelização;
-Criação da Paróquia Nossa Senhora da Luz de Irati também foi debatida no encontro.
A Diocese de Ponta Grossa comemorou no domingo (10) o centenário de sua criação com uma grande celebração realizada no Centro de Eventos da cidade. O encontro reuniu cerca de 10 mil pessoas e contou com a participação das 52 paróquias da diocese, além de bispos de várias regiões do Paraná e do Brasil, padres, religiosos, seminaristas e autoridades civis.
A programação incluiu recepção das caravanas, celebração de missa, instituição de novos catequistas e apresentação musical da comunidade Shalom. Durante o evento, lideranças religiosas e representantes da comunidade destacaram a trajetória histórica da diocese e o papel da Igreja Católica na evangelização e no desenvolvimento social da região ao longo dos últimos cem anos.
Um dos temas abordados durante uma live da Pastoral da Comunicação foi a chegada de Dom Antônio Mazzarotto, primeiro bispo da diocese, em 1930. O escritor e pesquisador Herculano Batista Neto relembrou que um dos primeiros atos do bispo foi a criação da Paróquia Nossa Senhora da Luz, de Irati, em 1931, a primeira da então recém-criada diocese.
“Dom Antônio Mazzarotto começou a fazer muitas viagens, porque ele pegou um território muito importante, muito extenso. […] Algumas visitas aconteceram no sentido de perceber todo o território”, afirmou Herculano.
Ele destacou ainda que a criação da paróquia de Irati representou um marco histórico para a diocese. “A nossa paróquia acabou sendo erigida aos 11 de março de 1931. Então, claro, foi uma festa muito grande e foi o primeiro decreto de Dom Antônio Mazzarotto”, comentou.
Herculano também falou sobre a emoção de participar das comemorações do centenário após décadas pesquisando a história da Igreja na região. “Para mim está sendo um grande prazer. Já tive a oportunidade de mergulhar um pouco na história e escrever sobre a nossa paróquia. Hoje, chegando num centenário, é uma data tão importante que você vê concretizar. Então, é automático você ficar relembrando fatos e percebendo tudo isso culminando hoje na festa do centenário”, disse.
Ao falar sobre o futuro da Diocese de Ponta Grossa, Herculano ressaltou o crescimento da Igreja na região. “Só na gestão do Dom Bruno nós já temos cinco novas paróquias. Então, só temos que antever uma situação para a Igreja Católica muito positiva, muito festiva”, afirmou.
Durante a programação, o padre Hélio Guimarães destacou a importância das vocações religiosas e sacerdotais na construção da história da diocese. “Celebrar um centenário é celebrar a presença das vocações de tantos batizados, de tantos fiéis leigos e leigas, de tantos matrimônios santificados, mas também de maneira muito especial dos padres, bispos, religiosos e religiosas que fizeram parte da história da nossa diocese”, ressaltou.
Ele também enfatizou a forte presença das congregações religiosas em Ponta Grossa e na região. “Quando a gente anda pelo Brasil e diz que é da Diocese de Ponta Grossa, as pessoas falam do ‘Vaticano Brasileiro’, porque aqui estão presentes muitas congregações religiosas”, comentou.
Segundo o padre Hélio, várias congregações chegaram à diocese ao longo das décadas para atuar na evangelização, educação, assistência hospitalar e trabalhos sociais. “Tem congregações que vieram para ajudar na educação, nos orfanatos, nas creches, nos hospitais, na pastoral paroquial e também no trabalho com dependentes e pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirmou.
A padroeira da Diocese de Ponta Grossa, Nossa Senhora Mãe da Divina Graça, também foi lembrada durante a celebração. O bispo Dom Bruno Eliseu Versari contou a história da devoção, que teve início em 1963, quando Dom Geraldo Pelanda recebeu do Papa Paulo VI uma imagem da santa durante viagem a Roma.
“Dom Geraldo recebeu das mãos do Papa Paulo VI uma imagem de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça com a recomendação de que esta imagem fosse portadora de todas as graças e bênçãos celestes para a Diocese de Ponta Grossa e para o povo do Paraná e do Brasil”, relatou.
Dom Bruno lembrou ainda que o santuário dedicado à padroeira foi inaugurado em 1979, junto ao Parque Estadual Vila Velha, e tombado como patrimônio histórico e cultural em 2023.
A prefeita de Ponta Grossa, Elisabeth Schmidt, destacou a contribuição da Igreja Católica para o desenvolvimento da cidade e da região. “Celebramos o centenário da Diocese que, ao longo deste século de vida e comunhão, ajudou a formar comunidades de fé, redes de cuidado, solidariedade e serviço”, afirmou.
Ela ressaltou que o crescimento da cidade ocorreu paralelamente à expansão da Igreja Católica. “Hoje, Ponta Grossa conta com 29 paróquias, que são verdadeiras referências de fé, solidariedade e serviço ao bem comum”, declarou.

O arcebispo de Londrina e presidente do Regional Sul 2 da CNBB, Dom Jeremias Steinmetz, afirmou que a Igreja deve continuar promovendo a paz e fortalecendo a fé. “A Igreja quer continuar dando a sua contribuição para a paz, para o desenvolvimento e para a sinodalidade, reunindo o nosso povo ao redor da fé”, destacou.

Já o arcebispo emérito de Salvador e ex-bispo de Ponta Grossa, Dom Murilo Sebastião Ramos Krüger, resumiu os cem anos da diocese como um período marcado por graças e responsabilidades. “O Senhor fez em mim maravilhas. Eu penso que este é o resumo desta história. Quantas graças, benefícios e dons o Senhor distribuiu nesta Diocese ao longo de cem anos”, afirmou.

O bispo emérito da Diocese de Ponta Grossa, Dom Sergio Arthur Braschi, encerrou as homenagens destacando os desafios da missão da Igreja para o futuro. “Que nós possamos dar seguimento aos novos cem anos, construindo mais vida, esperança, comunhão e participação que leve a missão do Reino de Jesus Cristo para o povo do futuro que aguarda a nossa presença”, concluiu.










