Professor e advogado Paulo Pinheiro avalia primeiro confronto eleitoral e destaca ausência de Sérgio Moro, além das propostas para infraestrutura, agronegócio e empresas públicas/Paulo Sava

Resumo:
-Para Pinheiro, decisão de Moro pode ser entendida como estratégia política para evitar possíveis desgastes;
-Professor acredita que candidatos devem apresentar propostas capazes de contemplar diferentes regiões do estado;
-Especialista aponta pontos em comum entre os dois candidatos participantes do debate da TV Bandeirantes.
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Paraná nas eleições de 2026 expôs diferentes visões sobre os rumos do Estado. Realizado pela TV Bandeirantes na noite de domingo (9), o encontro contou com a participação de Sandro Alex e Requião Filho. O candidato Sérgio Moro, que também havia sido convidado, não compareceu.
Na avaliação do professor e advogado Paulo Pinheiro, a ausência de Moro foi um dos fatos que mais chamou a atenção no primeiro confronto eleitoral. O candidato justificou a decisão afirmando que haveria uma articulação entre os demais concorrentes para prejudicá-lo durante o debate.
Para Pinheiro, a decisão pode ser entendida como uma estratégia política para evitar possíveis desgastes, mas a ausência de candidatos em debates e sabatinas reduz a oportunidade de o eleitor conhecer as propostas apresentadas para o Estado. “Para a população que vai escolher os seus candidatos de acordo com as propostas de governo, a participação de todos os candidatos nesses debates, nas sabatinas, é extremamente importante”, destacou.
O professor também chama atenção para a dimensão do Paraná, que possui 399 municípios, e para a necessidade de que os candidatos apresentem propostas capazes de contemplar diferentes regiões e realidades do Estado.
Com a ausência de Moro, o debate ficou concentrado principalmente nas diferenças entre Sandro Alex e Requião Filho. Segundo Paulo Pinheiro, Sandro Alex apresentou uma proposta baseada na continuidade das ações desenvolvidas durante a gestão do governador Ratinho Junior.
Ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex destacou o setor como um dos principais eixos de sua proposta. Na avaliação de Pinheiro, a experiência na área contribuiu para que temas relacionados às rodovias, ferrovias e ao Porto de Paranaguá tivessem espaço importante no discurso do candidato. “O principal ponto da continuidade do candidato Sandro Alex é exatamente não fazer uma ruptura entre uma gestão e outra, é dar continuidade ao trabalho que a gestão do atual governo vem fazendo”, afirmou.
Entre as prioridades citadas na análise estão os investimentos no Porto de Paranaguá, considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola, além da modernização dos sistemas ferroviário e rodoviário do Paraná. O agronegócio também aparece entre os setores considerados prioritários. De acordo com Pinheiro, Sandro Alex defende uma aproximação maior entre o Governo do Estado e os produtores rurais, inclusive por meio de parcerias e subsídios que possam contribuir para o desenvolvimento da atividade.
Já Requião Filho, segundo Paulo Pinheiro, apresentou uma linha de oposição ao atual governo e trouxe como uma das principais preocupações a questão tributária. Uma das propostas destacadas foi a redução da carga tributária para micro e pequenos empreendedores. O candidato também direcionou críticas às privatizações realizadas durante a gestão Ratinho Junior, especialmente envolvendo a Copel e a Celepar.
Na avaliação de Pinheiro, Requião Filho considera que a transferência dessas empresas para a iniciativa privada pode representar uma perda para o Estado no longo prazo. “Na visão do candidato Requião Filho, essa privatização não é benéfica para a sociedade, porque o Paraná ganha, por um lado, vendendo essas empresas para a iniciativa privada, mas, por outro lado, ele perde exatamente os lucros que essas empresas geram e o investimento que pode ser feito por meio dessas empresas”, explicou.
No setor agropecuário, o foco apresentado por Requião Filho, conforme a análise, estaria mais voltado ao pequeno produtor. A proposta seria ampliar o apoio do Estado para agricultores que enfrentam dificuldades para financiar máquinas e equipamentos e para realizar o escoamento e a comercialização da produção.
Candidatos têm pontos em comum
Apesar das diferenças entre as duas candidaturas, Paulo Pinheiro observa que Sandro Alex e Requião Filho também apresentaram algumas preocupações semelhantes durante o debate. Entre os pontos de convergência estão a importância atribuída ao agronegócio e a necessidade de discutir a questão tributária. A diferença, segundo o professor, está principalmente no público que cada candidato pretende priorizar por meio das políticas públicas.
“A gente vê as preocupações dos dois candidatos que compareceram no debate, elas são um caminho meio que no mesmo sentido. A questão da tributação, a questão da priorização do agronegócio, só que talvez o público-alvo que eles pretendem direcionar as políticas públicas depois, se eleitos forem, talvez seja diferente”, avaliou.
Para Paulo Pinheiro, o primeiro debate serviu, portanto, para apresentar duas propostas com perspectivas distintas para o Paraná: de um lado, Sandro Alex defendendo a continuidade da atual gestão, com forte ênfase em infraestrutura e agronegócio; de outro, Requião Filho apresentando uma plataforma de oposição, com atenção à redução de impostos, ao pequeno produtor e à manutenção de empresas públicas sob controle do Estado.