Expectativa é que obra seja concluída em fevereiro; chefe da 4ª Regional da Saúde faz balanço de ações no ano/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rose Harmuch

Resumo
-Ainda não há data confirmada para a inauguração do prédio e início do funcionamento dos serviços;
-Estrutura terá capacidade para atender até 15 mil consultas por mês;
-Governo do Estado se comprometeu a custear o funcionamento do AME.
A obra do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) em Irati já está com 80% da obra concluída. O espaço irá atender consultas especializadas e outros atendimentos na região, vinculados ao Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS/Amcespar).
A obra teve um investimento de mais de R$ 20 milhões, por meio do Governo Estadual. “Além de 80% da obra concluída, nós temos em andamento a licitação de todo o mobiliário. Então, toda essa obra vai ganhar mobiliário novo, tem um sistema de climatização nova e tudo isso está em processo licitatório. Quando acabar a obra, a parte estrutural, já vai ter toda a questão do mobiliário também”, explica a chefe da 4ª Regional de Saúde, Cristiana Maria Schvaidak.
A expectativa é que a conclusão da obra aconteça no final de fevereiro. Ainda não há data para a inauguração do prédio e início do funcionamento dos serviços.
A estrutura que está sendo construída comporta o atendimento de até 15 mil consultas especializadas por mês. Além das consultas, a estrutura terá o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO). “É um dos únicos do Paraná em que tem o CEO, então tem um prédio só para o Centro de Especialidades Odontológicas. O CAPS [Centro de Atenção Psicossocial] vai ficar aonde é o CEO hoje. Então, o CEO também é uma parte do consórcio. Os municípios não vão ter custo mais com relação a aluguel de imóvel”, conta.
Os municípios conseguem oferecer consultas especializadas para a população por meio do CIS/Amcespar, onde os nove membros repartem os custos das consultas. Com a instalação do AME, o Governo do Estado se comprometeu a custear o funcionamento do prédio, com o pagamento de contas como luz e água, que antes eram divididos entre os municípios. A contrapartida dos municípios será o aumento da quantidade de consultas especializadas na região.

Balanço
Cristiana realizou um balanço dos investimentos do Governo do Estado na região, que ficaram em torno de R$110 milhões. Entre os destaques, estão os recursos para hospitais. Em Irati, um dos investimentos foi anunciado durante as comemorações de 90 anos da Santa Casa de Irati, com um recurso de R$2,4 milhões para compra de equipamentos. “A Santa Casa está em andamento com esse protocolo. É a substituição de camas, de ultrassom, de aparelho de endoscopia, de aparelho para UTI, para utilizar os monitores cardíacos. É uma substituição de vários equipamentos essenciais para a continuidade do atendimento da Santa Casa”, disse.
Na região, outros municípios receberam investimentos em seus hospitais. “Nós estamos com o Hospital de Teixeira Soares, que já está chegando a 80% da obra concluída. É um hospital praticamente novo para o município de Teixeira Soares. Nós tivemos recentemente, o anúncio da abertura da licitação da construção do hospital de Imbituva. Vai ser um hospital que inclusive vai ter maternidade lá. São R$ 25 milhões. Desses, R$ 14 milhões são recursos e contrapartida do Governo de Estado. Nós temos no Hospital de Rebouças também um protocolo em andamento de reforma e ampliação de R$ 6 milhões para o Hospital de Rebouças. Também, recentemente, o Hospital de Rio Azul foi contemplado com valor de R$6 milhões para reforma e ampliação. São todos os nossos hospitais da região recebendo o recurso do Governo de Estado, tanto para equipamentos, quanto para obras desses hospitais”, afirma.
A chefe da 4ª Regional destaca que as obras em hospitais passam por trâmites burocráticos. “Não é só vir o recurso, mas todo esse trâmite burocrático da aprovação dos projetos pela vigilância sanitária. São coisas um pouco demoradas, mas com todo esse empenho e com toda essa dedicação, tanto desses hospitais que receberam esses recursos e da nossa equipe da Regional de Saúde, esses processos estão andando muito rápido. Nós vemos hospitais que fizeram projeto em menos de dois meses já sendo aprovado pela vigilância sanitária. Nós mandamos o recurso, mas para que o recurso chegue lá na ponta, na população, tem todo um trâmite para que isso aconteça”, explica.
Outro projeto do Governo do Estado são as clínicas de fisioterapia. “Nós vimos, depois do Covid, que as pessoas precisavam de reabilitação. Todos os municípios têm um espaço que fazem o atendimento para sua população. Mas esse é um projeto novo do Governo do Estado, é um espaço destinado à reabilitação. São clínicas com as quais a nossa região e quase todos os municípios foram beneficiados. Primeiro foi em Imbituva, Rebouças, mas nós temos garantido para Irati, para Mallet, para Rio Azul. Nós teremos fisiocentros em quase todos os municípios da nossa 4ª Regional de Saúde”, disse.
Outro trabalho feito pela 4ª Regional de Saúde é com a construção de pronto-atendimentos na região. “Nós temos na nossa 4ª Região de Saúde recurso destinado para dois prontos atendimentos municipais (PAM). Um é no município de Irati e um no município de Inácio Martins. Também é um recurso específico, é um prédio específico, que vem com todos os ambientes necessários para atender a população com qualidade. O PAM de Irati e de Inácio Martins já passaram por aquela fase do trâmite burocrático, do projeto. Tem toda uma questão de projeto, de implantação, enfim, que os engenheiros sabem muito bem sobre isso. Eles já venceram essa etapa e eu acredito que tão logo eles serão licitados, tanto em Irati, quanto em Inácio Martins”, explica.
Um dos objetivos na região no último ano, foi aprimorar o atendimento 24 horas na região, destaca a chefe da 4ª Regional. “Nós temos em Fernandes Pinheiro, uma unidade mista também que está sendo construída. Nós temos Guamiranga também uma reforma. O pronto atendimento de Guamiranga passou a ser 24 horas, então também mudou bastante o contexto de saúde na nossa 4ª Regional. Todos os municípios têm uma porta aberta 24 horas para atender a população”, conta.

Essa ação é resultado de uma reestruturação do atendimento de emergência e urgência da região, em virtude do SAMU. “Existe uma grade de referência para onde eu vou encaminhar aquele paciente quando eu pego do trauma, quando você aciona o SAMU. Pra onde o SAMU vai levar aquele paciente? Existia uma grade de regulação, que ela foi feita quando foi implantado o SAMU, e nós precisávamos atualizar ela. Foi um trabalho árduo porque nós precisávamos conversar com todas as portas de entrada novamente, mas nós fizemos isso nos 90 dias que eu assumi a direção da Regional de Saúde. Nós atualizamos essa grade de regulação. As pessoas ficam pensando: ‘Meu Deus, é só um papel que eles atualizaram’. Não. É todo o acesso da onde o paciente da urgência e emergência vai ser encaminhado. O paciente com uma suspeita de infarto. Qual é o hospital de referência? Qual é a atenção? Qual é a porta de entrada primária, secundária e terciária? Organizar esses serviços, garante um atendimento em menos tempo para população”, explica.
A chefe da 4ª Regional de Saúde ainda destacou o trabalho feito com a vacinação na região, que tem conseguido atingir as metas, mesmo com campanhas antivacina. “O nosso contexto da nossa região, nós conseguimos atingir as nossas metas de vacinação. Existe um calendário nacional de imunização, então ele deve ser seguido. Graças à Deus e por apoio e trabalho incansável de todas as unidades básicas de saúde da 4ª Regional de Saúde, nós temos conseguido atingir as metas, tanto da vacina da influenza, da gripe, agora estamos com a vacina para gestantes, para prevenção da bronquiolite em crianças menores de seis meses”, conta.
Segundo Cristiana, quem adere às campanhas antivacina não conheceu como era antes das imunizações. “Vacina sempre é uma prioridade realmente. Vacinas salvam vidas. Existe, infelizmente, uma campanha antivacina e, eu digo, que quem faz essa campanha antivacina são pessoas que são de gerações mais novas que não viram pessoas morrendo por paralisia infantil, por sarampo, por doenças preveníveis. Eu digo que nós estamos bem, estamos com saúde porque nossos pais nos levaram tomar vacina. Agora chegou a nossa vez, como pais, levar os nossos filhos e incentivar que tomem a vacina”, disse.
Na região, a chefe da 4ª Regional de Saúde destacou o trabalho feito nos municípios para atrair a população para a vacinação. O trabalho fez com que a 4ª Regional ficasse em sexto lugar, entre 22 Regionais, que conseguiram vacinar mais pessoas. “O pessoal adere muito a campanha de vacinação. Os secretários municipais de saúde fazem uma força-tarefa de fazer horários estendidos. Vou citar o município de Fernandes Pinheiro que faz um bailinho no dia da campanha de vacinação. O pessoal vai, dança, se diverte, joga bingo e, no final, recebe a vacina. Assim como outros municípios também fazem horário estendido, abre no final de semana, no sábado, enfim, para que as pessoas se beneficiem da vacina. Das oito às cinco, o pessoal trabalha, mas vamos fazer a vacina em horário estendido, fora do horário de trabalho. É importante que nós garantamos o acesso da população à vacina”, conta.
O trabalho feito com as gestantes na região também foi ressaltado pela chefe da 4ª Regional de Saúde. “Nós temos ainda índices que precisam ser melhorados, diminuídos de mortalidade materno infantil. Lá em abril, quando eu assumi a direção da Regional de Saúde, nós estávamos com 15º, com indicador de 15º de mortalidade materno infantil. Agora no final do ano, nós fechamos em 12º, mas nós precisamos diminuir isso menor de um dígito”, explica.
Para atingir um bom resultado no trabalho com as gestantes, a 4ª Regional de Saúde tem realizado diversas ações. “Primeiro passo é fortalecer os pré-natais onde a gestante faz o seu acompanhamento. Nós fizemos um fortalecimento, nós fizemos um pacto de mãos dadas pela vida com os nove municípios. Inclusive, foi pauta da reunião do Amcespar [Associação dos Municípios Centro do Sul do Paraná] com os prefeitos. Precisa garantir que esta mulher faça um pré-natal de qualidade, que ela tenha acesso aos exames, às consultas, ultrassom, que ela faça o mínimo exigido das consultas. Nós fizemos um trabalho muito árduo em todos os municípios”, conta.
Um dos desafios é em relação aos locais onde as gestantes tem seus filhos. “Dentro da nossa 4ª Regional, nós temos somente dois hospitais aonde fazem parto. Nós temos o hospital São Francisco de Assis, no município de Rio Azul, que atende o risco habitual para o município de Rio Azul. Ele garante o parto e o nascimento para os munícipes de Rio Azul. Apenas risco habitual. Todo o restante dos municípios, as gestantes ganham o bebê na Santa Casa de Irati, que ela é risco habitual para os oito municípios, incluindo Irati, e é médio e alto risco para os nove municípios da região. É um trabalho de formiguinha em que nós precisamos cada vez mais melhorar e garantir que essa gestante tenha uma assistência de qualidade”, destaca.
Um projeto futuro da 4ª Regional de Saúde é que as gestantes da região possam conhecer a Santa Casa de Irati antes da data do parto, para que estejam familiarizadas com o ambiente. “Vejam aonde elas vão dar à luz, quem vai ser a equipe que vai estar atendendo dentro da Santa Casa de Irati. Para melhorar o índice, é cada um fazer a sua parte. Tanto as unidades básicas de saúde no seu pré-natal, os hospitais de referência que vão fazer o parto desse bebê e também tem uma contrapartida da gestante”, explica.
A chefe da 4ª Regional de Saúde ressalta que é importante que as gestantes façam todo o pré-natal, incluindo as consultas, exames e vacinas. “Eu sei que, às vezes, está trabalhando. Tem n fatores, mas que ela, nesse tempo da gestação, se dedique para o pré-natal. Se ela é uma gestante de médio e alto risco, ela é acompanhada no município de origem e ela é acompanhada no ambulatório PASA [Ponto de Atenção Secundária Ambulatorial], que é o ambulatório de especialidades no consórcio. Ela precisa numa consulta no consórcio, uma consulta no município e ela acha que é demais. Não é demais. Todo cuidado é necessário para garantir que seu bebê nasça com uma segurança também”, disse.