Conheça o trabalho dos protetores independentes de animais que atuam em Irati

15 de novembro de 2022 às 21h59m

Grupo abriga cerca de 200 animais e realiza feiras de adoções em Irati/Texto de Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Imagem da segunda feira de adoção de animais realizada no Parque Aquático de Irati no dia 23 de outubro. Foto: Divulgação

Cerca de 20 pessoas trabalham de forma independente em Irati com o cuidado de animais. Aproximadamente, 200 animais estão abrigados nas casas das protetoras independentes.

O grupo foi formado durante a criação do Conselho do Bem-Estar Animal (COMBEA). “Antes esta causa era ligada ao Conselho do Meio Ambiente, porém o Conselho do Meio Ambiente tem inúmeras questões a serem resolvidas. Essa questão animal estava esquecida, engavetada. Mas, não por má-fé, não por falta de vontade, mas por uma questão de tempo. No fim das contas, quem encabeçou esse pedido da criação do conselho foi a minha amiga Fabiana de Godoy Rocha, que começou esse movimento, vendo a necessidade da criação do conselho. Conversando com outras pessoas que, inclusive, eu me incluo nesse grupo inicial, que eram pessoas que já trabalhavam independentemente com animais. Neste processo de criação do COMBEA, que nós fomos até a Câmara Municipal pedir essa criação do conselho. Como é uma coisa mais burocrática, que demanda muita papelada, em conversa com vereadores, fizemos algumas reuniões pedindo essa criação do conselho. E esse grupo foi se formando de uma forma natural”, conta Viviane Colaço Panko, uma das integrantes do grupo de Protetoras Independentes de Animais.

Ela destaca que o grupo se uniu porque há um único objetivo entre as integrantes. “São pessoas com objetivo em comum de proteger, de cuidar desses animais, que estavam em sofrimento na rua. Eu atrelo as protetoras independentes diretamente à criação do COMBEA, do Conselho do Bem-Estar Animal, porque acabamos trabalhando junto mesmo. Todas as ações normalmente são feitas COMBEA, Secretaria de Defesa Animal e as protetoras”, disse Viviane.

O grupo não recebe recursos públicos para o cuidado dos animais. “Não temos vínculo, não temos ajuda de prefeitura, de empresas, nada. Somos, em média, 20 a 22 pessoas que trabalham efetivamente e somando, dá mais de 200 animais que as protetoras cuidam, que são responsáveis. Algumas têm mais, outras tem menos, mas a tentamos ir levando conforme a demanda vai aparecendo”, explica.

O objetivo do grupo é conseguir ter um centro de reabilitação para abrigar animais que passaram por algum procedimento cirúrgico e precisam de recuperação no pós-recuperatório. Atualmente, são as próprias protetoras que fazem esse trabalho. “Estamos trabalhando para conseguir um local, que esse é um dos grandes problemas. Quando acontece de uma fêmea ter filhotes ou de um animal ser atropelado, as protetoras acabam recolhendo nas próprias casas. O que fica uma situação inviável”, relata Viviane.

Viviane Colaço Panko é uma das integrantes do grupo de Protetoras Independentes de Animais. Foto: João Geraldo Mitz (Magoo)

O grupo não é vinculado ao trabalho realizado pela ONG Amigo Bicho. Os dois grupos já se reuniram para verificar sobre a possibilidade de um trabalho conjunto, mas não foi possível chegar a um acordo. “Tínhamos interesse de participar porque a causa é a mesma, lutamos pela mesma causa, mas infelizmente não tivemos uma resposta positiva para isso. Seria bem importante porque, no caso, a ONG tem um abrigo, tem uma ajuda financeira da prefeitura, porém não deu certo o nosso contato, daí acabamos trabalhando de forma paralela”, conta a integrante do grupo de protetoras independentes.

Entre as ações que o grupo realiza está a Feira de Adoções. “A primeira feira de adoção já foi um grande sucesso. Nós doamos 23 filhotes. Na segunda doamos 17 filhotes. São filhotes em situação de rua. Muitas pessoas entram em contato na nossa página e pergunta assim: ‘Eu posso levar meus filhotes para doar?’. Por enquanto, como ainda estamos engatinhando, vamos dizer assim, nessas feiras da adoção levamos os filhotes que nós estamos em casa ou, infelizmente acontece situações, por exemplo, da fêmea criar e termos que deixar uma casinha no terreno baldio. Só colocar os filhotes dentro para não tomar chuva, coloca lá um potinho de água e ração e é o que estamos conseguindo fazer por enquanto”, explica.

Quem adotar um animal com as protetoras, fará um cadastro e as voluntárias acompanharão a adaptação do animal. No caso de filhotes, que passam pela adoção no período de 45 dias a dois meses de vida, as protetoras também entram em contato para realizar a castração, que pode ser feita quando o animal completa quatro meses. Os filhotes doados pelas protetoras podem ser castrados pela prefeitura. “As castrações inicialmente seriam para esses animais que foram doados. No caso das feiras, esses filhotes, daqui três a quatro meses, vão estar com a idade de castrar. Esses que foram adotados na feira vão ser castrados pela prefeitura”, conta.

A castração é uma das estratégias usadas pelas protetoras para a diminuição do número de animais nas ruas. Por isso, uma das ações da Secretaria de Defesa Animal mais aguardadas é o funcionamento do castramóvel. Segundo a pasta, o veículo ainda não entrou em funcionamento porque precisa de uma liberação do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Viviane destaca que a instalação do castramóvel auxiliará no controle animal. “Esse castramóvel inicialmente é destinado aos animais de rua. Depois, vamos ver se conseguimos abrir para a população mais carente. Mas, inicialmente, é para a população de rua porque é uma população muito grande e fazemos o que podemos, mas, infelizmente, é bem difícil sem uma castração gratuita conseguir controlar isso”, explica.

Nos resgates, as protetoras também têm conseguido usar os serviços que a Secretaria de Defesa Animal tem oferecido. Desde o início de outubro, os atendimentos veterinários em clínicas cadastradas estão sendo realizados com recursos da Secretaria. “Antes o que acontecia era que tínhamos que pegar o animal, levar numa clínica, arcar com os custos. As protetoras, volta e meia, estamos fazendo um bazar, pede doações para tentar fazer esse pagamento. Com o atendimento veterinário feito pela prefeitura foi um passo muito grande que conseguimos. Por exemplo, no sábado, um filhote foi atropelado, teve fratura exposta, uma das nossas protetoras socorreu, levou para casa, entrou em contato com o Dr. Wagner [Beida- secretário de Bem-Estar Animal], ele prontamente já ligou para clínica que está cadastrada e nós levamos o filhote até lá. Isso é assim uma grande vitória”, disse Viviane.

As protetoras também pretendem levar palestras às escolas municipais, com o objetivo de incentivar o cuidado com animais. “Pegar aquelas crianças menores e colocando na cabecinha delas, a importância de você tratar bem o bichinho, de você ter responsabilidade sobre ele. Tanto isso, quanto à questão da castração, não é uma coisa que vai acontecer do dia para a noite, que vai dar resultado do dia, para noite. Porém, é o início. É o único jeito, para frente, daqui a cinco anos, dez anos, você ter uma melhora nessa situação”, conta.

O grupo possui uma página no Facebook onde realiza a divulgação dos trabalhos. Quem deseja realizar doações pode entrar em contato com a página clicando aqui. “Se as pessoas quiserem doar ração, doar casinhas. Doar casinhas é uma coisa muito importante porque existe uma grande quantidade de fêmeas que acabam tendo seus filhotes em terrenos baldios. Muitas vezes, as protetoras não têm lugar mais para recolher. Muitas vezes, acabamos pegando a casinha, levando até o terreno, deixando uma água, uma ração. E pelo menos protegidos da chuva. Então, doação de casinha, doação de ração. Fazemos bazar também para arrecadar fundos, então doações de roupas, de brinquedos. Estamos sempre organizando essas coisas”, disse.

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