Projeto emergencial para conter riscos estruturais será elaborado pelo IDR-Paraná; defensor do patrimônio histórico afirma que medidas ainda são insuficientes diante da gravidade da situação/Texto gerado por IA, com reportagem e supervisão de Paulo Sava

Resumo: – Reunião definiu os próximos passos para restauração do imóvel, tombado pelo Estado do Paraná;
- Casarão é considerado um marco da história local e regional;
- Na primeira fase, serão feitos trabalhos na recuperação da fundação e no escoramento da estrutura do prédio.
A preservação de um dos mais importantes patrimônios históricos de Irati avançou mais uma etapa nesta semana. Uma reunião realizada entre representantes do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), da empresa responsável pela elaboração do projeto de restauração e da Prefeitura de Irati definiu os próximos passos para a recuperação do Casarão do Pinho, imóvel tombado pelo Estado do Paraná e considerado um marco da história local e regional.
Participaram do encontro o presidente do IDR-Paraná, Altair José da Silva, representantes da empresa encarregada do projeto e o prefeito de Irati, Emiliano Gomes. Nesta primeira fase, os trabalhos serão concentrados na recuperação da fundação e no escoramento da estrutura do prédio, ações consideradas essenciais para garantir a segurança do imóvel e evitar o agravamento dos danos já existentes.
Durante a reunião, ficou definida a preparação e o lançamento do edital para contratação da obra emergencial de escoramento, processo que será conduzido pelo IDR-Paraná. Em uma segunda etapa, deverá ser lançado um novo edital para a elaboração e execução do projeto completo de restauração do casarão.
Segundo o prefeito Emiliano Gomes, a expectativa é que as medidas contribuam para a recuperação e valorização do patrimônio.
“A expectativa é que, com o avanço dessas etapas, seja possível garantir a recuperação e a valorização do Casarão do Pinho, preservando a memória e a identidade cultural da região para as futuras gerações”, afirmou.
Recepção cautelosa
Em entrevista à reportagem da Najuá, o jornalista José Nascimento, um dos principais defensores da preservação do Casarão do Pinho, disse que recebeu a notícia com cautela. Ele relatou que esteve na sede do IDR-Paraná, em Curitiba, onde recebeu informações sobre as ações planejadas. “Lá eu fui informado que está sendo feito um projeto para uma obra emergencial de contenção do risco iminente de desmoronamento de parte do casarão, especialmente onde ficam aquelas pilastras e áreas estruturais”, explicou.
Segundo José, após a elaboração desse projeto ainda será necessária uma licitação para execução das obras emergenciais e, posteriormente, um novo projeto para a restauração completa do imóvel. “O segundo passo seria um outro projeto que também precisaria de recursos e liberação para contemplar uma obra completa de restauro do casarão. Ou seja, temos informações, mas eu gosto de dizer que sou meio São Tomé, preciso ver para crer”, afirmou.
O jornalista disse ainda que gostaria de conhecer o projeto juntamente com a comunidade e destacou que um grupo de moradores está sendo organizado para acompanhar o andamento das ações. “Gostaria de ver esse primeiro projeto juntamente com a coletividade. Tem uma comissão sendo formada de moradores para acompanhar e dialogar sobre esse assunto”, comentou.

Responsabilidade e urgência
José Nascimento também criticou o abandono do imóvel ao longo dos anos e atribuiu ao poder público a responsabilidade pela situação atual do patrimônio. “Quem é o dono daquele espaço é o Instituto de Desenvolvimento Rural, que deixou que o prédio ficasse abandonado e chegasse ao estágio em que está. A despeito de ele ser tombado, é responsabilidade total do IDR em todos os sentidos”, declarou.
Para ele, além do IDR-Paraná, outros órgãos estaduais ligados ao patrimônio histórico, à agricultura e à cultura precisam atuar conjuntamente para encontrar uma solução definitiva. “Todos esses órgãos deveriam sentar em caráter emergencial em uma força-tarefa para resolver essa situação. Está sendo feito esse projeto pelo IDR, já é alguma coisa, mas, a meu ver, não resolve totalmente o problema”, ressaltou.
O jornalista destacou ainda que o processo avança em ritmo lento diante do estado crítico da construção. “Um primeiro passo foi dado, mas não é motivo para cantar vitória. É motivo apenas para dizer que está se movimentando, mas há passos muito lentos. Essa é a grande verdade”, afirmou.
Olhar para todo o complexo
Além da restauração do casarão, José Nascimento defende que o debate inclua a utilização futura de toda a área pertencente ao IDR-Paraná. “Há necessidade de pensar não apenas no restauro do casarão, mas em um olhar de utilização daquele espaço todo e também do casarão, transformando-o em um espaço multiuso”, disse.
Ele também chamou atenção para a situação da capela localizada próxima ao imóvel histórico. Segundo o jornalista, a estrutura apresenta problemas causados por cupins e merece atenção urgente. “A capelinha também necessita de um olhar mais apurado da sociedade e do poder público. Ela está tomada por cupins e, se estava em pé graças à conservação da comunidade católica, corre o risco, com a saída das celebrações religiosas, de entrar na mesma linha de abandono do casarão”, alertou.
Recentemente, a comunidade católica retirou bancos, imagens sacras e outros mobiliários do local para transferir as celebrações para outro espaço.“Foi uma cena muito emocionante. A retirada das representações sacras e dos bancos para que a comunidade possa continuar seu culto em outro local mostrou a preocupação dos fiéis com a preservação daquele patrimônio”, relatou.
Ao encerrar sua avaliação, José Nascimento afirmou que a gravidade da situação nem sempre é percebida pela população. “Imagens de drone mostram um cenário bonito, mas não representam a verdade do risco iminente de queda que o casarão enfrenta. Quando a gente vê de perto, a situação é muito pior, lastimável e de risco”, concluiu.
