Candidatos de Rebouças trocam acusações no segundo debate

29 de setembro de 2016 às 10h02m

De um lado, as acusações de contas supostamente desaprovadas; de outro, as insinuações de vínculo com a atual gestão

Edilson Kernicki
O segundo debate entre os candidatos a prefeito de Rebouças repetiu a fórmula do primeiro, levado ao ar no dia 1º de setembro. O novo encontro entre os candidatos foi realizado na noite desta quarta-feira (28) no estúdio da Rádio Alvorada do Sul AM 850, em Rebouças, com transmissão em cadeia também pelas emissoras Najuá AM 990 e FM 106,9 e pelos sites das rádios, com apoio do jornal Hoje Centro-Sul na organização do evento.

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No confronto desta noite, os candidatos Ildefonso Zanin (PTN), da coligação “Honestidade, Simplicidade e Trabalho” (PTN/PSDB/DEM/PV/PDT/PHS/PMDB/PSC/PMN/PR/PSD) e Luiz Everaldo Zak (PROS), da coligação “Mudança Com Segurança” (PROS/PMB/PTC/PTB/PT/PP/PSB/PEN/PCdoB/REDE/PSL/SD) mantiveram a postura adotada quatro semanas antes.
Ficaram devendo ao eleitor reboucense o aprofundamento da discussão das propostas de campanha presos à troca de acusações, rebatidas com justificativas. As plataformas de governo apresentadas demonstraram coerência em relação ao debate anterior e às entrevistas feitas com ambos os postulantes. Entre os dois, o candidato Zak, ex-prefeito de Rebouças, chegou a tentar conduzir o debate para a discussão de propostas, mas se deparou com respostas vagas do adversário, que mencionou o que pretende fazer, sem responder como. Na maior parte das vezes, depositou suas expectativas na busca de recursos junto a outras esferas administrativas com uma base de apoio formada por deputados. Zak, em contrapartida, se prendeu às realizações de gestões anteriores e apresentou poucas perspectivas para o futuro.

Prioridades

Diferente do primeiro debate, em que concordou com a necessidade de “enxugar” a estrutura administrativa do município, a fim de economizar recursos para as áreas prioritárias, dessa vez, Professor Ildefonso disse que não pretende reduzir secretarias e que é possível economizar se desempenhar o trabalho com seriedade e honestidade. Na visão do oponente, a redução da máquina administrativa vai permitir à sua gestão ampliar a oferta de vagas nas escolas e CMEIs e melhorar a qualidade na educação; garantir agilidade às consultas e exames, na saúde e assegurar assistência técnica rural aos agricultores.
Zak tentou redirecionar o debate para a discussão de propostas ao questionar ao Professor lldefonso seus planos para o saneamento básico. Professor Ildefonso divagou na resposta sem, de fato, apresentar qual seria sua proposta e como pretendia aplicá-la, apenas mencionou sua pretensão em buscar parcerias para a obtenção de recursos para o setor, que ele considera bastante defasado no município. O ex-prefeito adotou a estratégia de mencionar que ele teria sido o gestor que mais trabalhou pelo saneamento básico – o que repetiu para outras áreas da administração – ao fazer a rede de esgoto e a estação de tratamento e apresentou o programa “Meu  banheiro, minha dignidade”, que pretende construir banheiros para famílias carentes. Na tréplica, Ildefonso se limitou a dizer que, ao contrário do que o opositor afirma, muitas famílias dizem que aguardam pelas obras de saneamento há muito tempo.
A divagação na resposta se evidenciou outra vez na última questão do debate, quando Zak perguntou a Ildefonso seus planos para a habitação. O candidato voltou a se apoiar na ideia de buscar recursos junto aos deputados. Mencionou que o município já dispõe de um terreno comprado para construir habitações na área urbana, mas que é preciso também lutar pela habitação rural, para que as famílias tenham uma casa para morar.
Zak aproveitou e retomou o expediente de dizer que foi o prefeito que mais trabalhou pela habitação, com a construção de 600 casas na área rural, mudando a “cara” do interior, e que pretende construir muito mais se eleito.
Ildefonso limitou-se a responder que, com gestão pública, não se brinca e que sua gestão será de muita responsabilidade. 

Insinuações

Como no primeiro debate, as provocações entre os candidatos se fizeram presentes ao longo dos três blocos. Já na segunda pergunta do primeiro bloco, Ildefonso questionou ao concorrente quantos empresas trouxe e quantos empregos gerou ao longo dos 12 anos que esteve à frente do Executivo e como pretendia criar ofertas de emprego. O candidato do PTN alegou jamais ter feito promessas “infundadas” quanto a este aspecto e disse que teria sido um dos prefeitos que mais vagas de emprego criou, e ilustrou com exemplos de uma empresa de cereais, um laticínio e empresas do ramo do vestuário que se instalaram em Rebouças durante seu governo. Zak insinuou que o atual prefeito de Rebouças é quem teria prometido empregos e que a promessa não teria se consolidado e disse que Ildefonso faz parte do grupo da situação.
Professor Ildefonso respondeu – e o discurso se repetiu em outros blocos, quando a mesma acusação foi retomada – que o adversário não deveria associar sua imagem à do atual prefeito, pois ambos não manteriam qualquer vínculo. Ao mesmo tempo, defendeu que a geração de empregos pode ser ampliada com o estímulo ao comércio local e com a busca para atrair novas empresas.
Zak retrucou que não há como desvincular o concorrente da atual gestão, uma vez que seu candidato a vice – o vereador André David Piskorz – é filiado ao PSDB, partido do atual prefeito, e líder do governo na Câmara reboucense. O candidato também ironizou a atual gestão ao citar que o atual prefeito teria afirmado que bastava uma ligação para o governador Beto Richa que, em 15 dias, conseguia a instalação de uma nova empresa na cidade.
Na segunda rodada de perguntas do primeiro bloco, Ildefonso questionou a troca de partido de Zak – que saiu do PT e foi para o PROS – e sugeriu que a doação de R$ 8.900 recebida do Partido dos Trabalhadores teria origem fraudulenta, inclusive, ligada às investigações da Operação Lava Jato.
Zak respondeu que está satisfeito com a atuação e perfil do PT local e que, levando em conta o cenário nacional, preferiu trocar de legenda e que é livre para tal. Além disso, enfatizou que o próprio Ildefonso saiu do DEM e foi para o PV, opinando que ali o adversário não teria encontrado guarida e que, por isso, migrou para o PTN. Segundo o ex-prefeito, a ele importam mais as qualidades das pessoas que as siglas que representam.
O candidato ouviu na réplica que se ele saiu do PT, mas o PT ainda não saiu dele. Zak devolveu que o adversário acusa sem fundamentos e ressaltou que a contribuição de R$ 8.900– que corresponde a 12,55% do arrecadado pela coligação – é oriunda dos vereadores Laércio Cipriano e Ricardo Carlos Hirt Junior. Na prestação de contas de campanha, a doação está discriminada como sendo do Diretório Municipal do PT de Rebouças, do qual os vereadores fazem parte.
As acusações voltaram a surgir no terceiro bloco, quando Ildefonso repetiu a pergunta feita no debate de 1º de setembro, quando afirmou que Zak teve contas desaprovadas por falta de recolhimento de previdência dos servidores e sugeriu que a candidatura do adversário corre sob liminar. A afirmação não procede, segundo Zak, pois ele teve o registro deferido. Zak respondeu que os servidores públicos municipais estão se aposentando normalmente, sem precisar quitar ao INSS algo relativo aos anos de contribuição por suposta falta de recolhimento e que, se eventualmente surge algum problema nesse sentido, é a prefeitura quem recolhe INSS, não o servidor. O ex-prefeito criticou Ildefonso ao afirmar que sua pergunta revela desconhecimento sobre a gestão pública e que, ao contrário do que ele afirmou, teve 12 prestações de contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR).
Ildefonso acusou de Zak de faltar com a verdade, pois havia uma dívida de R$ 900 mil com o INSS, cujo parcelamento, em 60 vezes, foi aprovado pela Câmara a pedido do ex-prefeito. Zak sugeriu que o PSDB – partido do atual prefeito e que integra a coligação de Ildefonso – “fez a cabeça” do oponente e que o atual prefeito não apresentou os dados de compensação para prejudicá-lo.
O professor insistiu, em outra pergunta, ao querer saber se o ex-prefeito continuaria a afirmar que suas contas estão sanadas. Zak frisou que todas as suas contas como prefeito foram aprovadas, sem ressalvas e com pareceres favoráveis e enalteceu que tanto ele quanto seu vice – o vereador Fábio Marcelo Chiqueto (PMB) – são ficha limpa e que, se a situação fosse outra, a candidatura teria sido indeferida.
Ildefonso voltou a falar da sentença de contas julgadas irregulares e que Zak seria candidato apenas mediante liminar – fato que não procede, pois a candidatura foi deferida. Zak disse que essa decisão foi já contestada e derrubada em instância superior e que a multa foi cancelada, que o assunto está superado.

Questões da organização

O clima mais ameno ficou concentrado ao segundo bloco, composto de perguntas formuladas pelos veículos de imprensa que organizaram o debate – Najuá, Alvorada e Hoje Centro Sul. Ainda assim, sobrou espaço para insinuações de despreparo e de incompetência, de ambos os lados.
Os candidatos responderam a questões sobre a manutenção de estradas; as prioridades para os setores de Assistência Social e Saúde; a necessidade de ampliação da oferta de vagas para a educação infantil e os critérios para a definição do secretariado.
Professor Ildefonso frisou que a agricultura é “uma das maiores empresas” de Rebouças, por corresponder também à maior arrecadação, e que é um setor “que pede muito pouco”: estradas, bueiros e saúde. Zak replicou que afirmar que fazer estrada é muito pouco revela um desconhecimento completo sobre gestão pública, da parte de seu adversário.
Sobre as prioridades, Zak enfatizou que pretende reorganizar a Saúde Municipal, criando mais uma equipe do Programa Saúde da Família (PSF) e aumentar a oferta de medicamentos e de exames. O ex-prefeito disse, ainda, que tem o objetivo de retomar o atendimento obstétrico no Hospital Darcy Vargas, como já era feito, e afirmou que a mortalidade infantil no município cresceu em função da omissão do governo por não ter na cidade um hospital que realize partos.
Professor Ildefonso destacou a dificuldade de mães da Vila Feliz e da Vila Facão, que só têm a opção de trazer os filhos para a CMEI do Barreiro e que pretende abrir uma nova creche na Vila Feliz, com o apoio de deputados na busca de recursos para a futura obra. Zak, por sua vez, ressaltou que foi ele o prefeito que fez mais escolas na cidade e quem obteve os recursos que viabilizaram a construção dos CMEIs no Marmeleiro e no Barreiro e que as obras já estavam encaminhadas quando ele deixou o gabinete. Frisou, novamente, seu objetivo de ampliar a oferta de vagas e de aumentar a qualidade na educação.
Sobre os critérios para a definição do secretariado, Zak reafirmou sua proposta de redução da estrutura administrativa e de ouvir os funcionários dos setores prioritários, como a Educação e a Saúde, para a escolha.
Conforme Zak, reduzir a estrutura administrativa vai economizar recursos para os setores prioritários e reside aí a diferença entre sua plataforma de campanha e a de seu opositor. Disse que pretende formar um grupo diversificado, experimentado e especializado e que seu secretariado terá avaliação permanente de desempenho. Professor Ildefonso disse que não pretende reduzir pastas, mas que vai buscar pessoas honestas para recuperar a credibilidade da população no governo.

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