Nesta primeira etapa, vacinação será destinada para indígenas, gestantes, puérperas e crianças com idade entre 06 meses e seis anos
Paulo Henrique Sava
O Ministério da Saúde antecipou a primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que começa nesta quarta-feira, 10. Nesta primeira etapa, terão direito a vacinação gratuita indígenas, gestantes, puérperas (mulheres que tiveram bebê há menos de 45 dias) e crianças entre 06 meses e seis anos de idade. Estes, conforme a 4ª Regional de Saúde de Irati, são os grupos que têm maior dificuldade em atingir a meta de vacinação. A campanha será aberta para os demais grupos prioritários no dia 22.
Conforme dados do Ministério, foram gastos mais de R$ 1 bilhão na aquisição das vacinas. A 4ª Regional de Saúde de Irati recebeu pouco mais de 44 mil doses, que já foram distribuídas para os nove municípios da região. As informações foram apresentadas durante coletiva de imprensa no auditório da entidade na tarde desta terça-feira, 09.
A enfermeira Emanuelle Moravieski Mattos comenta que o procedimento de vacinar determinados grupos é chamado de “imunidade de rebanho”, ou seja, quanto mais pessoas imunizadas nestes grupos, menos o vírus irá circular, favorecendo também as pessoas não contempladas na campanha. Neste grupo, estão inclusas também as pessoas alérgicas à vacina e imunodeprimidos. “É direito receber a vacina e é dever ir se vacinar”, afirmou Kelly Kosloski, farmacêutica da 4ª Regional.
No dia 04 de maio será feito o Dia D para vacinação de todos os idosos com mais de 60 anos, crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde, professores de escolas públicas e privadas, povos indígenas, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições especiais e ainda jovens e adolescentes de 12 a 21 anos de idade com medida socioeducativa, pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional. Neste dia, todas as unidades de saúde estarão abertas das 08 às 17 horas.
No Paraná, a Lei nº 19.534/2018 tornou obrigatória a apresentação da Carteirinha de Vacinação no ato da matrícula de crianças e adolescentes até 18 anos nas escolas da Rede Estadual.
Emanuelle informa que a meta é vacinar pelo menos 90% do público-alvo. A vacina disponível neste ano contempla três tipos de vírus: o Influenza A H1N1, o H3N2, e o Influenza B. Todos eles são fragmentados e mortos, por isto, segundo Emanuelle, eles não podem causar a doença. Em adultos saudáveis, os anticorpos aparecem de duas a três semanas após a aplicação da vacina, que dura cerca de 12 meses. Além disso, anualmente são feitos estudos sobre as modificações genéticas do vírus para a elaboração de novas vacinas.
Kelly lembra que a população não tem motivo para temer a vacina, que é totalmente segura. “Nenhuma vacina é colocada no SUS para fazer mal para alguém”, ressaltou.
A enfermeira ressalta que o paciente poderá ter doenças respiratórias, porém elas não são causadas pela vacina. “Temos vários outros vírus respiratórios circulantes que levam sim à hospitalização e até a óbito. Não é porque você tomou a vacina que estará imune a qualquer tipo de vírus respiratório. Esta vacina imuniza contra os principais vírus e aqueles que causam maior risco de levar a uma hospitalização”, pontuou.
Cleusimara Tumasz, enfermeira da Vigilância Epidemiológica da 4ª Regional, destaca que, no Paraná, dados mostram que, em 2018, 668 pessoas contraíram a doença; destas, 113 morreram. Neste ano, houve 11 casos com 4 óbitos, mesmo fora do período sazonal da gripe. Na região, em 2018, houve 13 casos, sendo que um evoluiu a óbito. Neste ano, ainda não houve registros.
“É uma preocupação muito grande porque, quando se busca estes casos, percebemos que a maioria deles são pessoas que poderiam ter sido vacinadas, pois tinham comorbidades e se enquadravam nos critérios para vacinação. Muitos deles tinham mais de 60 anos e estavam nos grupos prioritários, mas não tomaram a vacina. A preocupação é porque são vírus letais, que podem levar a óbito, que necessitam de hospitalização e são imunopreviníveis, que podemos combater com a vacina”, aponta.
Sintomas
Os principais sintomas da gripe são a febre alta, tosse, dor de garganta e dores musculares. Os sintomas podem evoluir para dificuldade respiratória, podendo levar à hospitalização e morte do paciente. “O que a gente recomenda para as pessoas é que nunca esqueçam das outras medidas de prevenção: a lavagem das mãos, utilização do álcool gel sempre, recomendar isto nas escolas e lugares públicos, utilizar lenços descartáveis ao tossir ou espirrar, evitar ambientes fechados, sem ventilação e com muita aglomeração de pessoas, mas principalmente não se automedicar e procurar atendimento médico o mais breve possível no aparecimento dos sintomas”, afirmou Emanuelle.
A enfermeira ressalta que toda a população pode ter acesso ao tratamento contra a gripe através da utilização do medicamento Tamiflu, que está disponível em toda a rede do SUS, de acordo com determinação do Governo do Estado.
O chefe da 4ª Regional de Saúde, Walter Henrique Trevisan, afirma que todos os técnicos dos postos de saúde estão capacitados para aplicar a vacina. Além disso, ele informa que os municípios adquiriram equipamentos para armazenar as doses de forma correta. “Há um investimento muito grande para se garantir a qualidade do produto para toda a população”, afirmou.
Dados dos municípios da região
De acordo com dados da 4ª Regional, em 2018 todos os municípios atingiram a meta de 90% da vacinação dos grupos prioritários contra a gripe. Um dos grupos que mais encontrou dificuldades para atingir a meta foi dos professores, no qual houve baixa adesão à vacinação. “Sempre foi pedido para a educação, e alguns municípios foram de escola em escola pedindo para os professores se vacinarem. É uma questão de a gente quer, mas quando está disponível, e isso ocorre com a população em geral, não vai tomar”, pontuou Kelly.