Campanha de Prevenção e Diagnóstico de Câncer Bucal acontece nesta terça-feira

Campanha é voltada para pessoas com 30 anos ou mais. Durante a ação que será…

07 de novembro de 2022 às 21h04m

Campanha é voltada para pessoas com 30 anos ou mais. Durante a ação que será realizada na rua da Cidadania das 8 às 17 h, a população terá acesso à exames clínicos gratuitos/Texto de Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Coordenador de saúde bucal da secretaria de Saúde de Irati, Roberto Van der Laars, e a enfermeira do Erasto Gaertner, Daniela Raffo, comentaram sobre os objetivos da 5ª edição da Campanha de Prevenção e Diagnóstico de Câncer Bucal durante entrevista no programa Meio Dia em Notícias da Super Najuá. Foto: João Geraldo Mitz (Magoo)

A 5ª edição da Campanha de Prevenção e Diagnóstico de Câncer Bucal acontece nesta terça-feira (8), na Travessa Frei Jaime (Rua da Cidadania), em Irati, das 8 às 17h, sem intervalo para o almoço. Durante a ação, a população terá acesso à exames clínicos com profissionais do hospital Erasto Gaertner de Curitiba e das Secretarias de Saúde dos municípios da 4ª Regional. A ação será voltada especialmente ao público com mais de 30 anos.

Em entrevista à Najuá, o coordenador de saúde bucal, Roberto Van der Laars, destacou que o objetivo é conscientizar a população. “O intuito principal da nossa campanha é a conscientização. As pessoas entenderem que é importante você não ficar na dúvida. É você buscar um profissional que vai tirar essa dúvida. ‘Eu tenho um amigo que eu vejo que ele tem uma pinta na bochecha, ele me mostrou e ele não quer ver o que é’. Tem que ver o que é. Todas as lesões, modificações teciduais que demoram mais do que duas semanas, não diminui ou até aumentam, são suspeitas de serem alguma lesão que pode vir a ser maligna. Não dá para deixar para depois. Quando você pega no início, se você traz o paciente para receber esse tratamento e descobre que ele tem uma lesão maligna no início, os índices de cura são lá em cima, podem chegar a 80%, chegar a 90% de chance de cura total”, disse Roberto.

A busca pela conscientização acontece porque há um alto número de casos de câncer bucal. “O câncer de boca, em incidência, para os homens na região sudeste está em quarto lugar no topo de tipo de câncer. É onde afeta, principalmente, os homens. Vamos mais uma vez, estar com a população para fazer essa prevenção”, explica a enfermeira do hospital Erasto Gaertner, Daniela Raffo.

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Em sua quinta edição, a campanha já auxiliou a descobrir casos em Irati. “Em 2017 [primeiro ano da campanha], nós realizamos 198 exames. Desses, 23 tinham alguma lesão. E dessas 23, quatro eram com aspecto de malignidade. E assim esse número vem se mantendo. O nosso número mais expressivo foi em 2019, onde realizamos 211 exames. Desses, 34 exames tinham lesões e dessas três, com características de malignidade. Agora em 2021, a adesão foi um pouco menor por conta da pandemia, mas tivemos quatro lesões encontradas também com aspecto de malignidade”, conta a enfermeira.

Quem participar da ação nesta terça-feira, preencherá um questionário que indicará a necessidade do exame clínico. “Essas pessoas são submetidas primeiramente a um questionário direcionado, que é feito uma série de perguntas que vão direcionar para que essa pessoa seja identificada ou não, como uma pessoa elegível para fazer o exame clínico- que é quando vai para a cabine. A partir desse exame inicial, desse questionário direcionado, então a pessoa vai fazer o exame na cabine com o profissional especialista”, explica o coordenador.

No primeiro atendimento, o profissional também procurará o histórico familiar e os hábitos do paciente. “Buscamos histórico familiar, buscamos hábitos que a pessoa tenha. Por exemplo, no histórico familiar, você pergunta se há algum caso de câncer na família, de que lado da família é, qual o grau de parentesco é, se é um grau de parentesco mais próximo, mais distante. No caso dos hábitos, o tabagismo e o etilismo, o alcoolismo, são fatores que tem uma importância muito grande no aspecto de causar lesões de câncer. Ele já não são nem considerados fatores de risco, mas sim causadores. A combinação do tabaco e do álcool é uma bomba para causar problemas de câncer, principalmente na vida de entrada que acaba sendo a boca e a orofaringe”, conta Roberto.

Outros fatores também são analisados. “A hereditariedade é um fator bem preponderante, juntamente com os maus hábitos. O sol também é um problema, a exposição ao sol. Especificamente, na nossa área para lábio, mas o câncer de pele é o que mais acontece, principalmente que nós vivemos num país que tem bastante incidência de sol. Se for mais para cima um pouco no nosso país, temos muita área que toma sol o ano inteiro. Então, o câncer de pele é o que está mais presente, o que mais acontece e casos graves podem levar à óbito”, explica o coordenador.

Após a aplicação dos questionários, o exame clínico verificará aspectos físicos do paciente. “É um exame feito com uma técnica apurada, o exame feito padronizado, onde todos os pacientes são feitos o mesmo movimento, na mesma sequência, observado todo o aspecto da cavidade oral do paciente, da boca do paciente, língua, céu da boca, garganta, músculos do pescoço, a parte inferior aqui do queixo, onde temos gânglios que quando tem alguma situação inflamatória, eles ficam endurecidos. Você pode a partir dessa apalpação, você pode identificar alguma situação de anormalidade. A observação também de lesões, cor, forma, tamanho são sintomas ou não do paciente, tudo isso é levado em consideração”, conta Roberto.

Se o resultado for positivo, o paciente é encaminhado para o tratamento. “Se o profissional que ali está, com essa observância e essa manipulação do paciente, consegue observar alguma lesão, essa lesão já tem anotado as suas características e se for necessário, já encaminhado dali diretamente para o tratamento específico, onde a pessoa já vai dar início a um tratamento ou a exames complementares para definir se aquela lesão é ou não é uma lesão de aspecto malignizável”, disse o coordenador.

Cada caso terá um encaminhamento diferente. “Ele vai diretamente para o Erasto, no caso de uma lesão claramente maligna, malignizável ou já mais avançada. Ele vai já diretamente encaminhado para o serviço cabeça-pescoço do Erasto de Curitiba. Muitas vezes também, ele pode ser encaminhado para o meu setor, que as biópsias acabam vindo para o meu atendimento, daqui do nosso município, para fazer o que se chama da biópsia sizonal. Você colhe um pedacinho de uma lesão suspeita e vai analisar em laboratório para saber se essa lesão é ou não é uma lesão maligna. Então, ele vai diretamente para o Erasto ou ele vai passar por uma triagem e um procedimento clínico já para definição de diagnóstico diferencial, que é quando você examina esse pedacinho, essa amostra que é feita aqui na cidade por mim”, explica Roberto.

O coordenador conta que a maioria das lesões não são malignas, mas algumas podem ser e por isso é preciso procurar um profissional para o diagnóstico. “As mais comuns são lesões traumáticas e fibrosas. Aquele calo que faz por uma prótese mal adaptada ou paciente morde a língua e faz uma bolinha, uma lesão verrugosa, dobrinhas de pele embaixo da língua ou no lábio. Essas são as mais comuns e, na sua grande, enorme e imensa maioria, não são malignas. Mas, também existem as lesões que são malignas. Geralmente, elas têm um aspecto visual um pouco mais desagradável de se observar, mas não necessariamente. Pode ser uma lesão pequenininha e quase imperceptível, que já é uma lesão potencialmente maligna. O tamanho da lesão e se tem dor ou não, não quer dizer que é ou que não é um câncer bucal. Você precisa ter a definição através de um atendimento adequado, com o profissional capacitado”, conta.

A enfermeira destaca que é preciso que se cultive hábitos saudáveis para prevenir o câncer bucal. “Você ter hábitos saudáveis. Com certeza, a questão do cigarro, e não só quando falamos do cigarro, temos todos os derivados, narguilé, cachimbo, tudo que envolve o tabaco. A exposição ao sol porque ele também pode causar câncer no lábio. É importante a vacinação contra o HPV também. O HPV é papilomavírus humano. Nós temos já é preconizado pelo SUS essa vacina, para os adolescentes. O HPV é um vírus de uma doença sexualmente transmissível, mas nós temos a vacina, que é a prevenção para isso. O HPV pode virar um câncer de boca. Manter o peso corporal adequado, evitar consumo de bebida alcoólicas, uma boa higiene bucal. Essas são algumas das dicas para ter a prevenção”, disse Daniela.

Estrutura do setor de saúde bucal: A estrutura de atendimento na rede de tratamento odontológico em Irati é formada pelas atenções primária, secundária e terciária. “Nas unidades de saúde é a atenção primária que são feitos atendimentos pelos profissionais que estão nas unidades de saúde. Essa atenção primária vai ser destinada a fazer tratamentos de menor complexidade”, explica Roberto.

Na atenção secundária, o paciente é atendido em outros órgãos de Irati. “Quando o paciente precisa do atendimento média complexidade, por exemplo, um tratamento de canal, uma pequena cirurgia na boca ou uma biópsia – no caso de uma lesão suspeita – ele se denomina atenção secundária, média complexidade. Ele vai para CEO, que é o Centro de Especialidades Odontológicos, que fica no Alto da Glória 2, ou ele vai para o Centro Odontológico Municipal, ao lado do setor de fisioterapia na Secretaria de Saúde”, disse o coordenador.

Na atenção terciária, a Santa Casa de Irati é a referência para receber casos que precisam de internamento. “Atenção terciária é quando se necessita de internamento hospitalar para fazer o determinado atendimento. Por exemplo, o paciente que é incapacitado de colaborar, o portador de necessidade especial. Muitas vezes, é necessário internar esse paciente, fazer uma anestesia geral, para que ele possa ser submetido aos procedimentos de odontologia porque ele, por uma condição sua clínica, não é capaz de se deixar fazer o procedimento”, explica.

Ao todo, são 18 unidades de saúde que fazem o atendimento odontológico da atenção primária. Já na unidade do Centro Odontológico Municipal, é feito o atendimento de atenção primária e secundária. No Centro de Especialidades Odontológicas também há o atendimento primário e secundário, mas ele funciona junto ao Consórcio Intermunicipal de Saúde, atendendo outros nove municípios da região. São cerca de 20 profissionais dentistas, além de auxiliares, para atenderem essa estrutura.

No caso dos atendimentos da unidade do Erasto Gaertner em Irati, o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) engloba nove municípios da região. “Esse paciente é atendido no posto de saúde do seu município. Tendo um diagnóstico ou uma suspeita, o médico faz essa solicitação para Oncologia e, através disso, é levado no setor de marcação de cada município, eles têm o seu setor onde é gerado uma solicitação para a especialidade, que seja oncologia. Isso é encaminhado para a 4ª Regional, que através da 4ª Regional, a Secretaria de Saúde de Curitiba gera esse código. Ele pode ser tanto para o Erasto ou para alguma outra instituição que atenda oncologia e que seja credenciada para a 4ª Regional”, explica Daniela.

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