Beto Preto defende nova concessão ferroviária com retirada dos trilhos dos centros urbanos e mais investimentos no Paraná

24 de julho de 2026 às 23h32m

Deputado federal, que é pré-candidato à reeleição afirma que fim da atual concessão em 2027 representa uma “janela de oportunidade” para modernizar a malha ferroviária, prevê contornos em cidades como Irati e cobra obras, novos investimentos e maior participação da sociedade nas discussões/Paulo Sava, com entrevista de Jussara Harmuch

Resumo: – Para Beto Preto, discussão vai muito além da troca da empresa responsável pela operação da ferrovia;

  • Entre as principais propostas defendidas pelo deputado está a construção de contornos ferroviários para retirar os trens de carga das áreas urbanas;
  • Beto Preto considera que a obra é fundamental para aumentar a eficiência logística do Paraná e melhorar a qualidade de vida da população.

O deputado federal Beto Preto (PSD), que é pré-candidato à reeleição, afirmou que o encerramento da atual concessão da malha ferroviária Sul, previsto para fevereiro de 2027, representa uma oportunidade histórica para redefinir o futuro das ferrovias paranaenses. Durante entrevista concedida à Najuá, em Irati, o parlamentar defendeu que o processo não seja tratado como uma simples renovação contratual, mas como uma nova licitação capaz de garantir investimentos, modernização da infraestrutura e soluções para municípios cortados pelos trilhos.

Segundo ele, a discussão vai muito além da troca da empresa responsável pela operação da ferrovia. O objetivo é incluir no novo contrato obras estruturantes, como a retirada dos trilhos dos perímetros urbanos, uma reivindicação antiga de diversas cidades paranaenses. “Não podemos tratar isso como se fosse apenas uma reconcessão. Temos que tratar isso como uma nova licitação. Das linhas férreas do Sul do País, a mais rentável, em cerca de 80%, é a do Paraná. Não podemos perder essa janela de oportunidade”, afirmou.

Beto Preto explicou que a atual concessão teve início em 1997, inicialmente com a Ferrovia Sul Atlântico (FSA), depois administrada pela América Latina Logística (ALL) e, há pouco mais de dez anos, pela Rumo Logística. Para ele, ao longo dessas três décadas houve poucos investimentos em expansão da malha ferroviária. “O ativo da antiga Rede Ferroviária Federal passou para a iniciativa privada, que praticamente operou o que já existia e não fez investimentos significativos em novas linhas ou em trens de passageiros”, criticou.

Entre as principais propostas defendidas pelo deputado está a construção de contornos ferroviários para retirar os trens de carga das áreas urbanas. Beto Preto lembrou que municípios como Irati cresceram ao redor das estações ferroviárias, mas que atualmente a presença dos trilhos dentro das cidades provoca transtornos à mobilidade, aumenta o risco de acidentes e limita o desenvolvimento urbano. “Quando o trem chegou, há cerca de 80 anos, as cidades cresceram em torno da estação ferroviária. Hoje precisamos pensar em municípios mais adensados que necessitam de contornos ferroviários, como Curitiba, Londrina, Apucarana, Ponta Grossa e Irati”, frisou.

Segundo ele, essa proposta deverá ser defendida durante a elaboração do novo edital de concessão. Na Câmara dos Deputados, o parlamentar conseguiu aprovar a criação de uma subcomissão destinada exclusivamente ao acompanhamento do encerramento da atual concessão e da elaboração do novo modelo.

A intenção é acompanhar as audiências públicas, discutir investimentos e garantir que o contrato estabeleça prazos para execução das obras. “Não dá para esperar mais 30 anos. Assim como aconteceu nas novas concessões das rodovias, precisamos garantir investimentos obrigatórios também nas ferrovias”, comentou.

O deputado ressaltou que a retirada dos trilhos das áreas urbanas exigirá grandes investimentos. Somente o contorno ferroviário de Curitiba, segundo ele, demandaria cerca de R$ 1,5 bilhão. Já o conjunto das intervenções previstas pode ultrapassar R$ 6 bilhões.
Apesar dos elevados custos, Beto Preto considera que a obra é fundamental para aumentar a eficiência logística do Paraná e melhorar a qualidade de vida da população. Ele também destacou que os trens de carga reduzem significativamente a velocidade ao atravessarem áreas urbanas. “Na atual bitola métrica utilizada no Paraná, os trens já operam em velocidade reduzida. Dentro das cidades precisam diminuir ainda mais, o que compromete a eficiência do transporte ferroviário”, explicou.

Como exemplo, citou a Serra da Esperança, onde uma composição pode levar cerca de 20 horas para vencer o trecho.
Parlamentar cobra investimentos e maior participação da sociedade. Beto Preto afirmou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes já discutem a possibilidade de prorrogar a atual concessão por aproximadamente um ano para permitir uma elaboração mais detalhada do novo modelo.

Entretanto, ele alerta que, sem acompanhamento político e técnico, existe o risco de ocorrer apenas uma reconcessão, com poucos investimentos previstos. “O que nos preocupa é que isso saia praticamente como uma reconcessão. E uma reconcessão prevê poucos investimentos ao longo do tempo”, destacou.

O deputado defendeu ampla participação de prefeitos, vereadores, deputados estaduais, federais, empresários e da sociedade civil nas audiências públicas. Segundo ele, uma audiência regional poderá inclusive ser realizada em Irati.

Ferroeste não faz parte da discussão atual

Durante a entrevista, Beto Preto também esclareceu dúvidas sobre a Ferroeste. Segundo ele, a ferrovia estadual não integra a atual discussão sobre a renovação da concessão. A Ferroeste opera até Guarapuava. A partir desse ponto, toda a malha pertence à antiga concessão da Rede Ferroviária Federal, atualmente administrada pela Rumo.

O parlamentar explicou ainda que existem estudos defendendo a divisão da nova concessão por estados — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — proposta que conta com apoio de entidades como a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
No entanto, ele demonstrou preocupação com esse modelo, já que aproximadamente 80% da rentabilidade da malha Sul está concentrada no Paraná, especialmente no transporte de cargas destinadas aos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul.

Ferrovia Norte-Sul também preocupa

Outro tema levantado pelo deputado foi a indefinição sobre a expansão da Ferrovia Norte-Sul no Paraná. Segundo ele, ainda não existe definição sobre qual trajeto será adotado no Estado nem quando as obras poderão sair do papel. “A pergunta é: qual será o trecho escolhido no Paraná? Qual é a previsão dessa construção? Vamos esperar mais 40 ou 50 anos?”, questionou.

Para Beto Preto, o Brasil ainda investe pouco no modal ferroviário, apesar do potencial para reduzir custos logísticos, impulsionar o transporte de cargas e estimular o desenvolvimento econômico. “Nos Estados Unidos e na Europa os trens integram regiões inteiras e movimentam a economia. Precisamos discutir um verdadeiro planejamento de desenvolvimento ferroviário para o Brasil”, concluiu.

Além do debate sobre infraestrutura ferroviária, o deputado comentou ações desenvolvidas na área da saúde, destacando o andamento das obras do Ambulatório Médico de Especialidades (AMI) de Irati. Segundo ele, restam apenas os ajustes finais relacionados à instalação do sistema de climatização para que a unidade entre em funcionamento integralmente. Também citou a futura construção da nova UPA, a implantação de uma clínica de fisioterapia e a ampliação das cirurgias eletivas na região. Contudo, ressaltou que a discussão sobre a nova concessão ferroviária representa um dos principais desafios de infraestrutura para o desenvolvimento de Irati e de diversos municípios paranaenses.

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