Excesso de chuvas, atípico para maio, novamente expõe o drama da conservação das estradas. Motoristas fazem zigue-zague para desviar dos atoleiros
Edilson Kernicki, com reportagem de Tadeu Stefaniak
O excesso de chuvas, atípico para o mês de maio, volta a incomodar produtores rurais da localidade do Pinho de Baixo, em Irati, onde se formou uma série de atoleiros nas estradas. Gráfico do Instituto Nacional de Meteorologia, com base na estação de Irati, mostra que maio foi o segundo mês de 2016 em número de dias com chuva: 18, ao todo, com um acumulado de 140 mm. Só choveu menos que em fevereiro, com 23 dias de chuva e 190 mm de chuva acumulada. A média de chuva acumulada em maio nos últimos 30 anos é de 129 mm.
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O “El Niño”, porém, não pode mais ser considerado com o culpado por tanta chuva, tendo em vista que neste final de semana o fenômeno já tinha ido embora praticamente por completo. Ocorre que, no final de abril, as águas do Atlântico Sul, na costa Sudeste, estavam quentes demais no final de abril, o que ocasionou a chuvarada.
O ouvinte Rogério levou o repórter Tadeu Stefaniak para percorrer a estrada do Pinho de Baixo. Mesmo com um veículo de tração 4×4, o trajeto foi feito em zigue-zague. Onde a estrada não formou atoleiros, a lama tornou a pista bastante escorregadia, pois falta cascalho.
O temor dos moradores da localidade diz respeito também ao transporte escolar. “É bastante perigoso, vários ônibus já caíram aqui pelas valetas, ficaram encalhados, dependeu de colonos virem puxar os ônibus”, relata Rogério. “Tem que pôr a segunda [marcha], senão vem para o barranco. Não para de pé”, completa.
O agricultor Igor estava esperando uma carga de adubo, que não conseguia que fosse entregue em sua propriedade, devido à condição da estrada. “Vou ter que esperar melhorar o tempo”, reclama. Segundo ele, a comunidade precisa que as máquinas venham consertar as estradas, agora que o clima melhorou, para que os agricultores possam escoar a safra.
Outro agricultor, José Alceu Zanlorenzi, pede que seja aplicado cascalho e feita a manutenção adequada da estrada. “Nosso trânsito é intensivo, o tempo está chovendo e estão sem condições as estradas. Não tem a mínima condição. Eu mesmo vou ter que pagar uma máquina particular para arrumar a estrada para eu poder colher minha lavoura de cebola”, protesta. José Alceu afirma que já protocolou há algum tempo, junto ao Pátio de Máquinas, o pedido de melhorias na estrada de acesso à sua propriedade e, até agora, ninguém apareceu. A solução para não perder a lavoura será fazer a manutenção por conta.
Rogério disse que, há cerca de um mês, operários da Prefeitura de Irati executaram reparos (tapa-buraco) num trecho da estrada. Segundo o produtor, as máquinas teriam permanecido algum tempo no local, mas consertaram apenas um pequeno trecho da via. Rogério comparou a situação com o município de Prudentópolis, onde a Prefeitura teria feito patrolamento e cascalhamento de cerca de 32 quilômetros de estradas rurais em uma semana, com um serviço intenso desde manhã até o final da tarde.
Fora do Pinho de Baixo, Rogério diz que existem trechos onde só se passa com veículos de tração nas quatro rodas ou de trator e que, em outros, não tem sido possível percorrer nem mesmo com trator.