Suspeito de atropelar ciclista vai a júri popular na sexta-feira

20 de outubro de 2015 às 09h09m

Fabiano Kengerski morreu em 2012, após ser atropelado por um automóvel na Avenida Getúlio Vargas. Réu responde processo em liberdade desde 2013
Paulo Henrique Sava

© Paulo Henrique Sava

Promotor Antônio Basso Filho diz que o MP denunciou o réu por homicídio doloso
Será realizado na sexta-feira, dia 23, o julgamento do réu Luis Carlos Santos Marques, suspeito de ter atropelado o ciclista Fabiano Kengerski em outubro de 2012, na Avenida Getúlio Vargas, em Irati. O motorista chegou a ser preso na época por embriaguez ao volante, mas conseguiu um habeas corpus e foi solto em junho de 2013.

O promotor do Ministério Público (MP) de Irati, Antônio Basso Filho, responsável pelo caso, comenta que todas as providências judiciais para a realização do julgamento, como a intimação das partes que serão ouvidas e o sorteio das pessoas que farão parte do Conselho de Sentença, já foram tomadas. “Então, em princípio, tudo se encaminha para a realização do júri, efetivamente, no dia 23, próxima sexta-feira, e é o que nós esperamos, que este julgamento aconteça agora”, ressaltou.

Sobre o andamento do processo, o promotor citou que o MP denunciou Luis Carlos por homicídio doloso, ou seja, quando há intenção de matar ou, mesmo não havendo intenção, a pessoa tem conhecimento do risco de morte que seus atos podem trazer.  “De início, o MP pleiteou a prisão preventiva dele, que respondeu a uma parte do processo preso, só que houve um habeas corpus, que é um ‘remédio’ constitucional, impetrado no Tribunal de Justiça do Paraná, e foi acolhido este pedido. Ele [Luis Carlos] acabou sendo solto [em junho de 2013]. Então, é como eu digo: decisões judiciais, não me cabe aqui fazer juízo acerca do acerto ou do erro da decisão, que foi tomada, e ele está respondendo hoje o processo em liberdade”, frisou.

© Arquivo Najuá

Fabiano Kengerski não resistiu aos ferimentos e morreu após permanecer 36 dias internado no hospital
De acordo com o Código Penal, caso seja condenado, a pena para o suspeito, Luis Carlos, pode variar entre 6 a 20 anos de prisão. No entanto, segundo Basso, a pena pode ser revista pelo próprio juiz após a condenação, num processo conhecido como “dosimetria”, na qual o juiz diz por quanto tempo o acusado ficará realmente preso. “Como se faz esta dosimetria de pena? Existem lá alguns parâmetros no Código Penal, como o artigo 59, ou seja, por circunstâncias judiciais, agravantes, atenuantes, e causas de aumento e diminuição, mas isto não é imprevisível porque a Justiça não é assim, mas se faz necessária a condenação para que haja a individualização da pena”, destacou.

Ainda segundo o promotor, dependendo da decisão dos jurados, caberá recurso tanto da defesa quanto da acusação. “Este recurso pode até, eventualmente, submeter o réu a um novo julgamento por outro Conselho de Sentença, mas estas são situações processuais comuns, eu não estou dizendo que isto aconteça neste caso específico, são possibilidades que o Direito nos dá”, ponderou.

De acordo com Basso, os julgamentos, de regra, são públicos, mas a participação popular, em alguns casos, pode ser limitada pelo próprio juiz da comarca em virtude do espaço dentro do Tribunal do Júri. “O que pode acontecer é que, em algumas situações, o juiz-presidente pode, visando ao bom trabalho do Tribunal, e para que se evite algum tumulto com a presença de muitas pessoas, o plenário do Tribunal do Júri tem um espaço limitado e não caberiam muitas pessoas. É possível que o número de pessoas seja limitado, dependendo do espaço físico, mas isso fica a critério da Dra. Mitzy, que é a presidente do Tribunal do Júri. Então, pode haver limitação? Efetivamente, pode, em respeito à realização dos trabalhos, para que eles sejam realizados com serenidade, que é o que se espera”, destacou o promotor.

Basso ressaltou que casos como o ocorrido com Fabiano são muito comuns em grandes centros, mas causam grande comoção em cidades menores. “Em cidades menores, é comum que aconteçam estes eventos, então não é algo incomum, inédito. Eu também não acredito que isto vá influenciar de alguma forma nos trabalhos do Tribunal do Júri, mas em cidades menores isto é relativamente comum, até porque as pessoas acabam tomando mais conhecimento sobre estes casos, mas isto não é inédito”, afirmou.

O julgamento está marcado para sexta-feira, dia 23, a partir das 09 horas da manhã, no Fórum da Comarca de Irati, localizado na Rua Pacífico Borges, no bairro Rio Bonito.

Relembrando o caso

O acidente que causou a morte de Fabiano Kengerski aconteceu no dia 05 de outubro de 2012. Na ocasião, ele passava com sua bicicleta pela Avenida Getúlio Vargas, em frente à Igreja do Conjunto Fernando Gomes, quando foi atingido por um veículo VW Gol, conduzido por Luis Carlos Santos Marques.

Fabiano teve ferimentos graves e foi socorrida pela equipe do Corpo de Bombeiros de Irati. Na ocasião, ele foi internado na Santa Casa de Irati, mas morreu 36 dias após o acidente.

No relatório da Polícia Militar do dia 05 para 06 de outubro de 2012, consta a informação de que o condutor do Gol teria feito o teste do bafômetro, cujo resultado foi de 0,36 mg/l de álcool por litro de ar expelido.

Luis Carlos foi preso por suspeita de embriaguez alcoólica e conduzido até a Delegacia de Polícia Civil de Irati, juntamente com o veículo e a bicicleta da vítima. Porém, Luis responde ao processo em liberdade após ter obtido um habeas corpus, em 13 de junho de 2013.

© Tadeu Stefaniak/Arquivo Najuá

Em manifestação, realizada em 2013, familiares e amigos de Fabiano pediam a realização do júri popular
© Tadeu Stefaniak/Arquivo Najuá

Faixa colocada em frente ao Fórum de Irati no dia da manifestação

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