ACIAI pede cautela e diálogo em proposta que modifica a escala 6×1

22 de fevereiro de 2026 às 10h10m

A entidade também defende o diálogo aberto e o estudo técnico sobre o assunto

Imagem ilustrativa

A Associação Comercial e Empresarial de Irati (ACIAI) se posiciona junto a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) a respeito da proposta em debate no Congresso Nacional que trata da alteração da escala de trabalho atualmente adotada em diversos setores produtivos, especialmente o modelo 6×1.

Em nota, a Faciap manifesta preocupação com a condução da discussão e defende que qualquer mudança nas regras de jornada de trabalho seja feita com base em estudos técnicos, diálogo com o setor produtivo e avaliação dos impactos econômicos. A entidade ressalta que o debate sobre qualidade de vida e modernização das relações de trabalho é legítimo, mas que alterações estruturais precisam considerar a realidade das empresas e a capacidade de absorção de custos.

Segundo o posicionamento, a redução da jornada sem redução salarial tende a elevar o custo da hora trabalhada. Em um cenário marcado por carga tributária elevada, burocracia, insegurança jurídica e custo de capital considerado alto, a federação aponta possíveis efeitos como aumento de preços ao consumidor, pressão inflacionária, incentivo à automação, substituição de mão de obra e redução de empregos formais, com possível crescimento da informalidade.

A presidente da ACIAI, Samara Coelho, também comentou sobre o assunto, segundo ela “a discussão sobre a redução da jornada de trabalho é legítima e importante. Toda iniciativa que busca melhorar a qualidade de vida das pessoas merece atenção. No entanto, mudanças dessa dimensão exigem responsabilidade, estudos técnicos aprofundados e, principalmente, diálogo com quem gera emprego e movimenta a economia”, disse.

Ainda, segundo a presidente, é fundamental avaliar os impactos sobre custos, produtividade, competitividade das empresas e a manutenção dos postos de trabalho, especialmente nas pequenas e médias cidades. “Defendemos a construção conjunta de soluções, ouvindo trabalhadores, empresários e especialistas, para que qualquer avanço seja sustentável e traga benefícios reais para toda a sociedade”, comenta Samara.

Outro ponto destacado pela Federação é o impacto direto sobre o comércio e o setor de serviços, responsáveis por grande parte dos empregos formais no país e que dependem de funcionamento contínuo, inclusive em fins de semana e feriados. A entidade argumenta que a adoção obrigatória de uma jornada reduzida pode exigir a contratação de mais funcionários ou a redução do horário de atendimento, o que, segundo a avaliação do setor, pode ser inviável para muitos pequenos negócios.

No documento, a Faciap também defende que mudanças dessa magnitude sejam construídas com negociação coletiva, analisadas setor por setor e conduzidas com flexibilidade. A federação sustenta que a modernização das relações de trabalho deve ocorrer por meio de diálogo e previsibilidade, evitando decisões consideradas abruptas, que possam comprometer a geração de empregos e a sustentabilidade das empresas.

O presidente da Faciap, Flávio Furlan, afirma no manifesto que o país precisa avançar nas relações de trabalho, mas sem desorganizar o ambiente econômico. A entidade informa que seguirá acompanhando a tramitação da proposta e atuando junto ao Congresso Nacional em defesa de medidas que preservem a competitividade das empresas, a segurança jurídica e a manutenção de oportunidades de trabalho.

O fim da escala 6×1 foi listado pelo Palácio do Planalto como uma das prioridades, no Legislativo, em 2026. A proposta prevê substituir o modelo atual, de seis dias de trabalho para um de descanso, por uma jornada reduzida, com limite de 40 horas semanais.

Ao ser anunciada na Câmara, a medida passou a enfrentar resistências do setor produtivo e parlamentares da oposição.

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