Vistoria técnica no local atestou que há segurança na edificação tanto para os habitantes quanto para a continuidade de funcionamento de lotérica
Edilson Kernicki e Rodrigo Zub
O Corpo de Bombeiros de Irati descarta a possibilidade de novos desabamentos no prédio comercial da Rua Munhoz da Rocha. No sábado (30), a garagem do prédio desabou. No edifício, que foi evacuado por medidas de segurança, funciona uma casa lotérica no térreo e há apartamentos na sobreloja e nos andares superiores. O local foi posteriormente liberado tanto para os moradores retornarem para suas casas como para a continuidade do funcionamento do estabelecimento.
De acordo com a Tenente Carla Spak, subcomandante do 3º Subgrupamento do 2º Grupamento de Bombeiros (3º SGB/2º GB), foi realizada, na terça-feira (2), uma vistoria técnica no local para atestar a segurança da edificação. A vistoria foi solicitada pelo engenheiro civil Rodolfo Penteado Garbelini Júnior, responsável pelos projetos e execução da obra na propriedade de Renato Sobutka, naquela rua.
Conforme a Tenente, o engenheiro solicitou a vistoria depois da execução de um plano de ação que foi elaborado por ele, mas assinado, de comum acordo, com a engenheira Diana Serbai, que foi contratada por Augusto Tucholski, conhecido como Gutio, dono da lotérica. O plano de ação contemplava a recolocação de terra, no local de onde havia sido retirada e a construção de um talude. “Com isso, coloca em plena segurança a edificação do Gutio, podendo, então, serem liberadas, naquele momento, as atividades normais tanto da loja quanto o retorno dos moradores para a edificação”, garante.
A perícia, que vai atestar a causa do desabamento, ainda vai demorar a apresentar resultados conclusivos. “Vão ser retirados os corpos de prova, que serão encaminhados para laboratórios e, depois, sim, será feita a análise de todo o conjunto. Essa perícia ainda demora um pouco. Não será nos próximos dias que terá o resultado”, explica.
“Quanto ao risco de novos desabamentos, não existe, justamente porque foi recolocada a massa que tinha sido retirada do local. Tanto as edificações do entorno, quanto a construção, estão sem nenhum risco, no momento”, tranquiliza.
A engenheira civil Diana Serbai, da Serbai Schmitz Engenharia e Arquitetura, emitiu nota de esclarecimento em que aponta que foi contratada por Gutio e sua família para periciar o local do desmoronamento da garagem. De acordo com a nota, o prédio foi liberado para habitação e funcionamento do comércio porque não apresenta riscos e porque sua estrutura é independente da estrutura da garagem, de modo que o prédio apresenta estabilidade e solidez. Apenas a área da garagem permanece interditada.
Diana ressalta, ainda, que sua única responsabilidade é apontar a causa do desmoronamento e verificar a estabilidade do prédio onde funciona a lotérica.
O veículo Cruze, que pertencia ao empresário Gutio, já foi retirado do local do desabamento. Segundo Spak, a continuidade da obra no terreno do Sobutka depende dos trâmites nas secretarias de Obras e Serviços Urbanos da Prefeitura. “O carro do Gutio foi retirado junto com o material que será utilizado para fazer os corpos de prova da perícia. No local agora serão feitos os trâmites junto a secretaria de Obras e Urbanismo para ver a questão da obra e como será dado continuidade a obra do Sobutka. Neste momento, não há riscos de novos desabamentos visto que já foi recolocada terra no lugar onde estava aberto. Os engenheiros tanto do Gutio quanto do Sobutka estarão realizando as perícias, que são particulares, para chegarem a uma conclusão de como que será melhor solucionado entre as partes. Daí na sequência terão que ser apresentados novos projetos em relação a obra, mas isso já é uma questão posterior junto ao setor de Obras e Urbanismo da Prefeitura”, relata a Tenente do Corpo de Bombeiros.
Spak explica o que significa o termo técnico “corpos de provas”. “Os corpos de provas na verdade são retirados do material que foi colocado nos pilares. Então, os pilares são de concreto vem uma perfuratriz e tira partes deste concreto para levar para laboratórios para questão de análise de tempo, de cura do concreto, a resistência desse concreto, então é feita toda essa análise em laboratórios credenciados mais isso já é uma questão mais da parte de engenharia, que vai retirar e levar até esses laboratórios”, comenta.
A Tenente ainda salienta que a fiscalização de obras não é atividade de competência do Corpo de Bombeiros. “A fiscalização que os bombeiros fazem é no sistema preventivo de uma edificação. A análise dos projetos que a gente faz no Corpo de Bombeiros é em relação ao sistema preventivo. Estrutural e de obras não é responsabilidade do Corpo de Bombeiros”.
O Comandante do Corpo de Bombeiros de Irati, Capitão Jorge Augusto Ramos, relata quais foram as ações realizadas pela corporação desde o desabamento da garagem do prédio comercial. “O Corpo de Bombeiros em trabalho conjunto com a Defesa Civil e a secretaria de Obras e Urbanismo, nós optamos por ações preventivas que foram a evacuação do prédio e a interdição temporária das habitações e comércio no prédio do Gutio, e também a interdição do tráfego de veículos, principalmente veículos pesados nas ruas laterais, a XV e Munhoz da Rocha. No domingo passamos o dia todo em reuniões mais técnicas, além dessas equipes institucionais, nós tivemos uma equipe formada pela própria empresa e pelo engenheiro responsável pela obra do Sobutka e uma equipe de engenheiros que foi contratada pelo Gutio. Conseguimos no final da tarde de domingo fazer um plano de ação para mitigação e controle desse problema. Então foi dividido basicamente em quatro etapas. Uma era a observação, as vistorias e acompanhamento do prédio do Gutio com laudo até que se certificasse a segurança para o retorno as atividades comerciais e residenciais do prédio. A segunda foi a retirada de material que caiu na escavação tanto oriundo da queda da garagem do prédio do Gutio quanto das escoras, a cortina de contenção que eram próprias das obras, que estavam dentro da vala, então a retirada do material mais leve para efeitos de limpeza e do material da obra para efeitos de perícia. Então esse material foi conservado e preservado para que pudesse fazer perícia. Numa terceira fase foi feita a reposição de material na escavação, compactação desse material até devolver a segurança no solo e capacidade de voltar as atividades nós conseguimos ontem à tarde [terça-feira]. Nós conseguimos constatar a condição de segurança na região. Por isso, foram tomadas as medidas de reocupação do prédio do Gutio e liberação das ruas. Com isso, encerrou a fase de segurança dessa ocorrência. E a última fase que acontece agora diz respeito a prefeitura e construtora para uma fase de observação que vai se conduzir a retomada da obra de quando a prefeitura vai liberar a retomada da obra e como a empresa vai gerir esse processo da construção dos subsolos. Com isso, encerramos sem nenhum agravo tirando os danos que já existiram no momento do colapso da estrutura. Na sequência conseguimos conter e minimizar a situação sem ter nenhum agravo a mais para a coletividade. Na terça-feira encerramos essa ocorrência”, relata Ramos.